SOS Marajó

As vítimas de verdade, a imprensa petista e Lula, a "vítima de sempre".

25/02/2024 12:55
SOS Marajó

A notícia

A cantora gospel Aymeê Rocha, 27 anos, nascida em Belém e radicada na cidade de Redenção, no Sudeste paraense, compôs uma música, "Evangelho de Fariseus", que viralizou por todo o país.

Reality e viral

A origem da "viralização" foi o local e a maneira como Aymeê mostrou a canção: um Reality Show gospel tipo The Voice Brasil, chamado Dom Reality, no qual a paraense foi uma das finalistas. Exibido no canal do YouTube EAD UniCesumar, após a apresentação em 15 de fevereiro, a cantora passou de um milhão de seguidores no Instagram.

Letra

"Enquanto isso no Marajó, o João desapareceu;
Esperando os ceifeiros da grande seara;
A Amazônia queima / Uma criança morre;
Os animais se vão;
Superaquecidos pelo ego dos irmãos
Um Evangelho de Fariseus".

A quem interessar possa

"Marajó é uma ilha a alguns minutos de Belém, a minha terra. Lá tem muito tráfico de órgãos, lá é normal. Lá tem pedofilia em 'nível hard'. As crianças com cinco anos, quando elas vêm um barco vindo de fora com turistas – Marajó é muito turístico e as famílias são muito carentes –, as criancinhas saem em uma canoa, seis, sete anos; e elas se prostituem no barco por cinco reais", disse a cantora, após se apresentar, para os jurados.

Hipocrisia

Segundo Aymeê, "Evangelho de Fariseus" foi composta com o objetivo de alertar para a hipocrisia da Igreja em relação ao assunto, o descaso com as crianças marajoaras e por todo o país.

Crítica e "terceirização"

No final de sua fala, a paraense disse ainda aos jurados que há uma apatia da população brasileira diante da calamidade pública abordada. "Jesus me fala que às vezes nós, cristãos, terceirizamos muito para o governo o que é de responsabilidade nossa, como cristãos".

Tudo verdade

Ainda que ela não tenha dito nenhuma mentira sobre um problema gravíssimo e histórico, e apesar de toda a repercussão que a sua "música protesto" tenha causado, Aymeê não vencera o reality. Pelo menos naquela seara a canção não contaminou o debate, no caso uma competição.

Assunto da semana

Para além dos "muros" da disputa musical, o assunto repercutiu por todas as redes sociais, gerou debates e discussões, uma infinidade de buscas no google, foi um dos temas mais comentados na rede X, dominou a curiosidade da população brasileira e foi, sem dúvida, a notícia produzida em âmbito nacional mais comentada da semana.

Cabrini 

Neste sábado, 24, ainda na esteira da música de Aymeê, vazaram imagens de uma conversa ríspida entre Roberto Cabrini e um outro homem, sobre filmagens que a sua equipe teria realizado no Pará a caminho do Marajó.

Matéria

A Rede Record mandou seu principal repórter investigativo para o local com vistas a produzir matéria sobre abuso e exploração sexual de crianças, tema central da música composta pela paraense.

Consequências

Famosos repercutiram a denúncia de Aymeê, alertas e campanhas foram anunciadas e o debate chegou na igreja e na política, pois, não esqueçamos, ambas foram citadas pela cantora na música, além da omissão da sociedade e sua mania de terceirizar.

Exploração

Mas foi na política que a música de protesto ganhou ares de farsa e proselitismo. A senadora Damares Alves a compartilhou e foi seguida por muitos dos seus adeptos. Ato contínuo, um vídeo falso denunciando a exploração de menores na ilha também foi usado pelos bolsonaristas.

Uzbequistão

A turma do ex-presidente é acusada de usar imagens produzidas no Uzbequistão, a dezenas de milhares de quilômetros do arquipélago, em 2023, na cidade de Bukhara. Na oportunidade, uma professora foi autuada por direção perigosa, quando transportava mais de duas dezenas de alunos em seu carro.

Resposta

Na sexta-feira, 23, com a repercussão da manifestação de Aymeê e os desdobramentos entre o bolsonarismo, o ministro de Relações Institucionais do governo Lula, Alexandre Padilha, publicou um vídeo criticando o que chamou de "acusações generalizadas". Ele reconheceu a gravidade do tema, criticou a senadora Damares Alves e a proliferação de vídeos fakes.

O fato

O abuso e a exploração sexual de menores são fatos de notório conhecimento no Brasil desde, pelo menos, meio século. Somente no arquipélago, o bispo emérito do Marajó, Dom José Luiz Azcona, denuncia a questão há mais de três décadas.

Pobreza

A região convive com o flagelo e campanhas se sucedem promovidas por governos estaduais e o federal, os Ministérios Públicos em mesmo âmbito, as polícias locais e as organizações da sociedade civil que atuam no combate aos crimes dessa natureza.

Piores IDHs

Historicamente, desde que o índice foi aplicado na área do arquipélago conhecida como "Marajó da floresta", estão localizados ali municípios com alguns dos piores IDHs do Brasil.  


Tráfico

No Brasil, o que se imaginar em matéria de atuação do crime organizado, do tráfico de drogas, de órgãos, crianças e animais silvestres; contrabando, desmatamento ilegal, abuso, estupro e exploração de vulneráveis, tem precedente na região.


Indicadores

Num país contaminado pelo fosso da divisão com origem na polarização política, onde tudo é politizado e, no qual um dos líderes, no caso o atual presidente da República, atiça sua grei falando em "nós contra eles", cumpre aos jornalistas fazer uma cobertura fundamentada em fatos e indicadores honestos, tanto sobre a situação, quanto em relação aos resultados de políticas públicas implementadas nas três esferas de poder sobre a questão.

Lado

O lado certo nesta e noutras questões deve ser focado somente nessa dualidade: fatos e indicadores. Se há políticas públicas no caminho certo, palmas aos atores envolvidos e que elas se espraiem. Se tem omissão ou piora do quadro, que se apresentem os dados e soluções ante as complexidades e encerrem-se práticas que não deram certo.

Aymeê, as feridas e uma chance

A jovem evangélica perdeu o reality, mas roubou a cena. Como cidadã, ao cutucar na ferida seus concidadãos para que saiam da zona de conforto de só criticar e passar a agir contra o estado de coisas que denunciou, fez seu papel de cidadã ganhar protagonismo.

Cada um no seu quadrado

Agora é a vez das ONGs, dos religiosos e demais autoridades, personalidades que compraram a briga e os moradores do Marajó, que devem fazer a sua parte, aproveitando a oportunidade e a repercussão que gerou.

Lula, a eterna vítima

A notícia sobre o Marajó diminuiu outra repercussão que movimentou as redes sociais e a imprensa antes da questão marajoara: a declaração de Lula sobre o conflito em Gaza, quando comparou a reação de Israel ao terrorismo do Hamas com o Holocausto. Além de não se retratar, o presidente brasileiro culpou quem o criticou fazendo o seu melhor personagem, aquele que tanto já lhe rendeu: o de coitadinho, alvo de preconceito pela origem e vítima da burguesia e da sociedade rentista…

"Guerra cultural", imprensa e delinquência

Integrantes da chamada "guerra cultural" travada com os bolsonaristas, e formada do lado petista por acadêmicos de USP, Unicamp, UFRJ, UnB, et al; militantes encastelados no governo, na imprensa e esgotosfera; na esquerda e sindicalistas em geral; prosélitos, vendidos, comprados, além dos áulicos e bajuladores de sempre, saíram em sua defesa e das suas palavras, espalhando infâmia, antissionismo e antissemitismo pelos quatro cantos do Bananão.

Já era o Nobel

Como Lula pôde perceber, pior que ter seu nome associado negativamente à infâmia que falou, em 90% das citações pela internet mundial, líderes do Ocidente em peso que trataram dela, a fala asquerosa, demonstraram (mais uma) decepção e ojeriza que merecia. Pelo visto, ele vai ter de gastar muita saliva, dinheiro e a nossa paciência, em busca da sua obsessão por ser laureado com Nobel da Paz. Só que não. 

Suspeitos

Se o Hamas afirma que dez mil crianças já morreram em Gaza, vítimas da contraofensiva de Israel após o mais covarde ataque terrorista desde o 11 de setembro, e o mais letal contra o povo judeu após o Holocausto, é fato que devemos crer em cerca de 10 ou 20% disso. Ainda que uma única delas seja uma tragédia pela qual o grupo é o responsável. 

Culpados I

Cumpre repetir: ao atacar covardemente a população civil israelense no dia 07 de outubro de 2023, os bárbaros, radicais, assassinos, estupradores e psicopatas do grupo terrorista são, indiretamente, os responsáveis pela tragédia, pois foram eles que iniciaram unilateralmente o conflito.

Culpados II

Da mesma forma que também são, na maioria dos casos, os responsáveis diretos pela tragédia que é a morte de cada inocente civil, criança, adulto ou idoso, na medida em que os utilizam como escudos humanos e em túneis cavados abaixo de hospitais e demais áreas civis.

Paulista e prisão

Enquanto isso em Gotham City, ops, São Paulo capital, o líder de todos os bolsonaristas, Jair, espera reunir mais de uma centena de milhares de simpatizantes neste domingo, 25, na Avenida Paulista.

Véspera

O ato que, para muitos será seu último gesto de impacto político precedendo uma prisão quase iminente "pelo conjunto da obra" e, sobretudo, pela urdidura de um golpe de estado após a derrota eleitoral de 2022.


PS: Os fariseus surgiram no século II (a.c.) e se tornaram o grupo mais poderoso na época de Jesus. Devotos do Torá, eles criaram a sinagoga e uma "lei oral", que passou a existir junto à lei escrita. Eram rígidos e obedientes a essas tradições a tal ponto, que as consideravam ainda mais importantes do que as palavras dos profetas, incluído o próprio Messias, o Cristo. 

Mais matérias Amazônia