A invasão da Venezuela e a captura de Nicolás Maduro aos olhos do mundo
Operação confirma que o americano está pouco se lixando para todos que não orbitam na sua galáxia e “ai de quem” se meta na sua “área de influência”
Oficialmente falando, Donald J. Trump, o presidente 45 e 47 dos Estados Unidos da América (EUA), desde que foi declarado vencedor das eleições presidenciais pela primeira vez, em 2016, desdenha da principal organização multilateral do universo até onde a vista enxerga, a ONU.
Dito isso, FMI, OTAN, OEA, etc. e tal, no caso apêndices dessas e outras agências e organismos menos votados, têm tido de engoli-lo, suas frases de efeito e idiossincrasias costumeiras, ainda mais em uma nação com regras democráticas e imprensa livre como é o caso historicamente dos EUA, onde ele dá expediente como o número um e fala àqueles veículos aos quais, na absoluta maioria, os despreza com fervor, dia sim outro também.
A
invasão
Para ele, Trump, quem quer que seja a defender, nesta altura do campeonato, uma autorização prévia do Congresso
americano para a invasão com vistas a capturar um facínora como Nicolás Maduro, como manda a Constituição do
País,
falar em autodeterminação dos povos, soberania nacional e, last
but not least, na chancela do Conselho de Segurança da ONU para
o ato, ainda que se trate de uma ditadura, lembra a famosa
frase-gíria repetida pela jovem guarda: “faz-me rir”.
Lula, o patético
Mandou Geraldo Alckmin pagar o mico de participar, ao lado de terroristas do Hezbollah, Hamas e dos próprios e teocráticos líderes do Irã, dos funerais do presidente Ebrahim Raise, em 2024.
Aquele mesmo país que oprime opositores, as mulheres, os jovens que falam em direitos e liberdade e, cujo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, se refere aos EUA como o “Grande Satã".
O mesmo Lula que, com o ato terrorista de 07/10/23, proferido pelo Hamas contra Israel - o maior assassinato em massa do povo judeu desde o Holocausto -, falou algumas das suas frases mais infames, demonstrou todo o seu anti-semitismo de lá pra cá e tem grande dificuldade de chamar o Hamas de grupo terrorista.
Lula, que foi acusado de receber mais de um milhão dólares de outro monstro, Muammar Kadafi, dos mais cruéis ditadores que tiveram a infelicidade de passar por este mundo caótico.
O petista que deu dinheiro a rodo dos pagadores de impostos para outra ditadura impune, a cubana, responsável por executar seus opositores no paredão pelo simples ato de cometer um crime de “opinião”.
Lula, que viu uma refinaria da Petrobras ser expropriada por outro líder que buscava a perpetuação no poder, o boliviano Evo Morales; o mesmo Lula que, em sinal de desprezo pelo parlamento e a democracia, patrocinou o Mensalão, humilhando e manietando o legislativo.
Moral da História: não tem nota oficial redigida por membros do agitprop petista e/ou refinados intelectuais do Itamaraty que limpem a mancha de sangue e o manto de hipocrisia que cerca a sujeira debaixo do tapete petista em verões remotos e recentes.
Quanto ao proselitismo e blablablá de um presidente pato manco com 50% de chances de reeleição muito mais por “méritos” dos seus opositores mais destrambelhados, tipo Eduardo Bananinha Bolsonaro e o seu pai, desde a pandemia, paremos por aqui.
A lista de delinquências de Lula quando se trata de apoiar ditadores e genocidas é imensa, de Putin aos mais sanguinários e longevos autocratas africanos. Um vexame. Pelo menos para quem é, de fato, um entusiasta da democracia, não esses “revolucionários” de fancaria que usam e abusam do regime para solapá-lo, além de considerá-lo “coisa de burguês”.
Rússia
e China
Lá vou eu me valer mais uma vez do meu guru genial,
Ivan Lessa, e suas frases ferinas, sarcásticas e definitivas
sobre a “memória nacional”. “O brasileiro esquece, de 15 em 15
anos, tudo que aconteceu no Brasil nos últimos 15 anos”. Sacou?
Somos um povo sem memória.
Logo, ninguém lembra das ameaças de Vladimir Putin durante o governo Biden (2021-2025), quando até ogivas nucleares disse que poderia instalar nas suas bases venezuelanas.
Daí que vieram a invasão (agressão) da Ucrânia - que Lula disse ser tão responsável quanto pela guerra -, a eleição de Donald Trump, suas ambições imperiais e desprezo pelas instituições do seu país.
Após a operação americana, a Rússia emitiu um alerta em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, no qual pediu que os EUA libertem Nicolás Maduro e esposa.
“Diante dos relatos confirmados de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa estão nos Estados Unidos, instamos veementemente a liderança americana a reconsiderar sua posição e libertar o presidente legalmente eleito de um país soberano e sua esposa”, leu o chanceler Sergei Lavrov.
Legalmente eleito…
Fosse um documento emitido pela União Européia ou qualquer nação democrática mundo afora, mereceria respeito, ainda que se discordasse do seu conteúdo e intento. Mas, vindo de um sujeito abjeto que extermina adversários por envenenamento, tortura ou prisões inóspitas, e ainda por cima invasor de um país irmão, beira o escárnio.
Outra ditadura com ambições imperiais, a China, foi no mesmo caminho. O Ministério das Relações Exteriores de lá também emitiu um comunicado neste domingo, 04, onde defende que os EUA devem libertar “imediatamente o líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa”.
O texto solicita ao governo Trump que resolva a situação na Venezuela por meio “de diálogo e negociação”, ao tempo em que afirma que os EUA também deveriam garantir a segurança pessoal de Maduro e de sua esposa.
Segundo o “Império do Meio”, a deportação “violou o direito e as normas internacionais”. Ditadores, além do desprezo pela democracia, são de um descaramento assombroso.
Vejam só, a China falando em violação de direito e normas internacionais; o mesmo país que faz pouco das leis e tratados multilaterais de comércio, trabalho e direitos humanos. Um país que pirateia artefatos de ciência e tecnologia, estudos e descobertas científicas, tem milhões de trabalhadores escravos e proíbe opinião com prisão e “desaparecimentos”.
Para completar o teatro de horrores, ambas as ditaduras falaram em “ato de agressão e direito à autodeterminação dos venezuelanos”, no caso da Rússia, e “que o país se opõe firmemente a esse comportamento hegemônico dos EUA”, escrito no comunicado chinês.
Imaginem se as barbas dos ucranianos e taiwaneses estão de molho.
Repercussão
na Europa
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão
Europeia, e Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia,
defenderam uma transição pacífica de poder e pediram respeito à
lei internacional e à Carta da ONU.
Aliado histórico dos EUA, o Reino Unido, por meio do primeiro-ministro Keir Starmer, afirmou ainda no sábado, 03, que o país “não teve qualquer envolvimento na operação militar realizada pelos Estados Unidos na Venezuela". "Posso afirmar com absoluta certeza que não estivemos envolvidos nisso", declarou.
Starmer disse ainda que pretende manter diálogo com Trump para compreender o cenário que se desenvolve na América do Sul. Ele defendeu o respeito às normas jurídicas globais. "Sempre digo e acredito que todos devemos respeitar o direito internacional”, destacou.
Giorgia Meloni, premier italiana, disse que “ações externas não são a melhor forma de acabar com regimes autoritários". A líder afirmou em seguida que considera “legítima a intervenção defensiva contra ataques híbridos à sua segurança”.
Friedrich Merz, seu homólogo alemão, escreveu que a “avaliação jurídica da intervenção dos EUA é complexa e exige uma análise cuidadosa”. Pedro Sánchez, premier espanhol, afirmou que não reconhecia Nicolás Maduro, mas tampouco irá reconhecer “uma intervenção que viola o direito internacional e empurra a região para um horizonte de incerteza e beligerância”.
“O povo venezuelano deveria comemorar por ter se livrado da ditadura de Maduro”, disse o presidente francês Emmanuel Macron.
América
do Sul e Cuba
Javier Milei, aliado e entusiasta de Donald Trump,
repetiu seu lema: “Viva a liberdad, carajo”. “Chegou a hora dos
narcochavistas”, escreveu o presidente do Equador, Daniel Noboa.
Gustavo Petro, que está na mira de Trump, disse rechaçar “qualquer ação militar unilateral que possa agravar ou a situação ou colocar em risco a população civil”. Herdeiro da ditadura dos irmãos Castro, de Havana, o cubano Miguel Díaz-Canel classificou a captura de “criminoso ataque”.
Esse está ainda mais cabreiro, na medida em que um dos ideólogos dessa nova Doutrina Monroe, aquela da “América para os americanos”, é o secretário de Estado Marco Rubio, natural da Flórida e descendente de cubanos.
Petróleo
Coberto
pela glória momentânea, mandando recado aos rivais russos, chineses
e da política interna dos EUA, elogiado a exaustão pelos
secretários Rubio e Pete Hegseth (Guerra) durante a coletiva deste
sábado, bem como pelo chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan
Caine, Donald Trump afirmou que os EUA vão administrar o país até
a transição de poder e que as empresas americanas voltarão a
explorar o petróleo venezuelano.
Moral da história 2: o americano está pouco se lixando para todo mundo que não orbite na sua galáxia ou “área de influência” e, mais ainda para as defesas do multilateralismo e congressistas democratas, os quais pretende vencer nas eleições de meio de mandato, este ano.
E que venham as cenas dos próximos capítulos. Ah, outra coisa, os petistas e acólitos estão mega preocupados com uma hipotética pressão ou influência do trumpismo nas eleições de outubro daqui.
Pelo sim, pelo não, ao Lula candidato convém torcer por novos favores de Dudu Bananinha, uma paz aparente nas fronteiras com o país vizinho e, sobretudo, por uma boa diferença de votos na hora do pega pra capar, ou seja, quando forem abertas as urnas no final de outubro.
Quanto a Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, esses vão torcer para o americano permanecer apavorando nos noticiários, de sorte que o escândalo Master não atrapalhe seus planos e canetadas até o resultado das eleições para o Senado e suas consequências, este sim o principal temor da trinca…
Fui.
Imagens: Reprodução/Redes Sociais; potus.
