Brasil completa uma década em busca de novas reservas de petróleo sem resultados
No final de 2025, o Brasil completou uma década em busca de novas reservas de petróleo, porém sem sucesso. Segundo uma análise publicada pela Folha de S. Paulo, parte dessa estagnação se deve à queda nas cotações internacionais da commodity e das dificuldades na obtenção de licenças ambientais.
Segundo a Folha, a perspectiva é que a atividade permaneça em ritmo lento nos próximos anos, principalmente por causa da expectativa de petróleo barato. Para garantir que haja a exploração do petróleo, há a dependência de uma série de questões burocráticas e científicas, como pesquisas sísmicas e a perfuração dos poços até atingir esses alvos - fase em que a Petrobras se encontra na Foz do Amazonas.
Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) apontam que a atividade patina no país desde a crise do petróleo de 2014, quando as cotações bateram a casa dos US$ 40 por barril. Piorou nos últimos anos, apesar da recuperação dos preços.
Analistas do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás e Biocombustíveis) apontam que, historicamente, havia uma correlação entre o número de poços e o preço da commodity. Petróleo caro tendia a estimular as petroleiras a buscar novas reservas.
Em 2024, o Brasil atingiu um recorde de contratos firmados para áreas exploratórias, chegando a 420. Com base nesses contratos, a ANP prevê 19 poços exploratórios em 2026, sete em 2027 e oito em 2028. Os números, porém, podem variar de acordo com a evolução das atividades de pesquisa, principalmente nas novas fronteiras exploratórias.
Segundo fontes da Petrobras, ouvidas pela Folha, embora a necessidade de novos pontos de exploração seja uma das prioridades, o ritmo das atividades exploratórias no Brasil é determinado atualmente pelo licenciamento ambiental.
Outras petroleiras com grande número de blocos exploratórios no Brasil também são reticentes em relação à retomada da atividade. A inglesa Shell, por exemplo, perfurou apenas um poço em 2025 e diz que uma nova campanha no país ainda está em fase de estudos.
Créditos da imagem: Agência Brasil.
