Climão no PL-PA: inauguração do novo diretório estadual expõe racha na legenda.
“Disruptivo”, delegado Éder Mauro mostra por meio de atitudes e palavras que segue à risca o modus operandi do seu líder máximo Jair Bolsonaro.
Bardo
Parafraseando o Hamlet de William Shakespeare, há algo de podre no reino do Partido Liberal (PL) do Pará. E a inauguração do novo diretório estadual da agremiação detentora da atual maior bancada individual na Câmara dos Deputados, com 88 parlamentares, deixou evidente o anticlímax.
Barras fora
Afinal, a principal estrela da companhia, campeão de votos e carisma no campo da direita local, o deputado federal Éder Mauro, não compareceu ou tampouco gravou vídeo justificando a ausência.
Da mesma forma, todo o restante do clã, seu filho, o aguerrido deputado estadual Rogério, sua sobrinha Ágata, vereadora municipal, e a nora Tatiane, sua vice na chapa da candidatura à Prefeitura de Belém ano passado, ninguém deu as caras. Se alguém viu o outro fiel aliado do delegado, o vereador Mayky Vilaça, compartilhe a foto e nos corrija.
Manual é o ca&#*te
Como se vê, em matéria de contrariar qualquer manual de boas práticas e bons modos políticos, o delegado Éder Mauro emula com disciplina de caserna as idas, vindas, tapas e pontapés com os quais seu ídolo e mentor, Jair Bolsonaro, trata a tudo e todos que ousam contrariar seus mandos e desmandos.
Justificativas
Pai e filho, Éder e Rogério, deixaram o comando do PL-PA em agosto passado. A saída de ambos foi justificada como uma “reorganização da legenda rumo às eleições de 2026”, para que o ex-presidente estadual pudesse se dedicar às articulações políticas visando o sucesso do partido no próximo pleito, com foco nas candidaturas ao governo e senado.
Governador
Desde então, o que se especula é uma candidatura de Rogério Barra ao governo do estado numa dobradinha com o pai na disputa pelo Senado. O arranjo seguiria a estratégia do Diretório Nacional do partido que sonha com a eleição de uma avalanche de senadores com vistas a trabalhar pelo impeachment de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), entre outras batalhas parlamentares.
Passarinho
Como não poderia ser diferente, quem liderou a cerimônia de inauguração foi o deputado federal Joaquim Passarinho. As outras estrelas locais da legenda, o também deputado federal Delegado Caveira, o prefeito de Marabá, Toni Cunha, e o deputado estadual Neil, outro desafeto local da família Barra, prestigiaram o novo endereço.
Casa
“Aqui é pra (sic) gente dizer o seguinte: nós temos uma casa. E esta casa é de todos. Esta casa é feita para vocês. Partido político se faz de pessoas, de gente. Então, se isso aqui ficar vazio, vai ser apenas salas. Vai ser um partido político quando a gente conseguir trazer vida aqui para dentro”, disse o presidente estadual do PL no ato de inauguração.
Outros bichos
Passarinho assumiu o PL-PA com a missão, entre outras, de integrar novas lideranças e fortalecer as campanhas majoritárias do partido. Pelo menos esta foi a versão divulgada quando da mudança de fato e direito, em agosto.
Fatos e versões
Ainda que tenha conseguido a ampliação das comissões municipais durante a sua presidência no diretório estadual, Éder Mauro foi criticado por conta de resultados considerados aquém das expectativas nas eleições municipais de 2024 em todo o estado, além dos desgastes com lideranças como o prefeito de Parauapebas, Aurélio Goiano, entre outras.
Lógica
É tanto óbvio quanto lógico que a decisão da troca de um campeão de votos e amigo pessoal de Jair Bolsonaro pelo discreto e hábil Passarinho, veio de fora para dentro, no caso, do comando da legenda (leia-se) Valdemar Costa Neto, com o consentimento do ex-presidente.
Ser ou não ser
A inauguração coincidiu com a divulgação de sondagem quantitativa sobre as eleições de 2026 realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, empresa de confiança do PL nacional. Nela, Éder Mauro sai bem posicionado tanto para o Senado Federal (que dizem ser seu sonho antigo) quanto para o governo estadual.
Rogério fora
O curioso é que, se o Paraná Pesquisas é o instituto favorito do PL nacional, e o deputado Rogério Barra segue como o principal nome da legenda local na corrida pelo Governo do Estado, por que raios o seu nome não aparece nas sondagens?
Eis a questão
O dado concreto, como diria Lula, o inimigo político real do PL de Jair Bolsonaro, é que, presidente ou não do PL-PA, Éder Mauro tem sido desde 2014 um campeão de votos, na riqueza (vitórias) ou pobreza (derrotas).
E, para além de especulações como a filiação ao partido do ex-governador Simão Jatene, e uma candidatura do ex-senador Mário Couto novamente à Câmara Alta, tudo irá passar pelo caminho a ser escolhido pelo valente delegado aposentado, naturalmente com a chancela do disruptivo-mor, Jair Bolsonaro.
Doa a quem doer
É isso. Como dois e dois são quatro. Tal e qual diria o outro prosélito convertido ao bolsonarismo e também ausente na inauguração do novo diretório estadual, vereador Zezinho Lima, “doa a quem doer”. E quem viver, verá.
Deu ruim
No mais, com a operação mais bem sucedida da história do combate ao crime organizado nas favelas do Rio de Janeiro, plena e majoritariamente apoiada pela população local, deu ruim para o PT, Lula e a bandidagem. Fui.
