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Desenrola 3.0: Saiba como vai funcionar a compra de dívidas pela União

Nova fase de programa prevê desconto de até 90% nos débitos

Criada nessa sexta-feira, 25, por medida provisória, a terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, chamada de Desenrola 3.0, traz mudança importante em relação às etapas anteriores.


A União poderá comprar em leilões, carteiras de dívidas inadimplidas e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido na operação. Nas fases anteriores, os débitos eram negociados diretamente entre credores e devedores.


A expectativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis ao programa, com potencial para beneficiar até 15 milhões de pessoas.


Como funcionará?

A nova fase será voltada a dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original da dívida.


Para participar da operação, os débitos deverão estar em atraso de 720 dias a 1.645 dias, contados a partir de 25 de setembro de 2026.


Na prática, o processo será dividido em etapas:

1. A União realizará leilões para comprar as carteiras de dívidas.

2. Os credores apresentarão propostas de desconto.

3. As propostas serão classificadas pelo maior deságio oferecido.

4. O desconto obtido pela União será repassado integralmente ao devedor.

5. O consumidor poderá quitar o saldo à vista ou parcelá-lo.

6. No caso de parcelamento, as condições ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).


Quem poderá participar?

A MP estabelece como critérios principais:

Dívidas de até R$ 10 mil, pelo valor original;

Inadimplência superior a 720 dias;

Inadimplência inferior a 1.645 dias;

Dívidas bancárias e não bancárias.


O Ministério da Fazenda poderá estabelecer critérios adicionais de renda e de priorização dos devedores.


Os leilões poderão ocorrer em lotes e separar as dívidas de acordo com sua natureza, entre bancárias e não bancárias.


Quanto será o desconto?

O deságio mínimo exigido nos leilões será de 90%, com o desconto obtido na compra sendo integralmente transferido ao devedor.


Assim, se uma dívida elegível de R$ 10 mil for adquirida pela União com o desconto mínimo previsto, o valor considerado para a renegociação será de R$ 1 mil.


O consumidor poderá:

Pagar o saldo de uma vez, mantendo o desconto;

Ou parcelar o valor restante, acrescido de juros, conforme as regras que ainda serão estabelecidas pelo CMN.


Quanto será investido?

A estimativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis à compra.

A previsão considera apenas uma parcela do estoque de R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito em agosto de 2026.


O governo estima:

Até R$ 75 bilhões em dívidas efetivamente renegociadas;

Até 15 milhões de pessoas beneficiadas;

Custo máximo de R$ 15 bilhões para a aquisição das carteiras pela União.


Os recursos deverão ser previstos nos Projetos de Lei Orçamentária Anual (PLOAs) de 2027 e 2028.


Quando começa?

A implementação do programa seguirá cronograma previsto na MP:


Setembro de 2026: publicação da medida provisória;

Novembro de 2026: publicação do chamamento para apresentação das propostas;

Dezembro de 2026: credores entregam as propostas;

Janeiro de 2027: homologação das propostas selecionadas;

Fevereiro de 2027: assinatura dos contratos e início do repasse dos descontos aos devedores.


A partir de fevereiro de 2027 está previsto o início da quitação à vista ou do parcelamento dos valores pelos consumidores.


Tamanho da inadimplência

Dados do Tesouro Nacional citados pelo governo mostram a dimensão do problema.

Em agosto de 2026, havia R$ 592 bilhões em dívidas inadimplidas registradas nos birôs de crédito, considerando débitos com até cinco anos de atraso.


O levantamento aponta ainda:

83,9 milhões de pessoas negativadas;

Média de quatro dívidas por pessoa;

Valor médio de R$ 7 mil por pessoa;

Média de R$ 1,7 mil por dívida;

56% dos negativados eram mulheres;


Cerca de 55% do estoque correspondia a dívidas não bancárias.

Entre as dívidas não bancárias estão débitos com empresas de água, energia, telefonia e varejo.


O que mudou?

Nas duas primeiras fases do programa, a renegociação dependia da negociação entre consumidores e credores.


Na terceira etapa, a lógica muda: o governo passa a atuar diretamente na compra das carteiras de dívidas.


O desconto obtido nos leilões será transferido ao consumidor, que poderá escolher entre quitar o saldo de uma vez ou parcelar o valor restante.


Fases anteriores

Nas duas primeiras fases, o Desenrola alcançou cerca de 25 milhões de pessoas.

A primeira fase foi voltada a dívidas bancárias e não bancárias negativadas desde 2019:

Mais de 8 milhões de operações de renegociação;

R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas;

15 milhões de pessoas e famílias atendidas.


A segunda fase foi destinada a dívidas bancárias com inadimplência de 90 dias a dois anos:


Mais de 5,5 milhões de operações;

R$ 22 bilhões em dívidas renegociadas;

10 milhões de pessoas e famílias atendidas.



Com informações e imagem: Agência Brasil






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Toni Remigio
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