Dinheiro esquecido em bancos sobe para R$ 5,8 bilhões em agosto
Quase 24 milhões de pessoas físicas têm valores a resgatar
O
Banco Central (BC) informou nesta terça-feira, 13, que ainda há R$
5,79 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras instituições
financeiras. Os valores, contabilizados até agosto de 2026, podem
ser consultados por pessoas físicas, incluindo falecidos, e empresas
por meio do Sistema Valores a Receber (SVR).
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Do
total disponível, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de
pessoas físicas. Outros R$ 1,48 bilhão são destinados a 2,36
milhões de empresas.
O
montante representa uma alta de 2,6% em relação aos R$ 5,65 bilhões
registrados no mês anterior, indicando uma retomada do crescimento
dos recursos disponíveis para resgate após a redução provocada
pela transferência de parte do dinheiro para o programa de
renegociação de dívidas do governo federal.
Onde
está o dinheiro?
Os recursos estão distribuídos entre diferentes tipos de instituições financeiras. Os bancos concentram a maior parcela do montante disponível.
Confira
a distribuição:
Bancos: R$ 2,46 bilhões, o equivalente a 42,4% do total
Administradoras de consórcios: R$ 1,97 bilhão
Cooperativas de crédito: R$ 805,6 milhões
Instituições de pagamento: R$ 369,6 milhões
Financeiras: R$ 121 milhões
Corretoras e distribuidoras: R$ 68 milhões
Outras instituições: R$ 5 milhões.
A
maior parte dos beneficiários tem direito a quantias pequenas.
Segundo os dados divulgados:
69,4% dos valores a receber são de até R$ 10;
18,95% estão na faixa entre R$ 10,01 e R$ 100;
9,39% variam de R$ 100,01 a R$ 1 mil;
2,21% dos beneficiários têm valores superiores a R$ 1 mil para resgatar.
Como
consultar valores
A consulta deve ser feita exclusivamente pelo Sistema Valores a Receber, do Banco Central.
O procedimento permite verificar se há dinheiro disponível e identificar a instituição responsável pela devolução.
Para
consultar, é necessário informar o CPF e a data de nascimento, no
caso de pessoas físicas, ou os dados da empresa, conforme solicitado
pelo sistema.
Para
solicitar o resgate, o interessado deve seguir as orientações
apresentadas na plataforma. Quando a devolução por Pix estiver
disponível, o valor poderá ser transferido em até 12 dias úteis,
segundo as instruções do serviço.
Confira
as etapas:
Acesse o site oficial do Sistema Valores a Receber
Faça a consulta dos valores disponíveis;
Entre no sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, quando solicitado para o resgate;
Leia e aceite o termo de responsabilidade;
Confira o valor e a instituição responsável pelo pagamento;
Selecione a opção de resgate disponível e siga as instruções.
Quem
não possui chave Pix deverá entrar em contato com a instituição
financeira indicada pelo sistema para combinar outra forma de
recebimento.
No
caso de valores pertencentes a pessoas falecidas, a consulta e a
solicitação devem ser feitas por herdeiros, testamentários,
inventariantes ou representantes legais, conforme as exigências do
sistema e da instituição financeira.
De
onde vêm os valores?
O chamado dinheiro esquecido corresponde a recursos que pertencem a clientes, mas permaneceram em instituições financeiras sem resgate. Entre as principais situações estão:
Contas correntes ou poupanças encerradas com saldo disponível
Tarifas ou parcelas de operações de crédito cobradas indevidamente
Recursos de grupos de consórcio encerrados
Valores de contas de pagamento pré-pagas ou pós-pagas encerradas
Cotas de capital e sobras líquidas de cooperativas de crédito
Saldos remanescentes em contas encerradas de corretoras e distribuidoras.
O
sistema reúne informações fornecidas pelas instituições
participantes e permite que os titulares verifiquem a existência de
recursos a receber.
Atenção
aos golpes
O Banco Central alerta que o serviço é gratuito e que não é necessário pagar intermediários para consultar ou recuperar os valores.
Para
evitar fraudes, é importante observar algumas recomendações:
Utilize somente o endereço oficial do Banco Central;
Não clique em links suspeitos enviados por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens;
Não compartilhe senhas ou códigos de acesso;
Desconfie de cobranças antecipadas para liberar o dinheiro;
O
Banco Central não envia links nem entra em contato para solicitar
dados pessoais ou confirmar informações sobre valores a receber.
A
consulta pelo sistema oficial é a forma indicada para verificar a
existência de recursos e conhecer os procedimentos para solicitar a
devolução.
Recursos
para o Desenrola
Em maio, o governo anunciou o uso de recursos esquecidos em instituições financeiras para viabilizar o Desenrola 2.0, programa voltado à renegociação de dívidas.
No
fim daquele mês, cerca de R$ 5,7 bilhões foram transferidos para o
Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo que oferece
garantias às instituições financeiras em operações de crédito.
Na prática, o fundo pode cobrir parte das perdas dos bancos em caso de inadimplência dos tomadores de empréstimos.
Segundo
o governo, 10% do saldo transferido ficariam segregados para atender
a eventuais pedidos de resgate dos titulares dos recursos.
A
operação passou a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União
(TCU), que apura o uso de recursos em programas federais fora do
Orçamento da União.
A
preocupação envolve o fato de que valores movimentados fora do
orçamento não ficam submetidos aos mesmos limites fiscais
aplicáveis às despesas públicas. A inclusão formal desses gastos
poderia exigir o bloqueio de outras despesas discricionárias do
governo.
Com informações
e imagem: AB
