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Em OESTADONET: Cartas escritas há mais de 50 anos viram livro e resgatam memória de pai e filho em Santarém

Correspondência foi produzida entre 1969 e 1974, por Boanerges Sena, período em que o filho Cristovam Sena deixou Santarém e se mudou para Belém para estudar e trabalhar

De santarém 

 

Cartas escritas por um pai ao filho em uma época em que uma ligação telefônica podia exigir horas de espera e uma mensagem dependia dos serviços postais, de um portador ou até do rádio agora ganham as páginas de um livro.

A obra “Cartas de meu pai”, que reúne correspondências de Boanerges Sena para o filho Cristovam Sena, editado pela Editora Letra Selvagem, será lançada em 2 de outubro de 2026, às 19h30, na Casa da Amizade, em Santarém, no oeste do Pará.

 

O lançamento é promovido pelo Instituto Cultural Boanerges Sena (ICBS) e pela Casa da Amizade de Santarém, em uma homenagem à trajetória de Boanerges Sena, personagem central das cartas e figura cuja memória permanece ligada à cultura e à história familiar e social de Santarém.

 

A correspondência foi produzida entre 1969 e 1974, período em que Cristovam deixou Santarém e se mudou para Belém para estudar e trabalhar.

Sem os recursos de comunicação disponíveis atualmente, pai e filho mantinham a proximidade por meio das cartas, que atravessavam as dificuldades de transporte e comunicação da Amazônia.

 

Os textos revelam muito mais do que notícias do cotidiano. Nas mensagens, Boanerges acompanha a vida do filho à distância, manifesta preocupação com sua saúde, incentiva seus estudos, aconselha sobre planejamento de vida e procura preservar os laços familiares.

A contratação de Cristovam pelo Paysandu e seu ingresso na universidade aparecem como momentos de orgulho para o pai.

 

A obra também retrata um período em que a comunicação entre cidades amazônicas dependia de alternativas que hoje parecem distantes.

Ligações telefônicas eram difíceis, o serviço postal enfrentava limitações e o CEP ainda começava a ser implantado no país.

Em muitas comunidades, programas de rádio com horários específicos eram utilizados para transmitir recados, enquanto cartas e encomendas podiam ser transportadas por pessoas que viajavam entre as localidades.

 

Nesse cenário, as correspondências de Boanerges Sena acabam registrando também aspectos da vida amazônica e de uma rede informal de solidariedade criada para vencer as dificuldades de comunicação e transporte.

Cartas entregues por terceiros carregavam notícias, objetos, cheiros e sabores de casa, mantendo vínculos entre famílias separadas pela distância.

 

Boanerges Sena morreu em 1974. Alfaiate, religioso e apaixonado por livros, futebol e pela vida, deixou no filho Cristovam a continuidade de um legado que posteriormente ganhou uma dimensão cultural. Cristovam Sena fundou o Instituto Cultural Boanerges Sena, entidade voltada à preservação da memória e à promoção de atividades culturais.

 

Segundo o texto das orelhas do livro, assinado pelo jornalista e cronista santareno radicado em São Paulo Rosélio da Costa Silva, as cartas permitem acompanhar a relação entre pai e filho ao mesmo tempo em que preservam registros de uma época marcada pelas limitações de comunicação na Amazônia.

 

O lançamento de “Cartas de meu pai” será realizado na Casa da Amizade, localizada na Avenida Borges Leal, nº 1965, entre as travessas Moraes Sarmento e 7 de Setembro, em Santarém.

O evento terá como proposta homenagear Boanerges Sena e apresentar ao público uma coletânea de cartas que, décadas depois de escritas, transformaram uma relação familiar em registro de memória e afeto.




Com informações: www.oestadonet.com.br

Crédito ilustração: Divulgação






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Toni Remigio
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