Em OESTADONET: Estiagem na Amazônia - queimadas avançam no oeste do Pará e levam Bombeiros a criar gabinete de crise em Santarém
Sala de Situação pretende concentrar informações sobre os focos de calor e facilitar a atuação conjunta dos órgãos municipais, estaduais e federais
O avanço das queimadas e
a dificuldade de controlar os incêndios florestais durante a
estiagem acenderam o alerta das autoridades no oeste do Pará.
Para
reforçar o combate ao fogo, o Corpo de Bombeiros Militar do Pará
instalou, nesta terça-feira, 13, em Santarém, uma Sala de Situação
Integrada, que funcionará no 4º Grupamento Bombeiro Militar (4º
GBM) e reunirá informações e recursos para atender às ocorrências
na região.
A reunião contou com representantes dos
municípios e discutiu a integração entre o Corpo de Bombeiros, as
Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil e as
secretarias municipais de Infraestrutura e Meio Ambiente.
A
proposta é agilizar a troca de informações, identificar áreas
prioritárias e facilitar o deslocamento de equipes, maquinários e
brigadistas para as frentes de combate.
Segundo
o Corpo de Bombeiros, a dificuldade de articulação entre os
municípios pode comprometer a resposta aos incêndios,
principalmente quando há necessidade de mobilizar equipamentos e
pessoas treinadas para atuar em campo.
A Sala de Situação
pretende concentrar informações sobre os focos de calor e facilitar
a atuação conjunta dos órgãos municipais, estaduais e federais.
O
coronel Celso Piquet, do Comando Regional de Bombeiros de Proteção
e Emergência Ambiental VI (CRB VI), explicou que o gabinete
funcionará em Santarém e terá atuação voltada ao atendimento das
ocorrências em diferentes municípios do oeste paraense.
De
acordo com ele, o comando já trabalha com equipes do Corpo de
Bombeiros, órgãos ambientais, Defesa Civil e Força Nacional para
ampliar a capacidade de resposta aos incêndios.
Durante
a reunião, foram citadas ocorrências em municípios como Belterra,
Uruará, Medicilândia, Brasil Novo, Alenquer e Monte Alegre.
O
monitoramento dos focos e a articulação com as equipes locais devem
ajudar a direcionar os recursos para as áreas que necessitam de
atendimento prioritário.
A
preocupação também é com as condições climáticas. O longo
período sem chuvas, a forte incidência solar, os ventos e a
vegetação seca favorecem a propagação das chamas.
Em
entrevista durante a mobilização, o secretário de Meio Ambiente de
Mojuí dos Campos, Maurício Santa Maria, avaliou que o cenário é
crítico e pode piorar se a estiagem continuar.
Ele
ressaltou que nem todo incêndio começa com intenção criminosa. Em
áreas rurais, o uso do fogo para limpeza de terrenos e outras
atividades pode sair do controle e atingir a vegetação.
Por
isso, as autoridades reforçam a necessidade de evitar queimadas sem
controle e de redobrar os cuidados durante o período de seca.
Em
Alenquer, a situação também preocupa. O secretário municipal de
Meio Ambiente, Glauber Sampaio, relatou que o município vem
registrando ocorrências de incêndios florestais nos últimos meses,
especialmente na zona rural.
Segundo ele, parte dos casos
estaria relacionada ao fogo utilizado na limpeza de áreas ou na
queima de lixo, que acaba se espalhando para propriedades vizinhas.
As
chamas podem destruir pastagens, cercas e currais, além de provocar
prejuízos financeiros e danos ambientais.
Com a
vegetação seca e a ação dos ventos, o controle dos incêndios se
torna ainda mais difícil, mesmo com a atuação de bombeiros,
brigadistas e moradores das comunidades.
A
Secretaria de Meio Ambiente de Alenquer orienta que pessoas que
sofreram prejuízos procurem o órgão ambiental para registrar
denúncias e também a delegacia de Polícia Civil para fazer um
boletim de ocorrência.
A documentação pode ajudar a
esclarecer a origem do fogo e subsidiar eventuais procedimentos
administrativos ou policiais.
A
implantação da Sala de Situação Integrada busca fortalecer a
cooperação entre os municípios e ampliar a capacidade de
prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais.
A
medida ocorre em meio à preocupação com os efeitos da estiagem e
com a possibilidade de novos focos se espalharem pela região
amazônica.
Com
informações: www.oestadonet.com.br
Crédito
imagem: Valdir Ribeiro, via OESTADONET
