Em OESTADONET: Fogo em Alter do Chão expõe gravidade da crise ambiental e leva deputado Airton Faleiro a cobrar ação urgente de Lula
Deputado do PT solicita a intervenção direta do presidente junto aos órgãos federais, embora reconheça as providências adotadas, e faz alerta
O avanço dos incêndios florestais e o agravamento da estiagem na Amazônia levaram o deputado federal Airton Faleiro (PT-PA), vice-presidente da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados, a encaminhar uma solicitação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrando medidas emergenciais para enfrentar a crise ambiental e seus impactos sobre as populações amazônicas.
O pedido, formalizado em
carta datada de 31 de outubro de 2026, em Santarém, ganha ainda mais
relevância diante do incêndio de grandes proporções que atingiu a
Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão, na noite de
sexta-feira, 30, no oeste do Pará.
No
documento, Faleiro solicita a intervenção direta do presidente
junto aos órgãos federais responsáveis pela fiscalização, pelo
controle ambiental e pela assistência social às populações
atingidas.
O parlamentar reconhece as providências já
adotadas pelo governo federal, entre elas a edição da Medida
Provisória nº 1.398/2026, publicada em 21 de outubro, com previsão
de recursos para ações relacionadas à emergência climática.
Entretanto, alerta que a velocidade das respostas ainda não
acompanha a dimensão dos incêndios e dos prejuízos sociais e
ambientais registrados na região.
O
deputado informa que, no dia 20 de outubro, participou de uma reunião
na Casa Civil da Presidência da República, com representantes dos
ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, do
Desenvolvimento Agrário, da Integração e do Desenvolvimento
Regional, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, além do Incra e do
Ibama.
O encontro teve como objetivo discutir a situação
das queimadas e da estiagem, especialmente no território paraense.
Na
carta, Airton Faleiro defende que a atuação governamental seja
concentrada em três frentes consideradas essenciais: intensificação
do combate direto aos incêndios, investigação e responsabilização
dos envolvidos em queimadas criminosas e atendimento emergencial às
comunidades atingidas.
Para
enfrentar o fogo, o parlamentar pede o fortalecimento das brigadas
comunitárias, ampliação da atuação dos Corpos de Bombeiros e
reforço da frota de aeronaves utilizadas no combate aos incêndios
florestais.
Também cobra uma ação integrada dos
serviços de inteligência, das forças de segurança e dos órgãos
ambientais para identificar possíveis responsáveis por incêndios
criminosos e garantir a aplicação das sanções previstas em lei.
Na
área social, a solicitação inclui distribuição de cestas
básicas, água potável e medicamentos, além da perfuração de
poços artesianos em localidades que enfrentam as condições mais
críticas de abastecimento.
A
cobrança ocorre em um momento de grande mobilização em Alter do
Chão, onde o incêndio registrado na noite de sexta-feira provocou a
atuação conjunta de brigadistas voluntários, equipes do Corpo de
Bombeiros, órgãos ambientais e moradores da vila.
A
dimensão das chamas e as características da vegetação, que
acumula grande quantidade de material combustível após anos de seca
e queimadas, aumentaram o risco de propagação do fogo.
Entenda
O
prefeito de Santarém, José Maria Tapajós, esteve pessoalmente na
região durante a noite e informou que a Prefeitura mobilizou equipes
da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), além de acionar a
Polícia Civil e a Polícia Militar.
Segundo manifestação
do prefeito nas redes sociais, bombeiros e brigadistas de Alter do
Chão já estavam empenhados na operação de combate.
O
cenário também mobilizou reforços de outras regiões. De acordo
com João Victor Pereira Romano, integrante da rede de brigadistas,
dez profissionais da Brigada Pronto Emprego Tiro Quente, de Brasília,
que chegaram à região na sexta-feira, devem reforçar os trabalhos
a partir da manhã deste sábado, 31.
A operação também
prevê a utilização de três aeronaves Air Tractor para lançamento
de água sobre os focos de incêndio.
O
combate noturno representa um desafio adicional. Segundo Romano, a
vegetação acumula mais de sete anos de material combustível,
condição que favorece a intensidade e a propagação das chamas.
Enquanto as equipes trabalham para conter o incêndio,
moradores e voluntários organizam doações de água, alimentos e
materiais necessários à manutenção das brigadas na linha de
frente.
Diante
da recorrência dos incêndios, moradores e lideranças comunitárias
também cobram que as investigações avancem sobre possíveis
conflitos fundiários na região.
A
proteção da vegetação também está no centro das manifestações
de representantes do setor turístico. O empresário Saulo Jennings,
proprietário da Casa do Saulo, defendeu a criação de um parque
ambiental estadual ou federal no entorno de Alter do Chão, como
forma de ampliar a proteção territorial e evitar novas ocupações
irregulares.
Outro
fator de preocupação é a qualidade do ar. Dados da plataforma
PurpleAir, registrados às 6h27 deste sábado, 31, apontaram índices
elevados de concentração de partículas finas PM2.5 em diferentes
pontos da região.
Em Santarém, foram registrados
indicadores de qualidade do ar de 159 e 127. Em Belterra, o índice
chegou a 157, enquanto em Alter do Chão alcançou 133.
Esses
valores indicam condições prejudiciais à saúde, especialmente
para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Na
avaliação apresentada por Airton Faleiro ao presidente Lula, a
situação exige uma resposta permanente e coordenada entre União,
estados, municípios e organizações comunitárias.
O
parlamentar destaca que a emergência não envolve apenas a
preservação da floresta, mas também a proteção da vida, dos
territórios, da sociobiodiversidade e dos meios de sobrevivência
dos povos amazônicos.
Com
informações e imagem: www.oestadonet.com.br
