Em OESTADONET: PF entra nas investigações sobre incêndios criminosos na região de Santarém, anuncia ministro do Meio Ambiente
Ocorrência simultânea de milhares de focos de calor surpreendeu as autoridades e dificultou o trabalho das equipes de combate
De
Santarém
A
Polícia Federal (PF) já deslocou equipes para a região de
Santarém, no oeste do Pará, para investigar possíveis incêndios
criminosos e identificar os responsáveis pela onda de queimadas que
atinge o município e cidades do entorno.
O anúncio foi
feito pelo ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, durante
entrevista à Rádio GOV, na qual destacou a gravidade da situação
e garantiu que os envolvidos serão punidos severamente caso sejam
identificados e responsabilizados pelas investigações.
O
Portal OESTADONET acompanha desde o dia 05 de outubro os focos de
calor medidos pelos satélites da Nasa, logo após o primeiro turno
das eleições presidenciais e constatou que o fogo se intensificou
na madrugada após os resultados das eleições.
Na
região do Chapadão, nos limites de Santarém e Uruará centenas de
focos de calor foram registrados. De lá para cá, as queimadas só
aumentam, provocando onda de fumaça que se desloca para a área
urbana do município por causa da direção dos ventos.
“A Polícia Federal já deslocou o pessoal para lá e nós vamos investigar e vamos punir severamente aqueles que forem identificados”, afirmou o ministro ao comentar o avanço dos incêndios florestais no estado.
A situação em Santarém preocupa não apenas pelas dimensões das queimadas, mas também pelos impactos da fumaça sobre a saúde da população. Durante a entrevista, a jornalista Jéssica Santos, da Rede de Notícias da Amazônia, relatou que o município estava tomado pela fumaça, com cheiro intenso de queimado e moradores apresentando problemas respiratórios.
Ao responder à pergunta sobre o reforço da fiscalização e as punições para os responsáveis, Capobianco afirmou que o governo federal intensificou as operações e reorganizou as ações de enfrentamento. Segundo ele, a Casa Civil convocou uma sala de situação específica para tratar da crise no Pará, após reuniões anteriores voltadas ao Amazonas.
Segundo ele, a ocorrência simultânea de milhares de focos de calor surpreendeu as autoridades e dificultou o trabalho das equipes de combate, exigindo o reforço das operações federais em parceria com o Corpo de Bombeiros do Pará.
Capobianco
destacou que a resposta do governo federal foi ampliada diante da
dimensão do problema. De acordo com o ministro, agentes do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama) já extinguiram 114 grandes incêndios florestais no Pará.
Para reforçar as operações, foram deslocadas seis
aeronaves, além de dois helicópteros, embarcações e 25 veículos
terrestres de grande capacidade. Ao todo, 491 brigadistas do Ibama e
do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
atuam em conjunto com os bombeiros estaduais.
O ministro também informou que aproximadamente R$ 45 milhões foram transferidos ao Corpo de Bombeiros do Pará para fortalecer a preparação e a capacidade de resposta aos incêndios.
O
ministro ressaltou, ainda, que a multiplicação repentina dos focos
de calor representa um desafio operacional para as equipes em campo.
“De repente, milhares de focos de calor passaram a
ocorrer simultaneamente no estado. Isso gerou uma dificuldade de
operação, tanto para o Corpo de Bombeiros como para o governo
federal”, declarou.
Sobre as investigações, Capobianco afirmou que a apuração está em andamento e que as autoridades deverão identificar as circunstâncias dos incêndios e os eventuais responsáveis. Ele explicou que as penas variam conforme o enquadramento jurídico e a forma como o crime foi cometido, podendo ultrapassar dois, três ou até quatro anos de prisão.
Durante a entrevista, o ministro também relacionou o aumento da vulnerabilidade das florestas às mudanças climáticas, à estiagem e à perda de umidade da vegetação. Segundo ele, o uso descuidado do fogo em atividades cotidianas, somado à ação deliberada de pessoas que provocam incêndios, agrava o cenário.
Capobianco, no entanto, ressaltou que a responsabilização por crimes ambientais depende da conclusão das investigações e da comprovação dos fatos. A atuação da Polícia Federal na região de Santarém, segundo o ministro, integra o esforço para esclarecer as causas das queimadas e punir os responsáveis.
Com
informações: www.oestadonet.com.br
Crédito
imagem: Reprodução/OESTADONET
