Madeireiros ilegais lucram com projetos de créditos de carbono na Amazônia
Uma investigação da Reuters revelou que diversos projetos de conservação na Amazônia brasileira, criados para reduzir o desmatamento e gerar créditos de carbono, estão sendo explorados por pessoas e empresas que já foram penalizadas por violações ambientais.
Instituições em todo o mundo estão investindo milhões de dólares nestes projetos de recuperação florestal e créditos de carbono. A Reuters descobriu que muitos desses projetos estão beneficiando pessoas e empresas multadas pelas autoridades brasileiras.
De 36 projetos analisados, 24 contavam com participantes multados pelo Ibama por desmatamento ilegal, incluindo corte de madeira não autorizado e falsificação de dados sobre madeira.
As infrações variavam do desmatamento sem autorização à exploração de árvores derrubadas sem licenças válidas, passando pela inserção de informações falsas em um sistema governamental de rastreamento de madeira.
Em 20 dos projetos de conservação, a Reuters constatou que o Ibama havia multado os principais participantes por desmatamento antes mesmo de eles serem registrados em um registro de créditos de carbono. Em sete desses casos, as multas por desmatamento ilegal aplicadas pelos patrocinadores dos projetos continuaram após o registro.
As empresas que investiram no projeto foram identificadas pela Reuters como multinacionais, como a Boeing, a telefônica espanhola Telefonica e a produtora de óleo colombiana Ecopetrol. As multinacionais, segundo a Reuters, geralmente contam com empresas credenciadas para controle de qualidade.
O governo brasileiro planeja reforçar a fiscalização desse mercado, alinhando-se às preparações para sediar uma cúpula global sobre clima, a COP30, e implementar uma legislação que crie um sistema regulado de comércio de emissões com foco em integridade.
Créditos da imagem: Agência Brasil.
