Mudanças climáticas já causam aumento de doenças infecciosas no país
Dengue e febre do oropouche são exemplos
Desde a década de 1980, o Brasil registra surtos comprovados de dengue, mas só em 2007 o Rio Grande do Sul teve um caso que não tenha sido importado de outra parte do país.
A explicação é
simples: como o mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença, vive
melhor em regiões quentes e úmidas, o clima funcionava como uma
barreira de proteção.
Essa
defesa natural ficou no passado. Em 2024, ano em que o Brasil
registrou um número recorde de casos da doença, o Rio Grande do Sul
teve quase 210 mil infecções confirmadas e 281 mortes.
Na
Bahia, estado acostumado a temperaturas mais elevadas e com 3 milhões
de habitantes a mais, os casos confirmados foram cerca de 163 mil,
com 188 óbitos. Um
estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que isso não
ocorre apenas no Rio Grande do Sul.
De 2006 a 2024, o
número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de
dengue mais do que dobrou, de 110 para 292, extensão que representa
metade do país (54%). As
outras microrregiões (46%) apresentaram incidência de média a
baixa, com risco esporádico ou incerto. A principal explicação
para essa mudança está no clima.
A pesquisa identificou
que a maior frequência de anomalias térmicas é o indicador
climático que explica melhor o aumento das taxas de incidência de
dengue no longo prazo. O conceito se refere ao registro
de temperaturas muito diferentes das habituais em um local por
determinado período de tempo.
"O
que se observa é que o processo de expansão da área de transmissão
da dengue parece ser irreversível. Uma vez introduzidos, o vírus e
o vetor, é improvável que se retorne a um cenário de transmissão
zero", alertam os autores.
De
acordo com o infectologista Celso Granato, membro da Sociedade
Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, o
espalhamento da dengue é uma das maiores provas de como as mudanças
climáticas podem incidir sobre as doenças infecciosas.
A
doença tropical tem chegado não somente a regiões mais frias do
Brasil, como a países do Hemisfério Norte. Neste momento, a região
continental dos Estados Unidos vive o maior surto de dengue da sua
história. Casos autóctones também foram registrados neste ano na
França e na Itália.
Granato
explica que todas as etapas da vida do mosquito transmissor da dengue
são afetadas pelo clima.
"Eles
colocam ovos com uma casca muito resistente, que podem permanecer por
anos na natureza e se romper quando tem umidade e temperatura alta. E
esses mosquitos já podem nascer infectados, porque há a transmissão
da fêmea para os ovos".
Leia
a matéria completa aqui:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-10/mudancas-climaticas-ja-causam-aumento-de-doencas-infecciosas-no-pais
Com
informações: Agência
Brasil
Crédito
imagem: Reprodução witsawat/Adobe Stock, Via AB
