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Multicampeão: A paixão de Marcos Braz pelo Pará

O testemunho de um rubro-negro paraense sobre a fulgurante passagem do dirigente esportivo sem mandato mais vitorioso do Brasil no século XXI

Hexa 2009
Em meio ao caos rotineiro instalado na Gávea naquelas décadas de má gestão, desorganização, altos e baixos que causaram derrotas desonrosas em face da grandeza do clube, ameaças reais de rebaixamento, amadorismo deletério na gestão de um potencial gigante, Marcos Braz, o ex-executivo do Clube do Remo, ocupara pela primeira vez um cargo no futebol profissional rubro-negro: diretor de futebol.


Batismo
No ano do hexacampeonato brasileiro, aquele da volta de Adriano Imperador, do canto do cisne de Petkovic e de um goleiro chamado Bruno, surgia um jovem cartola nomeado pelo presidente em exercício Delair Dumbrosck, o qual, se ainda era desconhecido do grande público, chegava na mítica sede do clube como algo “novo” no meio daquela selva na casa dos 60 anos que orbitava, direta ou indiretamente no dia-a-dia e na política rubro-negra desde, pelo menos, a geração campeã do mundo, surgida nos anos 1970.


Registro
Mais uma nota sobre 2009: Marcos Braz completaria 37 anos naquele ano, a mesma idade de Petkovic, o jogador mais “velho” daquele elenco. Meses separam o nascimento de ambos e isso precisa ser dito porque o ineditismo, ora a seu favor, ora contra na altura de sua confirmação no cargo, também marcara aquela sua primeira passagem pelo comando do futebol profissional rubro-negro.


Década seguinte
Fosse pela vitória surpreendente em campanha de recuperação sob o comando do ex-craque Andrade, ou em razão do prestígio que adquirira pelo feito, 2009 era ano político na Gávea e a oposição liderada pela ex-atleta olímpica da natação, Patrícia Amorim, venceria a eleição, fazendo com que Marcos Braz seguisse seu rumo.


Secretário
Habilidoso, articulado e bem relacionado, ele se tornaria secretário municipal de Esporte e Lazer do prefeito das Olimpíadas, Eduardo Paes, o que, no seu caso, se mostraria que viraria empresário no setor privado, ex-dirigente esportivo e, logo ali, político com mandato, pois elegeria-se vereador mais adiante.


2019-2025
Com os feitos do Flamengo entre 2019 e 2024, nos mega vitoriosos dois triênios das gestões de Rodolfo Landim, Marcos Braz se consolidaria como o maior vencedor em clubes, na condição de responsável pelo futebol profissional brasileiro, no primeiro quarto deste século encerrado exatamente com o acesso do Remo à série A no Brasileirão em novembro último.


Comparativo
Do contrário, trace um paralelo entre os times que encantaram o Brasil de lá pra cá; o Santos de 2002 com Robinho e Diego; o Cruzeiro de Alex e Luxemburgo de 2003/2004; o São Paulo de Autuori (2005) e o de Muricy Ramalho tricampeão brasileiro (2006, 07, 08) e por aí vai…


Nesses casos, como no do Internacional de Fernandão e Abelão (2006), que também conquistou o mundo, o tiro era curto. Ou seja, times de apenas um ano glorioso e a rotatividade no departamento de futebol como regra.


Na década seguinte, aquela que começou com os meninos da Vila, desta feita representados por Neymar e Ganso, o Fluminense “do Celso Barros e da Unimed Rio”, acrescente-se na lista o hegemônico Corinthians de Tite entre 2011 a 2015, o Palmeiras, que de rebaixado até a gestão Paulo Nobre se tornara outra referência administrativa da área, e ninguém em função análoga ganhou tanto como Braz. Fato.


Grande Benemérito
Os feitos do dirigente o alçaram, qual o candidato apoiado por Rodolfo Landim em 2024 na sua sucessão, Rodrigo Dunshee, a condição de mais jovem grande benemérito do Mais Querido, um seleto grupo formado por menos de 30 integrantes entre os milhares de sócios do clube, honra costumeira de personalidades cariocas que estão, invariavelmente, na casa dos 90 anos.


Hiato e chegada
Encerrada sua segunda e consagradora passagem pelo clube do coração, Marcos Braz se auto impôs uma quarentena para, em seguida, voltar à luta.


Com o prestígio adquirido pelas conquistas desportivas e amizades em Belém, onde também havia declarado ter tido negócios, em maio de 2025 fora anunciado como o novo responsável pelo futebol azulino. O restante da história, todo mundo já sabe.


O “novo” Remo saiu de um ostracismo de décadas para conseguir, afinal, um acesso digno de aplausos, com vitórias épicas e imagens de uma torcida em êxtase diante de uma situação jamais vista por pelo menos três gerações de torcedores.


Sintonia
Na esteira, a performance do time e o networking, amizades e carisma do dirigente colocaram o Remo nas discussões de mesas redondas das TVs a cabo, em variados podcasts, nos programas esportivos da TV aberta e o clube, para delírio da sua apaixonada e sofrida torcida, estava de volta e, talvez, no auge.


Diretoria
É natural que a diretoria e seus colaboradores, os famosos abnegados, tenham um mérito inequívoco e o protagonismo por trás de tudo que ocorreu de positivo, no caso, os objetivos e metas atingidas.


No cenário mais distante da realidade do dia-a-dia do futebol, no mínimo, Marcos Braz é um cara de sorte e pé quente. Mas a história é algo ligeiramente mais complexa.


Afinal, é nesse dia-a-dia que se ganham os títulos capazes de parar em euforia metade de uma cidade de dois milhões de habitantes e eternizar na memória desses torcedores, nomes de técnicos, dirigentes e, sobretudo, jogadores.


Foi com este fim que, inteligentemente, os remistas foram lhe buscar. E foi a essa missão que ele se entregou.


Desgaste
Na última semana foi divulgado nos noticiários e crônica esportiva que o executivo de futebol entregara seu cargo. Pelo burburinho criado ou vazado por parte dessa mesma turma que cobre o futebol local, desde pelo menos o final de 2025 já se entreouvia que havia um desgaste interno.


Paysandu
Além de rubro-negro fanático, este que vos fala é torcedor do arquirrival bicolor. Dito isso, convém deixar claro que, se me omito por razões pessoais em expor minhas opiniões prenhes de paixão sobre os rumos que levaram o ‘Épico Bicolor” a situação de 2025, muito menos me interesso pelas entranhas do seu antípoda.


Não milito na área esportiva, sou signatário do adágio de que “filho bonito tem muitos pais” e já disse que a diretoria azulina tem méritos fundamentais em todo esse processo.


Legado
E por falar em “processo”, é notório que Marcos Braz deixou o Baenão apaixonado pelo Remo e o Pará. No meio do caminho, procurou ajudar detalhadamente na modernização e profissionalização da gestão do futebol azulino e este esforço parece estar registrado no coração da torcida e na rotina do clube.


Capítulos
A campanha do time na Série A 2026 deve ditar os efeitos da saída do dirigente por vontade própria, ainda que os motivos que o fizeram pedir para sair sejam legítimos como os de qualquer profissional, mesmo que desconhecidos pelos de fora como eu. De longe, se presume que ele deixara portas abertas.


Reencontro
Marcos Braz descobriu, já vivendo na cidade, que tinha um ex-vizinho de Alto Leblon nos anos 1990 belenense e de volta à terra natal. Seu nome, Maurício Azevedo Jr.


O corretor de imóveis, apesar de torcedor apaixonado do Paysandu, é daqueles minoritários brasileiros que não se liga muito no antigo e violento esporte bretão, e que sequer sabe de quem se tratam Mirassol, Red Bull Bragantino ou Cuiabá.


“Júlio César quem?”, reza a lenda que perguntara ao ser apresentado ao goleiro aposentado, eleito melhor do mundo pela Fifa em 2010, e que viera duas vezes à Belém à convite de Braz.


Esse desprendimento do mundo do dirigente ajudou a consolidar a relação entre ambos, após o reencontro em almoço de negócios com amigos em comum na Estação das Docas, resgatando a empatia forjada na juventude daquela época áurea da zona sul carioca. 


Sorte tive eu, dada a amizade de infância com o paraense, em ser apresentado ao ex-dirigente rubro-negro.


Encontro
A percepção que Marcos Braz passa a um estranho a quem é apresentado, como foi o meu caso, é a de um carioca da gema, atento, ágil, hábil e bom aluno das raposas das antigas da política do Rio e do Flamengo, sua escola.


Diplomata
Sabendo estar diante de um rubro-negro fanático desde sempre e jornalista por profissão, Braz se comportava como diplomata, jamais falando mal de ninguém, repetindo seu amor por Belém - declaração confirmada pelo brilho dos olhos ao falar - , reiterando sua gratidão ao Pará, aos remistas e renovando seu carinho pelo calor humano com o qual foi tratado por um povo apaixonado pelo futebol. “Até pelos bicolores como vocês”, repetia ele.


Re x Pa

Virada a página dessa passagem pelo Remo, os próximos meses irão mostrar a que vieram o time e o rival na temporada recém-iniciada.


Com desafios pela frente diametralmente opostos em destaque e faturamento, ainda que a finalidade de ambos seja a mesma, sobreviver e triunfar em 2026, o futuro vai descortinar se o amor entre Braz e Remo foi pra valer ou se “era pouco e se acabou”. 


Além disso, em ano eleitoral no clube, ao cabo e ao fim da temporada, caso ela seja aquém das expectativas, é natural que a saída dele possa entrar na pauta da eleição, provocando ainda mais barulho que o disse-me-disse que tem vazado agora ao grande público. 


Inocência zero
Todo mundo está cansado de saber que, no Brasil, futebol é resultado. Da mesma forma, que o torcedor apaixonado é, na média, um imediatista.


Efeito Pikachu
Nesse cenário, o que o mais fanático torcedor bicolor quer, ferido e sofrido como está, é uma reviravolta completa e, quem sabe mais adiante, a travessia do cartola para as bandas da Curuzú.


Bastidor
O que o bicolor em sua grande maioria não sabe, é que o vitorioso, folclórico para muitos e polêmico dirigente para outros, quase foi pro Papão antes de vir ajudar a consagrar o arquirrival.


Mas isso é outra história…


Gratidão
Como rubro-negro fanático, agradeço o privilégio de ter podido desfrutar da companhia de quem foi co-responsável por me dar algumas das maiores alegrias de uma vida de mais de quatro décadas de amor total pelo meu time do coração.


Nesse particular, estou igual a Remoçada, torcida que deixou um lindo quadro de agradecimento ao dirigente. Minha gratidão a todos que elevam o futebol rubro-negro (e bicolor) é para sempre.


Nesse sentido, agora não preciso torcer mais por ele…


Marcos Braz, o eterno tri-campeão brasileiro, bi da Libertadores, tri da Copa do Brasil, de sei lá quantos cariocas, recopas, supercopas, etc, etc…


Valeu! Vc é Pik@! 


SRN!!


 Foto: Paula Reis / Flamengo, Reprodução X - @ClubeDoRemo e reprodução Instagram Mauricio Azevedo - foto Toni Remigio




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Toni Remigio
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