Na BBC: Ao menos 111 mortos após o “maior terremoto da década” atingir a Colômbia
Epicentro foi em San José del Palmar, município montanhoso na Cordilheira Ocidental; No Brasil, moradores de Manaus relataram que também sentiram tremores
Ao
menos 111 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas após um
forte terremoto atingir a Colômbia nesta segunda-feira, 10,
classificado como o abalo "mais forte da última década",
pelo Serviço Geológico do país.
O
tremor, que teve magnitude 7,4 segundo o Serviço Geológico dos EUA
(USGS, na sigla em inglês), foi sentido em praticamente todo o país
e em partes do Panamá e do Equador, incluindo Pichincha, cuja
capital é Quito.
No
Brasil, moradores de Manaus, no Amazonas, relataram nas redes que
também sentiram os tremores. O abalo foi registrado pela manhã, por
volta das 7h34 no horário local (9h34 no horário de Brasília) e
dois tremores secundários, de magnitude 2,8 e 4,8, ocorreram após o
evento principal.
Segundo
o Serviço Geológico Colombiano, a profundidade do tremor foi de 103
km, considerada intermediária. O terremoto que destruiu partes da
Venezuela e deixou milhares de mortos em junho aconteceu a apenas 10
km de profundidade.
O
presidente Abelardo de la Espriella, que tomou posse na sexta-feira,
declarou estado de calamidade pública no país, o que concede a ele
poderes especiais para realocar orçamentos e coordenar rapidamente
as agências para lidar com a crise.
"Estou
indo para Bogotá para me concentrar na atenção à emergência que
nosso país enfrenta", escreveu em suas redes sociais.
"Convoquei
um Posto de Comando Unificado na UNGRD (Unidade Nacional de Gestão
de Riscos de Desastres), de onde vou liderar pessoalmente os esforços
para auxiliar as comunidades de Chocó, a Região Cafeeira e todas as
áreas afetadas", acrescentou.
O
epicentro foi em um município montanhoso localizado na Cordilheira
Ocidental: San José del Palmar. A cidade possui uma população de
aproximadamente 5.907 habitantes, segundo o Departamento
Administrativo Nacional de Estatísticas.
Os municípios
mais próximos do epicentro são Pereira, Armenia e Manizales,
capitais da chamada Região Cafeeira. Manizales e Pereira registraram
os danos mais significativos até o momento.
Segundo
informações divulgadas nas redes sociais, diversos edifícios nas
regiões de Bogotá, Eje Cafetero, Tolima, Huila, Valle del Cauca,
Manizales, Medellín, entre outros, foram evacuados como medida de
precaução
Vídeos
divulgados pela imprensa colombiana mostram prédios residenciais
parcialmente destruídos em Pereira, a apenas 50 quilômetros do
epicentro. No município, ao menos 18 pessoas morreram, segundo
afirmou o prefeito, Mauricio Salazar.
Em Cali, uma das áreas mais afetadas pelo terremoto, ao menos 32 prédios desmoronaram, segundo o prefeito, Alejandro Éder.
A
cidade, que há apenas três dias recebeu líderes mundiais para a
posse presidencial de Abelardo de la Espriella, agora registra pelo
menos 380 feridos e um sistema hospitalar em colapso.
"Quatro
grandes instituições de saúde, com alta capacidade, tiveram que
evacuar todos os seus pacientes", afirmou a Secretaria de Saúde
de Cali.
"É
provável que nenhuma delas consiga reabrir nas próximas horas."
Outras unidades de saúde estão sendo avaliadas para determinar se podem continuar funcionando.
Jorge
Eduardo Rojas, prefeito de Menizales, informou que pelo menos duas
pessoas morreram no terremoto na cidade, localizada a cerca de 100
quilômetros do epicentro.
Uma das torres da catedral da cidade, construída entre 1928 e 1939 e considerada um dos ícones arquitetônicos da região, desabou.
Ele
acrescentou que "mais de 12 prédios" e "mais de 20
casas" foram total ou parcialmente destruídos, e relatou
vazamentos de gás e eletricidade. Segundo Rojas, a cidade mobilizou
todos os seus recursos de resposta, mas "estamos
sobrecarregados".
Ele
descreveu a situação como "muito trágica e muito difícil"
para a cidade. "Acabamos de passar por um grave evento sísmico
no departamento de Chocó", disse a governadora Nubia Carolina
Córdoba-Curi em sua conta no X.
"Estamos
preocupados com os tremores secundários. Embora o epicentro tenha
sido em San José del Palmar, na capital, Quibdó, há feridos e
graves danos nas edificações. Já estamos realizando a avaliação
dos danos para emitir o primeiro relatório oficial."
De
acordo com a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres,
não há ameaça de tsunami no Pacífico após este terremoto.
A
Autoridade de Aeronáutica Civil confirmou à imprensa local que mais
de dez aeroportos foram afetados pelo terremoto e que as operações
foram suspensas em sete deles.
"Os
aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e
Buenaventura foram afetados. Por razões de segurança, as operações
aéreas nesses terminais permanecem suspensas até que os danos
estruturais à infraestrutura possam ser avaliados", informou a
agência colombiana em seu primeiro comunicado oficial.
Em
um segundo comunicado, confirmou que os terminais aéreos do
aeroporto de Cali também foram afetados e suas operações
suspensas.
As
autoridades recomendam que aqueles com voos programados mantenham
contato direto com suas companhias aéreas e não se desloquem aos
aeroportos sem antes consultar os canais oficiais da Autoridade de
Aeronáutica Civil.
Ajuda
internacional
Os
Estados Unidos foram um dos primeiros países a se pronunciarem em
solidariedade à Colômbia.
Em uma mensagem em sua conta
no Twitter, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que
"o governo Trump está acompanhando de perto o grande terremoto
que atingiu a Colômbia".
Rubio
acrescentou que o país "está preparado para apoiar o povo
colombiano e o governo do presidente Abelardo de la Espriella".
Também
pelas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
manifestou "solidariedade".
"O
Brasil permanece à disposição da Colômbia para prestar o apoio
necessário", escreveu.
Da
mesma forma, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum também
expressou sua solidariedade ao povo da Colômbia e ofereceu "todo
o apoio que o povo da Colômbia precisar".
"Estamos
acompanhando de perto a situação, tanto por meio de nossa embaixada
naquele país quanto por meio de nosso embaixador aqui."
A
Venezuela também ofereceu ajuda humanitária e o Equador colocou à
disposição resgatistas.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, também ofereceu pessoal e equipamentos para os esforços de resgate após o terremoto.
"A
Colômbia tem equipes de emergência e resgate nas áreas afetadas e
confiamos em sua capacidade de responder a essa emergência",
afirmou em um comunicado à imprensa compartilhado por sua assessoria
de imprensa nas redes sociais.
Ele
acrescentou que "de El Salvador, estamos em contato e prontos
para fornecer apoio imediato com nossas equipes de resgate, médicos,
paramédicos, suprimentos ou qualquer outra assistência que nossos
irmãos e irmãs colombianos considerem necessária".
Após os terremotos de junho, El Salvador enviou uma missão à Venezuela composta por 300 socorristas e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos e suprimentos.
Na
Europa, o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro
espanhol, Pedro Sánchez, a primeira-ministra italiana, Giorgia
Meloni e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen,
também se solidarizaram com a Colômbia e ofereceram apoio.
Conexão
'muito indireta' com os terremotos na Venezuela
A localização da Colômbia na interseção de várias placas tectônicas a torna propensa a forte atividade sísmica e, portanto, a terremotos de alta intensidade.
Os
terremotos são geralmente mais fortes ao longo das zonas de
subducção (região do planeta onde duas placas tectônicas se
chocam e uma placa mais densa mergulha por baixo da outra, afundando
em direção ao manto terrestre), localizadas perto da costa.
Desde
1950, mais de 3.500 pessoas morreram como resultado direto de
terremotos na Colômbia. O mais mortal ocorreu em 1999, quando um
terremoto de magnitude 6,2 atingiu a Região Cafeeira, deixando 1.185
mortos.
Mais
recentemente, no ano passado, um terremoto de magnitude 6,3 atingiu
Cundinamarca. Não houve vítimas fatais.
O
presidente da Sociedade Venezuelana de Geólogos, Feliciano de
Santis, disse à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que a
ligação entre o terremoto que atingiu a Colômbia nesta
segunda-feira e os ocorridos na Venezuela em 24 de junho "é
muito indireta".
"Na
Venezuela e na Colômbia, compartilhamos a Placa Sul-Americana e a
Placa Caribenha. Mas o que aconteceu na Colômbia foi que a Placa de
Nazca ficou abaixo da Placa Sul-Americana", explicou.
"A
ligação entre os dois terremotos é muito indireta", disse.
"Não se pode afirmar que toda vez que houver um terremoto na
Venezuela, haverá outro lá em seguida. Mas é todo um sistema de
placas interconectadas.
Ele
explica que "é como a casca de uma tangerina que se rompe em
vários lugares, e todas as partes estão interligadas. Talvez haja
mais conexão do que pensamos, mas não podemos afirmar com certeza."
O
terremoto ocorrido na Venezuela deixou ao menos 6 mil mortos e 50 mil
desaparecidos.
Com informações:
www.bbc.com/portuguese
Crédito imagem: Ernesto Guzman Jr./EPA/Shutterstock
