Na BBC: Augusto Cury atrai eleitor cansado de polarização e faz o papel que tiveram Marina, Ciro e Tebet, diz analista
A BBC News Brasil entrou em contato com a campanha de Cury, que não respondeu até a publicação da reportagem
Pedro Martins, da BBC News Brasil em Londres
O
escritor e psiquiatra Augusto Cury teve uma semana cheia: participou
do primeiro debate presidencial, na Band; foi sabatinado pelos
jornais O Globo e Valor Econômico e pela rádio CBN; e, depois, pelo
Jornal Nacional, da TV Globo.
As
entrevistas, embora tenham rendido críticas dos jornalistas pelo
caráter vago de algumas afirmações e pela indisposição do
candidato em responder a perguntas que, segundo ele, o colocariam no
centro da polarização, parecem ter surtido efeito: Cury deu um
salto nas pesquisas BTG/Nexus e AtlasIntel/Bloomberg divulgadas na
manhã desta segunda-feira, 31.
Na
pesquisa BTG/Nexus — realizada entre os dias 28 e 30 de agosto, ou
seja, de sexta-feira a domingo —, o escritor aparece em terceiro
lugar, com 8% das intenções de voto, atrás apenas do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
com 37%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 30%.
Ele
está bem à frente de Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD),
que têm 2% cada, e de Romeu Zema, com 1%. Foi um crescimento de oito
pontos percentuais, já que, na pesquisa anterior, divulgada na
segunda-feira passada (24/8), Cury não havia pontuado.
Isso
no voto espontâneo, quando os eleitores são questionados sobre em
quem votariam caso as eleições fossem hoje. Já no voto estimulado,
quando os entrevistadores apresentam os nomes dos candidatos antes da
resposta, Cury chegou a 11%, nove pontos percentuais acima dos 2%
registrados na pesquisa anterior.
Mesmo considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, Cury ainda mantém o terceiro lugar dos candidatos com mais intenções de votos.
O
mesmo movimento foi observado na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg,
realizada entre os dias 25 e 30 — de terça-feira a domingo.
O
levantamento também mostra Cury em terceiro lugar, com 7,8% das
intenções de voto, atrás de Lula e Flávio e à frente de Renan
Santos, dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Considerando
a média dos levantamentos publicados até o dia 31 de agosto por
diversos institutos, Cury ocupa o terceiro lugar da disputa, com 10%
de intenção de voto no primeiro turno, segundo o Agregador de
Pesquisas da BBC News Brasil.
Na
visão do cientista político Pablo Ortellado, professor de Gestão
de Políticas Públicas na Universidade de São Paulo (USP), Cury
está desempenhando o mesmo papel que Ciro Gomes, Simone Tebet e
Marina Silva tiveram em pleitos passados, atraindo o eleitor que
busca uma alternativa a Lula e Flávio Bolsonaro.
O
escritor também teve um crescimento significativo nas redes sociais,
de milhões de seguidores no Instagram, e nas buscas por seu nome no
Google, o que levou internautas a acusá-lo de usar robôs para
inflar sua popularidade.
A
BBC News Brasil entrou em contato com a campanha de Cury, que não
respondeu até a publicação desta reportagem.
Ortellado,
no entanto, discorda da acusação. Para ele, o desempenho de Cury
nas pesquisas de intenção de voto é um indicativo de que o aumento
de sua popularidade não se deve à ação de robôs, já que esse
tipo de levantamento não pode ser manipulado dessa forma.
O
especialista também afirma que, do ponto de vista técnico, é muito
difícil fraudar os dados de buscas do Google.
Chama
atenção, principalmente, seu desempenho entre os jovens de 16 a 24
anos, parte da geração Z. Cury tem 22% das intenções de voto
nessa faixa etária, enquanto Lula tem 25% e Flávio, 32%.
A
margem de erro para esse recorte é de seis pontos percentuais, o que
significa que os resultados podem se sobrepor.
Na
entrevista, Ortellado comenta as chances de Cury no primeiro turno,
explica como ele pode influenciar um eventual segundo turno e analisa
o que pode ter levado ao crescimento repentino do candidato e o que
pode derrubá-lo.
Confira
a entrevista em www.bbc.com/portuguese
Crédito
imagem: Divulgação
