Na BBC: Filha de brasileiros era copilota do avião que caiu na Flórida e deixou 9 mortos; o que se sabe
Ela pilotava aviões desde antes de saber dirigir um carro, tendo obtido sua licença de piloto aos 17 anos
Nathalia
Gadelha Filgueiras, de 20 anos, era a copilota do jato particular que
caiu na Flórida no domingo, 01, deixando nove mortos, conforme
confirmado pela CBS News, parceira de mídia da BBC.
Segundo
reportagem do G1 e da CNN, Nathalia era filha de brasileiros. Ela
pilotava aviões desde antes de saber dirigir um carro, tendo obtido
sua licença de piloto aos 17 anos.
Nathalia
acumulava mais de 1,3 mil horas de voo quando o jato particular caiu
em uma área residencial na cidade de Greenacres, segundo relatos da
imprensa americana.
"Mayday,
mayday", disse ela, em uma gravação desesperada das
comunicações com o controle de tráfego aéreo. "Vamos colidir
contra o solo, 722 Bravo Delta."
"Mayday"
é um sinal internacional de pedido de socorro por rádio usado em
situações de risco iminente.
Minutos
antes, ela havia informado que estavam lidando com a formação de
gelo e que havia turbulência moderada. "Agora estamos entrando
em uma zona de precipitação", acrescentou, solicitando
permissão para subir.
Em
seguida, a aeronave começou a cair em alta velocidade. Na gravação,
é possível ouvir Nathalia dizer que o avião estava descendo, em
determinado momento, a "10 mil pés por minuto" (cerca de 3
mil metros por minuto).
Em
seguida, a copilota declarou uma emergência. "Estamos em uma
situação de excesso de velocidade e descendo a 20 mil pés por
minuto", grita ela.
O
Itamaraty ainda não foi procurado pela família até o momento e
afirmou à BBC News Brasil que "permanece à disposição para
prestar a assistência consular devida, caso solicitada".
Já
o NTSB (Conselho Nacional de Segurança nos Transportes, na sigla em
inglês), agência responsável por investigar acidentes de aviação
civil nos EUA, ainda não divulgou o nome de nenhuma vítima até o
momento.
Uma
entrevista coletiva foi concedida na tarde desta segunda, mas não
houve informações sobre a identidade das pessoas a bordo.
O
avião havia decolado de Austin, no Texas, e seguia para as Bahamas,
informou a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos
(FAA) em comunicado.
O
acidente aconteceu a cerca de 14 km de Mar-a-Lago, resort do
presidente Donald Trump no condado de Palm Beach, por volta das 14h50
em Brasília (12h50 no horário local).
Naquela
manhã de domingo, Trump estava em Mar-a-Lago. Ele deixou o local no
avião presidencial, o Air Force One, cerca de uma hora antes do
acidente, decolando de um aeroporto próximo.
Os
dois tripulantes e os sete passageiros que estavam a bordo morreram,
e um homem que estava nas proximidades sofreu um ferimento na perna
em decorrência do acidente.
Vinte
investigadores chegaram na noite de domingo para apurar o ocorrido,
informou Tom Chapman, membro do NTSB.
As
condições meteorológicas e a turbulência foram fatores
relevantes, e há indícios de que partes da aeronave começaram a se
desprender antes do impacto com o solo; no entanto, a causa do
acidente ainda não foi determinada.
O
local da queda — uma cratera em uma via — encontra-se, no
momento, preenchido por água da chuva, e a recuperação de
vestígios será um "desafio imenso".
O
médico legista do condado de Palm Beach, na Flórida, afirmou nesta
segunda-feira que está trabalhando na identificação das vítimas,
utilizando material de DNA coletado no local.
"Eles
estão, neste momento, envolvidos na coleta e na análise. Será
necessário realizar o confronto de amostras de DNA", afirmou
uma autoridade.
'Amava
a liberdade'
"Ela amava a liberdade", disse sua mãe, Camila Corteleti, ao New York Times nesta segunda-feira. "Era algo completamente diferente ver o mundo lá de cima."
A
BBC tentou entrar em contato com vários familiares para confirmar a
identidade de Filgueiras; uma das pessoas respondeu brevemente: "Não
estou pronta para falar".
Em
uma entrevista de 2023 a uma afiliada local da CBS News, Nathalia
falou com orgulho sobre ter obtido sua licença de piloto ainda no
ensino médio.
"Gosto
de ser diferente de todo mundo", disse ela. "Algumas
pessoas acham estranho que eu saiba pilotar aviões, mas não saiba
dirigir um carro — quer dizer, até sei, mas muita gente acha isso
engraçado."
À
CNN, Camila Gadelha Corteleti, mãe de Nathalia, disse que a filha
estava trabalhando no momento do acidente. Ainda segundo a CNN, a
família é brasileira, mas mora na Flórida, onde Nathalia nasceu.
"Ela
era uma menina muito boa, responsável, esforçada. Estava
trabalhando. Ela era copilota; não podia tomar nenhuma decisão",
afirmou a mãe.
Com
informações: www.bbc.com/portuguese
Crédito
imagem: Nathalia Filgueiras/Threads, via
BBC News Brasil
