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Na BBC: Por que é tão raro o impeachment de juízes das Supremas Cortes no mundo

Expectativa agora é que o plenário do STF analise a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes no “Caso Master”

Daniel Gallas, da BBC News Brasil em Londres



As revelações de um relatório da Polícia Federal sobre as trocas de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), despertaram questionamentos sobre qual será o futuro do magistrado na Corte.


A expectativa agora é que o plenário do STF analise a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes pelo caso.


O caso terá que ser pautado pelo presidente da Corte, Edson Fachin, que prometeu anunciar "medidas cabíveis e necessárias" nos próximos dias. Além disso, juristas e políticos debatem se há elementos para abertura de um processo de impeachment no Senado.


Antes mesmo das revelações da Polícia Federal — em relatório cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça, do STF — já havia dezenas de pedidos para cassar Moraes no Senado, sobretudo apresentados por parlamentares ligados ao bolsonarismo, após o ministro conduzir o processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado em julgamento em uma das turmas do STF.


Segundo um levantamento do Congresso em Foco, até o começo desta semana, já havia 66 pedidos de impeachment contra Moraes. No entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não autorizou a abertura de nenhum deles.


Como é o impeachment de ministros do STF no Brasil?
A Constituição não utiliza a expressão impeachment para ministros do STF, mas atribui ao Senado a competência para processá-los e julgá-los por crimes de responsabilidade, segundo uma nota da assessoria de imprensa do Senado publicada em 2024.


Os crimes são definidos na Lei nº 1.079/1950, conhecida como Lei do Impeachment. Um dos crimes listados é "proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções". Outros crimes incluem:


Alterar, por qualquer forma, exceto por via de recurso, a decisão ou voto já proferido em sessão do Tribunal;


Proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa;

Exercer atividade político-partidária;

Ser patentemente desidioso no cumprimento dos deveres do cargo.


As punições previstas são a perda do cargo e a inabilitação até cinco anos para o exercício de qualquer função pública.


A denúncia deve ser apresentada ao Senado. O presidente do Senado encaminha o pedido à Advocacia da Casa, que faz uma avaliação técnica da proposta antes de ela ser analisada pela Comissão Diretora.

Depois disso, a proposta pode ser levada para deliberação dos senadores, seguindo o mesmo rito do impeachment de presidente da República.


Em dezembro de 2025, o ministro Gilmar Mendes chegou a decidir em caráter liminar que apenas o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) estaria apto a denunciar ministros do STF ao Senado por crimes de responsabilidade, suspendendo um trecho da Lei do Impeachment que dava a todo cidadão a prerrogativa de denunciar os magistrados.

Além disso, sua decisão alterava o quórum necessário para abertura do pedido: de maioria simples para dois terços dos senadores.


Dias depois, Gilmar Mendes voltou atrás na sua decisão, permitindo que qualquer cidadão possa pedir o impeachment de um ministro do STF.


Segundo a nota do Senado, nunca foi aprovado um pedido de impeachment contra um ministro do STF no Brasil.




Saiba mais em www.bbc.com/portuguese
Crédito imagem: Reprodução Getty Images, via BBC News Brasil








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Toni Remigio
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