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Na BBC: Por que Kassio Nunes Marques virou alvo de críticas por suas decisões à frente do TSE

No momento, ele acumula a função membro do STF com a presidência do TSE, que é sempre ocupada por integrantes do Supremo, em um rodízio

Mariana Schreiber, da BBC News Brasil em Brasília


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, se tornou alvo de questionamentos sobre sua atuação na condução das eleições de 2026 após tomar decisões controversas que impactaram a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Na visão de críticos, ele estaria atuando para beneficiar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). Nunes Marques se tornou ministro do Superior Tribunal Federal (STF) em 2022, por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No momento, ele acumula a função com a presidência do TSE, que é sempre ocupada por integrantes do Supremo, em um rodízio.

A última polêmica envolveu duas decisões do ministro para suspender o canal de WhatsApp "Exército de Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).

Nunes Marques protagonizou uma guerra de decisões sobre o canal com o corregedor do TSE, Ricardo Villas-Boas Cueva, ministro que integra o Superior Tribunal de Justiça (STJ).


Na segunda decisão do presidente do TSE, o canal ficou fora do ar por cerca de 24 horas na quarta-feira, 14, dia em que o campo lulista estava mobilizado em torno da votação para aprovar o fim da escala 6x1 no Senado.


Essa suspensão aconteceu mesmo após uma investigação preliminar conduzida pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE apontar que não foram encontradas publicações com supostas notícias falsas denunciadas pela campanha de Flávio Bolsonaro entre o conteúdo divulgado pelo canal de Janones.


Em sua decisão, o ministro argumentou que o canal não estava registrado como meio oficial de campanha de Lula, justificativa contestada por especialistas em direito eleitoral ouvidos pela BBC News Brasil.


Segundo os entrevistados, apoiadores dos candidatos podem criar meios digitais de divulgação das candidaturas, sem que isso exija o cadastro como veículo oficial de campanha.


O canal "Tropa do Flávio", em apoio ao candidato do PL, também não estava registrado no TSE, mas não sofreu punição da Justiça Eleitoral. Após a decisão de Nunes contra o "Exército do Lula", a campanha de Flávio Bolsonaro decidiu registrar o canal oficialmente.


Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o canal Tropa do Flávio divulgou uma foto falsa de uma mulher cheirando cocaína como se fosse uma manifestante em ato a favor de Lula em São Paulo — a imagem foi considerada fake news em decisão de outro ministro do TSE, Marco Aurélio Bellizze. No entanto, isso também não provocou punições ao canal.


A BBC News Brasil consultou especialistas em direito eleitoral para analisar as decisões de Kassio Nunes Marques — e explicar se há fundamento nas críticas ao ministro e na comparação feita entre a atuação dele e a de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo que estava à frente do TSE nas eleições presidenciais de 2022.


"Tenho muitas ressalvas para levar adiante teorias da conspiração ou perspectivas que, de alguma forma, busquem incutir o medo institucional na sociedade, mas, diante deste episódio, não é possível não se questionar se os argumentos utilizados não estão sendo instrumentalizados para derrubar o canal de apoiadores do candidato que é oposto ao movimento político responsável pela indicação do Kassio Nunes", afirma a advogada eleitoral Ingrid Dantas, pesquisadora do Centro de Estudos Constitucionais Comparados da Universidade de Brasília (UnB).


Devido às decisões do canal de Janones, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) protocolou no TSE um pedido de suspeição de Marques por parcialidade nesta quinta-feira (15/10).

"Para a ABJD, a sequência de decisões do Ministro apresenta indícios de medidas abusivas e incompatíveis com os parâmetros legais, com potencial de favorecer uma candidatura em detrimento de outra", disse a associação em nota.


A entidade aponta ainda "uma aparente disparidade de tratamento" em relação aos canais de apoio a Flávio e a Lula.


"A eventual ausência de fiscalização do TSE sobre esse canal deverá ser esclarecida e confrontada com os critérios aplicados ao canal de André Janones, a fim de verificar se houve tratamento isonômico entre as iniciativas".


Outras decisões de Nunes Marques são citadas pelo campo petista para questionar a imparcialidade do presidente do TSE.


Uma delas foi tomada em junho, quando Nunes Marques suspendeu uma pesquisa do instituto Atlas Intel que, ao final do questionário, reproduzia um áudio de Flávio Bolsonaro para o banqueiro Daniel Vorcaro.


No áudio, Flávio cobrava o repasse de dinheiro para supostamente financiar o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo do instituto era medir a opinião do eleitor sobre a relação entre Flávio e Vorcaro.


A conexão entre os dois para financiamento foi revelada em 13 de maio pelo portal The Intercept Brasil. O acordo, dizia a reportagem, previa o repasse de US$ 24 milhões (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões), dos quais cerca de metade foi pago.


A BBC News Brasil entrou em contato com o TSE perguntando a posição do ministro Nunes Marques sobre as críticas, mas ainda não obteve resposta.



Leia a matéria completa aqui: https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckz7x0j4lx1do



Com informações: www.bbc.com/portuguese

Crédito imagem: Reprodução SCO/TSE







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Toni Remigio
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