Na BBC: “Se Lula não agir rápido na economia, o mercado vai castigá-lo duramente”, diz presidente do Eurasia Group
Sobre a vitória do petista, Ian Bremmer, fundador da maior consultoria de risco político do mundo, ficou surpreso. "Mas não chocado", diz. "O Brasil não é para amadores."
João Caminoto, de Paris para a BBC News Brasil
Um mês antes do primeiro turno, Ian Bremmer conversou com a BBC News Brasil e previa um leve favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dado o peso da máquina do governo.
As
pesquisas viraram, Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao segundo turno à
frente em quase todos os levantamentos — e Lula, mesmo assim, virou
o jogo no domingo, 25, e venceu por 4 milhões de votos.
Ian
Bremmer, fundador e presidente do Eurasia Group, a maior consultoria
de risco político do mundo, ficou surpreso. "Mas não chocado",
diz. "O Brasil não é para amadores."
Na
segunda entrevista à BBC News Brasil, feita horas depois do
resultado do segundo turno, o cientista político faz uma avaliação
crua do que vem pela frente. Os mercados reagiram mal, e Bremmer acha
que a punição será severa se Lula não mudar o tom rapidamente.
O
Congresso eleito é de maioria de direita. E o Supremo Tribunal
Federal (STF), mergulhado na crise do escândalo do banqueiro Daniel
Vorcaro, é um problema que Lula terá de enfrentar de frente — "um
dano severo à democracia brasileira" se não o fizer.
Sobre
Flávio Bolsonaro, que inicialmente pediu a anulação da eleição
antes de recuar, Bremmer não poupa palavras: "É patético. É
o oposto de liderança".
E
sobre a expectativa de que a vitória de Lula seja um símbolo global
contra a direita, é cético. "Uma eleição não muda uma
tendência". Bremmer também é direto sobre a idade de Lula,
que completa 81 anos nesta terça-feira, 27.
"Eu
não acho que um homem de 81 anos deveria estar dirigindo um país
tão importante quanto o Brasil."
Confira
os principais trechos da entrevista aqui:
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvglw5x8760ro
Com
informações: www.bbc.com/portuguese
Crédito imagem: Reuters, via BBC News Brasil
