Nelson Wilians, o advogado ostentação, é alvo de operação contra fraude no ICMS em São Paulo
MP de SP e Secretaria da Fazenda investigam desvio de dinheiro
Com
o objetivo de investigar com um esquema de comercialização de
créditos de ICMS falsos, o Comitê Interinstitucional de Recuperação
de Ativos (Cira/SP) realizou, nesta quarta-feira, 15, a Operação
Distrato.
Segundo as investigações, 752 empresas usavam
esses créditos para reduzir o pagamento de imposto para o Estado e
teriam sonegado cerca de R$ 3,8 bilhões.
O
Cira é uma entidade composta pela Secretaria da Fazenda e
Planejamento do Estado de São Paulo, pelo Ministério Público de SP
e pela Procuradoria Geral do Estado.
A operação contou
com o apoio das Polícias Civil e Militar daquele estado.
Objetivos
Com
a operação, as autoridades buscam provas e também a identificação
dos beneficiários econômicos, responsáveis por crimes tributários,
organização criminosa, estelionato, falsidade documental e lavagem
de dinheiro.
O
esquema todo funcionava através de escritórios de advocacia e
consultoria, que ofereciam créditos tributários com abatimento no
valor nominal (deságio) a empresas de São Paulo. O maior deles é o
NWADV, do advogado Nelson Wilians.
Os créditos eram
negociados como se tivessem sido autorizados pelo Fisco. Por meio
desta negociação, as empresas deixavam de recolher integralmente o
ICMS e repassavam a estes advogados os honorários que podiam chegar
a 70% do valor dos créditos utilizados.
Na prática, o
dinheiro deixava de ir para o Estado de São Paulo. A operação
desta quarta cumpre 38 mandados de busca e apreensão e ocorreu em
São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto e também nas cidades
de Cambé e Londrina, estas duas últimas no Paraná.
Fraude
"gigantesca"
Segundo
a investigação, escritórios de advocacia estavam oferecendo
créditos falsos para empresas —no acordo, elas deixavam de
recolher integralmente o ICMS e pagavam honorários de até 70% do
valor para os escritórios.
"Ou seja, o dinheiro que
deveria ser direcionado aos cofres públicos acabava desviado para os
estelionatários", diz o Cira.
Os investigadores analisaram quase dez mil lançamentos suspeitos e identificaram mais de 850 empresas suspeitas de envolvimento no esquema.
Fontes da investigação dizem que a fraude é "gigantesca" e deve atingir outros estados.
Também
são investigados grupos identificados como Alpha (relacionado a
operações supostamente derivadas da falida Nortel Networks) e DMC
(supostamente relacionada à antiga Usina Santa Rita, da família
Cury)
Nelson Wilians
Fundador
de um dos maiores escritórios de advocacia do país, o NWADV,
Wilians ficou famoso pelo "marketing" na internet.
Com
mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram, o advogado costuma
exibir um estilo luxuoso, com carros importados, aviões a jato,
helicóptero, ilha, iates, quadros de autores famosos e viagens
internacionais, além de encontros com empresários e políticos
influentes.
Wilians
foi alvo da Operação Cambota, da Polícia Federal, desdobramento da
investigação de fraudes no INSS no ano passado. Daquela vez, foram
feitas buscas na casa e no escritório dele, em Brasília. Desta, as
ações ocorreram em São Paulo.
Com informações: Agência Brasil e UOL
Crédito imagem: Reprodução Instagram
