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Os EUA e o Pará em meio a soberba de Donald Trump e Daniel Santos, a humildade necessária na vida e a lealdade de Hana Ghassan

“A soberba precede a ruína,
e a altivez do espírito, a queda.
Melhor é ser humilde de espírito com os humildes
do que repartir o despojo com os soberbos.”

Provérbios 16:18-19 


Vivemos a era do “eu decido”. Quer dizer, a toda hora os algoritmos da vida, digo, das redes sociais, nos apresentam um fulano dos esportes, invariavelmente, “decidindo” quem é ou foi o melhor, quer seja no futebol, NBA, vôlei, tênis, tudo.


É lista que não acaba mais. “Goat”, sigla de “great of all time" pra lá, “melhor da história pra cá” e por aí vai. Narciso e seu espelho, ego, inseparáveis, se refestelam no Olimpo, tamanha a egolatria instalada nos intestinos e exteriores na internet da vida.

Donald Trump, certamente, é o epítome do que há de mais narcisista nesses tempos algo sombrios. Seu antípoda mas nem tanto, Vladimir Putin, é outro ególatra insuperável em seu transtorno de Narciso. E Xi Jinping, que de tudo faz para manter-se o ditador chinês, é outro que não fica muito atrás.

Lula, que se acha e ficou ainda mais soberbo em seu segundo reinado, ops, governo, precisamente desde que Barack Obama teve a infelicidade de  o classificá-lo como “o cara”, é mais um da lista dos gabolas, nariz empinado, metido a besta. 


O conhecido provérbio que virara a epígrafe escolhida dessas mal traçadas… fora dito, dizem as escrituras sagradas, pelo sábio e conciliador rei Salomão.

Em Belém do Pará, cidade dona de encantos, problemas crônicos e um passado de glórias, vez que comparado à complexa contemporaneidade, mais precisamente na sua região metropolitana, hospeda um Narciso tupiniquim que botou na cabeça que quer ser governador e, o pior não é que exista gente que ainda vota nesse tipo de filisteu, mas a possibilidade do estado aguentar mais este peso em sua rotina de província desimportante nos destinos da nação brasileira.

Trump, Putin, Xi, Lula e que tais causam fadiga e náusea por motivos distintos, mas “harmônicos entre si”. Nessas horas de profunda aflição, este que vos fala procura na sabedoria alheia, na pureza de alma dos Salomões que passaram e deixaram legados nesse vasto mundo, onde possa encontrar alguma resposta para a angústia que me consome. 


Correr para o berço da nossa civilização, seja na antiguidade clássica ou quase dois milênios depois até a França iluminista, se não resolve o vazio existencial que toma conta de mim, ao menos confere alguma clareza nas zonas cinzentas que me rondam.

Falo, de passagem, de gênios eruditos como Sócrates (e Platão), Montaigne, Descartes e Voltaire; paixões indeléveis e intocáveis que há décadas preenchem lacunas, dúvidas metafísicas e tédio diante da soberba e/ou mediocridade alheias


Fato da semana
Pouco antes do anúncio do acordo de 65 mil bilhões de barris de petróleo com a Venezuela, o presidente americano publicara um post na sua rede própria, a Truth Social, a sua lista atual onde avaliava presidentes do seu país. Um deboche, pior que escárnio.

Caso clássico de insegurança intelectual e carência de senso de responsabilidade em razão do alto cargo que ocupa, o sujeito se autoproclamara “
The greatest, o maior, o melhor, o top das galáxias entre aqueles que postara, posto que deixara outros de fora, sendo Ronald Reagan, na minha lista, o mais célebre e cujos feitos históricos das suas duas passagens pela Casa Branca deixam a primeira e decerto esta presidência alternada do sujeito, no chinelo.

Perto somente de Lincoln e os dois Roosevelt, Theodore e Franklin (os quais classificara de greats), Donald J. Trump não serve nem de adviser… 

Dos pecados capitais

Em coluna publicada no mês de junho último,
aqui para ler, falo da natureza humana e dos 7 pecados capitais; uma alusão pontual às factualidades da vida. Sobre eles, assim reproduzi seus significados associados às respectivas origens na antiguidade.


“Os sete pecados (ou vícios) capitais são inclinações humanas que servem de raiz para outros pecados, e foram classificados pela tradição cristã para auxiliar no autoconhecimento e combate espiritual”.

O rei Salomão, na esteira do provérbio ora citado, dizia sobre a soberba, que anda geminada ao orgulho, cegava a pessoa e a conduzia ao fracasso.

O sábio rei dos judeus e homem santo também alertara que o temor do Senhor “consistia em aborrecer o mal, incluindo a soberba, a arrogância e os maus caminhos”. 


E mais, em Provérbios 13:10, que ambos, soberba e orgulho, estavam na origem de conflitos, afirmando que "da soberba só resulta contenda" e que o orgulho gerava “brigas, discussões” e impedia que a pessoa aceitasse conselhos que poderiam tornar quem os recebia, sábios. 


Vício moral
Corta para a França dos anos 1500/1600 e veja como o autor do “Discurso do Método”, René Descartes, se referira à soberba:

A soberba ou “orgulho vicioso” é definida como um vício moral e uma paixão desregrada originada pelo desconhecimento do próprio valor.

Tratada detalhadamente em sua última obra, “As Paixões da Alma”, de 1649, ela ocorre, de acordo com o pensador, “quando o indivíduo atribui a si mesmo uma perfeição que não possui, gerando um amor-próprio injustificado.” 


Para Descartes, a mente humana tem o livre-arbítrio como sua maior qualidade, mas a falta de direcionamento ético faz com que as "maiores almas sejam capazes dos maiores vícios"


Anatomia
“O soberbo se admira por qualidades falsas. Ele exige que os outros compartilhem dessa ilusão. Embora pareça autossuficiente, o orgulhoso depende secretamente da opinião alheia para sustentar seu ego. A soberba cega o entendimento. Ela impede o uso correto da razão e da dúvida metódica para enxergar a realidade”, escreveu.


Antídoto
O filósofo e matemático, além de sábio, dizia que o oposto virtuoso da soberba e do orgulho, seu verdadeiro antídoto, era a generosidade, a única virtude capaz de destruí-los. 


Verdadeira Sabedoria
Montaigne, autor dos célebres Ensaios, e que precedeu Descartes na escola de pensamento francesa, atribuiu à soberba e à arrogância intelectual como sendo “os maiores obstáculos para a verdadeira sabedoria, nascendo da falsa ilusão de que a razão humana pode alcançar verdades absolutas”. 


Reconhecer a própria ignorância e a incerteza afasta a vaidade e o dogmatismo que geram conflitos. (...) A verdadeira sabedoria traz serenidade e flexibilidade, em vez da rigidez de quem acha que sabe tudo”.

Voltaire e a intolerância
Encerro esta peroração da minha francofilia recorrendo a outro favorito, Voltaire, para quem a soberba e o orgulho compunham as principais fontes da intolerância humana, do fanatismo religioso e da cegueira intelectual.

No
Dicionário Filosófico e no Tratado sobre a Tolerância, ambos volta e meia aqui recorridos, o genial autor escrevera que “o orgulho desmedido impedia o homem de reconhecer suas próprias limitações, levando-o a impor suas convicções aos outros pela força”.

Seu pensamento sobre a soberba se dividiu em três pilares: a raiz da intolerância religiosa; o orgulho dos "pequenos" versus dos grandes" e o amor-próprio.

Não se leve tão à sério
Nas suas constatações, Voltaire se valia do próprio pensamento associado a casos concretos e empíricos, afirmando que “a cura contra a soberba destrutiva reside na razão, na dúvida filosófica e na capacidade de rir de si mesmo, ferramentas essenciais para uma sociedade livre e tolerante”. No alvo.

Sempre ele
Nos Diálogos, Platão afirma que, para Sócrates, seu mentor intelectual (e espiritual), a soberba e a arrogância nascem da falsa ilusão do saber, enquanto a verdadeira sabedoria começa com a admissão da própria ignorância.


Segundo o grego, a soberba cegava as pessoas e criava bolhas de convicções absolutas.

Quem é soberbo teme perder o status e recusa-se a aceitar erros”, escrevera.


Soberba e etimologia

A palavra tem origem no latim; “superbia”, derivada do adjetivo “superbus”, que significa “orgulhoso” ou “altivo”. A raiz latina está relacionada à ideia de estar acima, de se elevar acima dos outros.

Além disso, a palavra “superbia” também está associada ao verbo “superare”, que significa “ultrapassar”. A conexão etimológica reflete a natureza da soberba como um sentimento de superioridade e arrogância. Ou seja, uma elevada opinião de si mesmo em relação aos outros.

Conclusão
Entre Donald Trump – o mega soberbo –, e a sua “verdade universal”, apenas conto os dias para que essa presidência passe.

Com relação aos destinos da minha terra natal, em outro texto sobre política, fiz um paralelo com pensamentos do florentino Nicolau Maquiavel e traços de caráter dos séquitos da nobreza.
Aqui.

Lá pelas tantas, reproduzi este trecho de O Príncipe:

“(...) Não há outro meio de guardar-se da adulação, a não ser fazendo com que os homens entendam que não te ofendem dizendo a verdade”. Naquela altura, logo após, assisti a um vídeo no Instagram da convenção do MDB estadual.

Nele, o ex-governador Helder citava o momento chave da grande vitrine dos seus dois governos, a criação das Usinas da Paz, e a ressalva feita pela então secretária de Planejamento, Hana Ghassan, que o alertara, independente da excelência da ideia, que ela somente se sentiria à vontade para incluí-la no orçamento estadual quando houvesse clareza de onde viriam os recursos.

Visto isso, lembrei de imediato da conexão com a afirmação da hoje governadora e a máxima maquiavélica. Ao gesto, além de competência, dá-se o nome de lealdade. Para isso servem os auxiliares de verdade.








 









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Toni Remigio
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