Pesquisadores apontam mortandade expressiva de ovas de peixe por impacto da hidrelétrica de Belo Monte
O jornal Folha de S. Paulo expôs uma situação preocupante, apontada por pesquisadores e moradores na região de Volta Grande do Xingu, no Pará.
Segundo relatos, foi observada uma mortandade expressiva de ovas de peixe abaixo da hidrelétrica de Belo Monte.
A Folha de S. Paulo teve acesso a arquivos fotográficos, em que é possível ver ovas expostas entre galhos e folhas, fora da água.
A morte massiva de ovas de peixes foi flagrada numa região conhecida como Piracema do Odílio, uma área de igarapé do Xingu. O problema está diretamente ligado ao regime de operação da hidrelétrica de Belo Monte.
Segundo o jornal, mais de 80% da água do rio é desviada para geração de energia. Essa mudança rompeu o pulso natural de cheias e vazantes do Xingu, regime que conectava o rio e as áreas de floresta alagada, onde os peixes costumam se reproduzir.
Questionada pela Folha, a concessionária Norte Energia declarou que "tomou conhecimento do aparecimento de ovas de peixe em uma das áreas de reprodução de peixes", que as "informações e evidências coletadas estão sendo analisadas por especialistas da Universidade Federal do Pará (UFPA) e os resultados da apuração serão devidamente reportados ao Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis]".
O Ibama já analisou os casos, com vistoria de campo, e concluiu que as inundações acabaram se convertendo em uma "armadilha" que expõe os ovos ao ambiente seco. O órgão ambiental declarou à Folha que "as informações coletadas in loco estão em avaliação".
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