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piauí 237 e um perfil da polêmica, carismática e extravagante Virginia Fonseca

A ascensão meteórica da jovem cujo principal empreendimento contou com aporte inicial de integrante do PCC e é suspeita de sonegação e lavagem de dinheiro

A influencer
Que Virginia Fonseca é um fenômeno nas redes sociais e, na esteira, tornara-se figurinha repetida em sites e outras publicações que falam e tratam de fofoca, ou seja, da vida alheia em geral e das celebridades (ou sub) particularmente, é inequívoco e inegável. Ponto.

Seus números como influencer impressionam, vez que comparados até com celebridades do showbiz mundial. Tudo nela, de 2019 e, sobretudo, 2020, o ano da pandemia de Covid pra cá, é superlativo.

Americana
Casamento, filhos, separação, namoros, views, likes, milhões de seguidores, faturamento, gastos e
 ostentação são traços do seu perfil e publicações em redes como Instagram, TikTok e YouTube.  


Este que vos fala quase nada sabia sobre ela, a não ser o que a esposa ou filha adolescente vinham dizendo de si desde os últimos três, quatro anos. “As bolsas, o jatinho, o parto de uma filha, o casamento e a separação do filho do sertanejo Leonardo, etc. e tal”. 


Até o final de 2025, mais precisamente o mês de novembro quando, após um tempo antes ter sido noticiado que ela fora repreendida pela esposa do Neymar por ter feito uma suposta ligação para o polêmico e quase sempre contundido gênio da bola no início de uma madrugada e, naquele mês do ano passado, ter se tornado namorada do craque e cria do Ninho do Urubu, Vini Jr.


Aí, como rubro-negro fanático, fiquei cabreiro. Seria a cidadã mais uma Maria Chuteira interessada em se promover internacionalmente às custas do jogador do Real Madrid? Até o advento da famosa jovem senhora, a única Virgínia no meu radar era minha irmã. 


Agora, o que realmente surpreendeu, foi saber que a loira nasceu nos EUA, fruto do casamento entre uma mineira de Governador Valadares e um “luso-americano”. Ah, e que ela começou a mitar nas redes sociais quando morava em Portugal.


A piauí_237
Eis que no início deste junho ensolarado por essas paragens amazônicas, a edição mensal da revista que assino e possuo todos os exemplares anuncia um perfil da polêmica loira fatal. Anúncio feito poucos dias após o término do namoro com o camisa 7 da seleção canarinho e do time merengue.

Ufa! Que alívio, pensei eu. Vini voando tem de se preocupar somente com o mundial da Fifa e as dezenas de meninas interessadas no seu super futebol… Chega de mulheres fatais na vida dos nossos craques da bola.

Afinal, um Renato Gaúcho, Romário ou Ronaldo Fenômeno não brotam por aí e por aqui todo dia como essas jovens que adoram um boleiro e a publicidade que paqueras e namoros com eles rendem na mídia. Além de otras cositas más.   


A matéria
Profunda como as mais simples reportagens da revista, a matéria sobre Virginia Fonseca se interessou sobre os negócios e ascensão da mineira a partir da sua ida à CPI das Bets em maio do ano passado.

A chegada da influenciadora Virginia Fonseca ao Senado Federal foi tumultuada. De braços dados com o então marido Zé Felipe, filho do cantor Leonardo, e acompanhada do advogado criminalista Michel Saliba, ela precisou driblar a multidão de jornalistas e fãs que se acotovelavam nos espaços próximos à sala de audiência da CPI das Bets”, inicia o texto assinado pelos repórteres João Batista Jr. e Alessandra Medina.


O perfil

Com o título de “A TIGRESA DOS ALGORITMOS - A influenciadora Virginia Fonseca, do paraíso das redes às investigações da PF”, a matéria “chega chegando”…


“Virginia chegou (à CPI) munida de um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que lhe dava o direito de não responder perguntas que pudessem incriminá-la.”


“Sua convocação para comparecer à CPI ocorreu pouco antes da revelação publicada pela piauí de que o contrato da influenciadora com a Esportes da Sorte previa o chamado “cachê da desgraça alheia” – ela recebia 30% do montante que os apostadores perdiam no jogo.”

“Em razão disso, o “cachê da desgraça alheia” tornou-se um dos assuntos da CPI. Ao depor, Virginia disse não saber da epidemia de dependência e endividamento provocada pelas bets no Brasil e negou lucrar com a má sorte dos seguidores-apostadores”.

“Nunca recebi 1 real a mais do que o contrato de publicidade que fiz por dezoito meses”, declarou. “Era um valor fixo. Se eu dobrasse o lucro, eu receberia 30% a mais da empresa, mas isso não chegou a acontecer.”

“Como as casas de apostas sempre lucram com a perda dos apostadores, a explicação de Virginia parecia apenas um jogo de palavras”,
diz a reportagem.


“Durante os sete meses de duração da CPI, os parlamentares examinaram informações sensíveis e esclarecedoras, como os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).”


“A piauí também examinou os RIFs, que vinham sendo mantidos em sigilo, e constatou que as movimentações bancárias da influenciadora levantam uma série de questionamentos.”

Investigada pela PF
“Em razão do conteúdo dos RIFs, Virginia, embora tenha se livrado da CPI, passou a ser investigada pela Polícia Federal.”

“A investigação se destina a apurar a legalidade das operações financeiras da influenciadora e suas empresas, bem como a origem dos recursos movimentados, a eventual prática de crimes financeiros, fiscais e de lavagem de dinheiro.”


“Chama a atenção o RIF 125224, que traz uma comunicação do Banco Santander ao Coaf a respeito de transações suspeitas na conta da Talismã Digital, a empresa de Virginia e Zé Felipe que atuava com mídias digitais.”

“Entre março e setembro de 2024, a Talismã Digital recebeu 22,4 milhões de reais. Desse montante, 21,4 milhões foram provenientes de 44 transações feitas via Pix, e 1 milhão, de 18 transferências via TED.”

“A suspeita gira em torno do principal depositante do dinheiro, a AMP Pay Marketing e Negócios. A empresa transferiu 17,7 milhões de reais por meio de cinco remessas via Pix.”

“O Santander preocupou-se porque, mesmo com essa transferência fenomenal, a AMP Pay está registrada na categoria Simples Nacional, o regime tributário ao qual têm direito apenas os negócios que faturam até 4,8 milhões de reais por ano, ou 400 mil reais por mês, em média.”

“Outro detalhe: além de aparentar não ter “capacidade financeira” para movimentar tal volume, a AMP Pay está localizada em um box comercial no Centro de Itajaí, no interior de Santa Catarina.”


Outro RIF traz informações sobre a Wpink Suplementos Nutricionais, que vende whey protein e creatina, empresa da qual Virginia é sócia.

Em 18 de março de 2025, o Mercado Pago Instituição de Pagamento comunicou o Coaf sobre operações financeiras realizadas entre 2 de janeiro e 13 de março daquele mesmo ano.

Nesse período, os créditos na conta da Wpink somaram 43,6 milhões de reais, os débitos chegaram a 43,5 milhões de reais.

O RIF ressalta que, aparentemente, o montante não condiz com o faturamento mensal documentado pela empresa. Por isso, as transações foram enquadradas como “atípicas”.


O Coaf também recebeu do Banco Itaú alertas de movimentações financeiras suspeitas por parte da Savi Cosméticos S.A. (a razão social da Wepink), cujo faturamento anual declarado ao Banco Central é de 75 milhões de reais.

No dia 28 de maio de 2024, o Itaú informou sobre um total de 190 transações, realizadas entre 21 de novembro de 2023 a 21 de maio de 2024, somando 502 mil reais, a partir de depósitos feitos em caixas eletrônicos de variadas agências bancárias.

O recebimento em espécie é usual no ramo em que a Wepink atua. Mas, para o sistema financeiro, a maneira fragmentada de receber recursos gera suspeita porque pode disfarçar a movimentação e o faturamento da empresa, bem como esconder eventual origem ilícita do dinheiro.”


Respostas
“Procurada pela piauí, Virginia escalou seus advogados para explicar as operações. Sobre o alerta emitido pelo Santander a respeito dos pagamentos da AMP Pay para a Talismã Digital, o advogado Felipe dos Santos de Paula disse que as transações que somaram 17,7 milhões de reais se referem ao pagamento de um cachê por  “campanhas publicitárias devidamente contratadas”.

“Felipe de Paula não deu maiores detalhes sobre o serviço prestado, nem comentou sobre as dúvidas a respeito da “capacidade financeira” de uma empresa localizada num box comercial no interior de Santa Catarina.”

“Disse, porém, que “todas as operações foram regularmente declaradas perante os órgãos fiscais competentes, com emissão das respectivas notas fiscais”.


“Com relação ao alerta do Mercado Pago, que levantou a suspeita de que a movimentação financeira da Wpink Suplementos Nutricionais não condiz com o faturamento mensal da empresa, o advogado Dalmo Jacob do Amaral Jr. – que atende à Wpink Suplementos e a Wepink Cosméticos – disse, sem responder exatamente à pergunta:”

“A empresa utiliza de forma esporádica o mecanismo de antecipação de recebíveis de cartão de crédito, prática lícita e amplamente adotada no mercado.”


Quanto às suspeitas comunicadas pelo Itaú em relação aos pagamentos fracionados em caixas eletrônicos, Amaral Jr. disse que “os depósitos mencionados correspondem à parte das receitas de vendas realizadas diariamente nos quiosques próprios [da empresa], que possuía 11 unidades em 2023 e 13 unidades em 2024.”

“Por isso, segundo ele, há tantos depósitos fracionados com dinheiro em espécie. Os quiosques de venda dos produtos da Wepink ficam sobretudo em shop­pings, espalhados pelo país, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.”


A grana do PCC
A Wepink é o principal negócio de Virginia Fonseca. Mas a história da empresa de cosméticos não se inicia com ela – e sua origem é carregada de suspeitas.

Começa com o casal paulista Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile, que gosta de repetir para a imprensa sua história de sucesso.


Certo dia, Stabile encontrou sua mulher chorando porque, desempregada e perto de fazer 28 anos, ela estava sem dinheiro para fazer a extensão de cílios com a qual tanto sonhava.

Ele sugeriu que Martins fizesse um curso de aperfeiçoamento em design de sobrancelhas, o que, feitas as contas, permitiria a ela faturar cerca de 7 mil reais por mês. Martins gostou da ideia e foi em frente.


Depois de formada, conheceu, enquanto treinava na academia, Aline Mineiro, uma das panicats – como eram chamadas as assistentes de palco do programa Pânico na tv – e Fernanda Lacerda, que interpretava no mesmo programa a Mendigata, uma moradora de rua sexy.

Martins se ofereceu para fazer gratuitamente os cílios das duas, que a incentivaram a criar um perfil no Instagram. Foi então que Martins e Stabile deram um nome fantasia para o negócio: Pink Lash.

Em 2017, abriram também um salão de estética especializado em design de sobrancelhas e cílios. O salão ficava no bairro do Cambuci, em São Paulo.


O negócio foi um sucesso. Em 2020, entre lojas próprias e franquias, a Pink Lash já contava com 104 unidades. Para promover ainda mais a empresa, foram contratados 52 influenciadores.

Virginia não estava entre eles. A aproximação dela com os empresários, entretanto, não demoraria a acontecer.

Ela estava entre as estrelas do mundo digital que compareceram à grande festa realizada em outubro do mesmo ano na inauguração de uma nova unidade da Pink Lash na capital paulista.

Essa é a versão oficial da história. Há omissões importantes.


No negócio da Pink Lash, havia outra sócia, além do casal Martins-Stabile: a enfermeira Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa do PCC, como noticiou o site Agência Pública.

Ela é a viúva de Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, que foi executado em 2018 quando respondia pela organização criminosa em Santos.

Sua morte foi um acerto de contas dentro do PCC e chamou a atenção da imprensa: uma semana antes, Cabelo Duro tinha assassinado dois colegas da facção. Os episódios sangrentos tornaram Karen Mori conhecida no país.


Mais que sócia, Mori foi a fonte de todo o capital inicial da Pink Lash. Em entrevista à piauí, ela disse ter investido 800 mil reais na abertura da primeira loja da rede, no bairro Cambuci, em 2017.

O dinheiro era proveniente da venda de um carro do marido, que ainda estava vivo. Quando indagada se a Pink Lash nasceu com o dinheiro de uma liderança da maior facção criminosa do Brasil, Mori não titubeia:

“Sim”, responde. “Eu era uma cliente da Samara [Martins], ela fazia os meus cílios. E, em determinado momento, propus fazermos essa sociedade, sendo 50% para mim e 50% para eles.”


Na divisão de tarefas, coube a Mori cuidar das lojas e desenvolver os produtos, como um removedor de cílios. Martins e Stabile ficaram encarregados do marketing e do contato com as influenciadoras.

A parceria comercial do casal Martins-Stabile com Mori evoluiu para uma amizade. “Os dois frequentaram a nossa casa, eram amigos do meu marido e sabiam exatamente o que ele fazia”, diz Mori.

A relação entre Mori e o casal Martins-Stabile foi se desgastando pouco a pouco, até ela ser escanteada de vez, quando a dupla se associou ao chinês Chaopeng Tan para lançar a Wepink, a marca de cosméticos inaugurada em 2021 cuja linha de perfumes é inspirada em fragrâncias famosas de marcas como Lancôme e Givenchy.

“A Samara e o Stabile entraram com o marketing, a Virginia, com a divulgação dos produtos através de suas redes sociais, e o chinês, com o dinheiro”, conta Mori. Cada um tem 33,3% de participação no negócio.

A Pink Lash e a Wepink chegaram a coexistir, até que, no fim de 2021 Martins e Stabile procuraram Mori para uma conversa definitiva.

“Eles me falaram assim: ‘Ou você vende a sua parte para a gente ou decretamos falência.’ Eu fui usada de escada, me dispensaram quando os chineses apareceram.” Ficou acertado que Mori receberia 10 milhões de reais.

“A Samara e o Stabile estavam usando meu apartamento, então eles  compraram o imóvel por 1 milhão de reais e me pagaram integralmente em espécie”, ela conta.

Na matrícula do imóvel, não constam os nomes nem de Mori nem de Martins ou Stabile como proprietários antigos ou atuais. Toda a transação foi feita por empresas que não têm ligação documentada com nenhum dos três.


Mori enviou à piauí fotos que afirma serem de Samara Martins nesse apartamento, onde morou com Cabelo Duro.

Ela diz que, no começo de 2024, recebeu 1 milhão de reais em espécie como primeiro pagamento pela venda de sua sociedade na Pink Lash por 10 milhões.

“Poucos dias depois, a polícia entrou em casa, e eu fui presa por lavagem de dinheiro e associação ao crime por terem encontrado dinheiro vivo”, diz.

Os policiais encontraram 1 milhão de reais e 50 mil dólares em espécie. Hoje, enquanto aguarda julgamento, Mori usa tornozeleira eletrônica. Ela acredita que foi denunciada pelos ex-sócios.


O investimento inicial na empresa foi de 1 milhão de reais. Desse montante, 40 mil reais foram gastos na festa de lançamento. “Em três horas, vendemos 30 mil unidades”, contou Stabile em um podcast.


O faturamento de 2022 foi espantoso para uma marca recém-criada.

“Finalizamos 2022 com 168 milhões faturados na @wepink.br! Só tenho a agradecer, primeiramente a Deus e a vocês! Sem palavras e muita gratidão no coração! 1 ano e 3 meses de empresa, é surreal! E agradecer também aos meus sócios e equipe que se dedicam 24 horas”, escreveu Virginia em uma postagem.

“Vocês” são as seguidoras-consumidoras. No ano seguinte, já com mais de cem produtos lançados, de protetor solar a perfume, o faturamento chegou a 325 milhões de reais. Em 2024, cerca de 750 milhões de reais.

Em 2025, novo recorde: 1,3 bilhão de reais. (A título de comparação, o Grupo Boticário faturou 38,1 bilhões de reais em 2025, sendo a rede de beleza com mais lojas no mundo: 3.898 pontos de venda, distribuídos por mais de 1,6 mil cidades brasileiras e 16 países.)


O crescimento da Wepink foi proporcional aos problemas de gestão e de credibilidade, com descumprimento de prazo de entrega, envio de pedidos incompletos e demora excessiva para estorno das devoluções.

Em novembro passado, a empresa se comprometeu a pagar 5 milhões de reais por dano moral coletivo, depois de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Estado de Goiás.

Foi o resultado de uma ação civil pública que teve como base 120 mil reclamações protocoladas no Procon goiano e no Reclame Aqui.

No mês seguinte, mais uma penalidade: depois de receber 5 555 queixas, o Procon de São Paulo aplicou uma multa de 1,5 milhão de reais à Wepink.

O Reclame Aqui informou à piauí que o número de reclamações contra a empresa chegou a 90 423 em 2024, caiu para 64 631 em 2025, e soma 12 630 casos entre janeiro e abril deste ano. A Wepink solucionou 98% dos problemas.

A piauí procurou o casal Martins-­Stabile para esclarecer a gênese da parceria inicial com a “Japa do PCC” e, posteriormente, com o chinês Chao­peng Tan.

O casal, no entanto, não quis dar entrevista, nem responder perguntas por escrito. A reportagem também perguntou para Virginia se ela sabia que na origem da empresa que se tornou o embrião da Wepink havia capital de um líder de facção criminosa.

Ela respondeu ter conhecido a Japa do PCC quando fez presença vip para um evento da Pink Lash, mas não respondeu claramente se sabia ou não da origem criminosa do dinheiro:


“Em relação aos meus sócios, tenho confiança, porque nunca me deram nenhum motivo para eu pensar o contrário, desde quando nos conhecemos. Não associo pessoas a algo apenas por relações comerciais ou por terem conhecido alguém em determinado momento. Nem toda sociedade ou convivência significa conhecimento sobre a vida pessoal ou possíveis envolvimentos de terceiros.”


Relacionamentos
(...) Outra pessoa que contactou Virginia, em novembro de 2017, foi o paranaense Pedro Afonso Rezende Posso.

Com o codinome de RezendeEvil, ele era uma estrela no YouTube, com 14 milhões de inscritos que acompanhavam seus vídeos sobre games.

Pouco depois, Virginia engatou um romance com Rezende, que ganhou algum destaque na imprensa local: em 11 de junho de 2019, o jornal Folha de Londrina publicou uma matéria intitulada O amor de Rezende e Virginia, em que ele diz que as principais características dela são “parceria” e “humildade”.


O voo na pandemia
Um dos efeitos domésticos da pandemia foi ampliar o número de usuários do TikTok, que passou a atrair muita gente disposta a exibir suas dancinhas e coreografias. Virginia, que começou sua vida digital dançando funk, se sentiu em casa na plataforma emergente.


Foi nessa época que um amigo do cantor Zé Felipe mostrou a ele o perfil da jovem agora loira que estava bombando no TikTok.

O cantor mandou um “oi” para Virginia via Instagram. Ela contou em uma entrevista que demorou cerca de seis horas para responder. Zé Felipe tinha se lançado na música sertaneja, seguindo a trilha do pai, Leonardo, e já havia feito uma parceria com a cantora Ludmilla.

Ele convidou Virginia para participar de uma live que estava organizando. No meio da live, mandou um beijo para a jovem, o que incendiou a curiosidade dos fãs e virou assunto nas redes.

Os dois marcaram de se conhecer em Governador Valadares. “Tentamos esconder, mas tinha drones subindo pela casa”, contou Virginia na mesma entrevista.

Em 9 de julho de 2020, no Instagram, os dois assumiram publicamente o namoro. “Graças a Deus, o público abraçou. Eu ganhei 2 milhões de seguidores em um dia”, ela disse.


Em menos de um mês, Virginia se mudou para a residência de Leonardo e sua mulher, Poliana, onde Zé Felipe ainda morava, em Goiânia. A influenciadora tinha crescido nas redes compartilhando a sua vida como um reality show.

Ela foi autorizada a gravar tudo que quisesse na nova casa, inclusive os moradores. No dia 16 de setembro de 2020, Virginia comemorou a marca de 10 milhões de seguidores no Instagram.


A autorização para filmar se estendeu à fazenda de Leonardo, a Talismã, de 1 mil hectares, na cidade goiana de Jussara. Antes da chegada de Virginia à família, existia ali uma placa alertando: “Proibido fotos e filmagens.”

Em sua primeira visita, ela realizou um tour pela propriedade, filmando tudo: as mais de 5 mil cabeças de gado, as quadras poliesportivas, o lago com jet skis, a piscina... E ainda ironizou o aviso na placa.

O vídeo Invadi a fazenda do Leonardo!!! foi publicado no YouTube, em 21 de setembro de 2020 (até hoje tem 5,1 milhões de visualizações), tornando-se tema de reportagens em sites de fofoca, música e tevê.


No dia 9 de outubro de 2020, ela anunciou a gravidez da primeira filha com Zé Felipe em seu canal do YouTube, no vídeo Estou Grávida (10,1 milhões de visualizações).

Transmitiu para seus seguidores cada fase da gestação: exames, consultas, indisposições, decoração do quarto.

O público gostava do que via. Em dezembro, Virginia tinha 15 milhões de seguidores no Instagram e começou a furar a bolha das redes. Em fevereiro de 2021, ela e o marido foram convidados para falar da gestação no programa Encontro, na Rede Globo, então comandado por Fátima Bernardes.

Na ocasião, Zé Felipe contou que os dois iriam se casar em uma cerimônia íntima, apenas no civil e dentro de casa.

Foi o que fizeram. O casamento teve a presença de alguns familiares, dos padrinhos Samara Martins e Thiago Stabile e da equipe de filmagem. Pouca gente compareceu, mas muita gente assistiu:

Enfim, casamos!!!, o vídeo de 25 minutos da cerimônia, foi visto 4 milhões de vezes no YouTube.


O canal de Virginia no YouTube somava 4,6 milhões de inscritos em maio de 2020, no momento que foi anunciada a separação de Rezende.

Em setembro, quando já havia assumido o namoro com Zé Felipe, pulou para 5,7 milhões de seguidores. Em dezembro de 2020, quando vivia a gravidez, o canal cresceu para 7,3 milhões de inscritos.

Um ano depois, chegou a 10 milhões. Em dezembro de 2022: 11 milhões. Aos poucos, Virginia foi mudando de plataforma, privilegiando o Instagram.

No YouTube, ela permanece com 11,8 milhões de seguidores. No Instagram, tem cerca de 56,6 milhões de seguidores. É a segunda mulher no Brasil com maior número de seguidores, atrás apenas da recordista nacional, a cantora Anitta.

Virginia e Zé Felipe têm três filhos: Maria Alice, hoje com 5 anos, Maria Flor, 3 anos, e José Leonardo, 1 ano.

Virginia Fonseca não chegou a fazer faculdade. Entrou de cabeça na vida de influenciadora – e se tornou a maior de todas.

Ela nunca teve roteirista nem diretor de produção. Tudo ou quase tudo que faz nas redes sociais sai de sua cabeça.

Ao contrário de muitas influenciadoras que filmam com câmeras profissionais e zelam pela pós-produção dos vídeos, os dela são feitos da maneira mais natural possível, usando o celular.

O objetivo é não parecer artificial.


Não existe hoje personagem que dê mais audiência do que a Virginia, e depois da separação o interesse cresceu ainda mais. Seu cotidiano como mulher solteira e mãe de três crianças ficou muito interessante para o público. Quando estava casada, a vida estava previsível”, diz Leo Dias, criador de um portal de notícias.


As postagens de Virginia, mesmo quando tratam de assuntos banais, raramente têm menos do que 2 milhões de curtidas.

Dentre as que mais repercutem, estão aquelas que mostram aspectos de sua vida pessoal e as compras de itens de luxo.

Ela virou meme com a expressão “me mimei”, à qual recorre sempre que abre as caixas com bolsas de grife recém-compradas.


Cafona?

Apesar de rica e famosa, Virginia ainda não caiu nas graças do mercado de altíssimo luxo – cujo acesso nem sempre se dá pela via do cartão de crédito. “A Hermès vê uma pessoa como ela com certo desdém”, diz uma consultora de luxo, que pediu para não ser identificada, pois não tem autorização para falar em nome da marca.

“Ela, então, precisa ficar na fila de espera para adquirir uma nova Birkin, algo que pode levar três anos, mesmo sem ter a garantia de que vai conseguir comprar.

Para a cliente da Hermès, essa ostentação de Birkins, como ela faz nas redes, é a coisa mais cafona do mundo.”


Em março deste ano, Virginia foi convidada para se sentar na primeira fila do desfile da Balenciaga, outra marca de luxo francesa, em Paris.

“Ela foi por ser uma grande compradora da grife no Brasil, não pelos seus seguidores nem porque estava namorando o Vini Jr.”, diz uma pessoa que a acompanhou na viagem.


Virginia viajou para Paris em seu jatinho Cessna Citation Sovereign 680, avaliado em 38 milhões de reais, acompanhada de cinegrafista, maquiador e cabelereiro, e se hospedou, claro, em um hotel cinco estrelas.

Toda essa despesa pode chegar a 1 milhão de reais, mas, convertida em postagens nas redes sociais, resulta em mais proventos.

Virginia fez posts sobre os jantares dos quais participou, o desfile e uma visita à loja da Balenciaga.

As grifes de luxo costumam convidar para seus desfiles em Paris as compradoras que fazem gastos altíssimos (em geral, mais de 5 milhões de reais por ano em produtos da marca).

Uma vez convidada, a pessoa tem acesso às roupas da grife para escolher qual vai usar no dia do desfile.


Cautela
O mercado publicitário é cauteloso com Virginia Fonseca, por causa das polêmicas que cria para estar sempre em evidência.

“Um anunciante não sabe se, quando uma campanha for ao ar, ela vai estar em alguma polêmica nova”, diz um agente de artistas e influenciadores, que pediu para não ter o seu nome divulgado para não ser afetado em seus negócios.

“Por outro lado, o que Virginia faz com a Wepink é o sonho de todo contratante: ela posta link de vendas inúmeras vezes ao dia, todos os dias.”


Virginia e bets
(…) Outra mancha de reputação junto ao mercado é a sua ligação com o setor de bets e certos recursos de gamificação de seus posts.

Virginia Fonseca recorre a estratégia
de fazer com que os seus seguidores produzam conteúdos sobre ela e os espalhem pelas redes, com a recompensa de receberem produtos, status e experiências.

Todo início de mês, o perfil Central de Fãs Virginia Fonseca, com 566 mil seguidores no Instagram, posta as coordenadas da vez para que as fãs façam vídeos falando da rotina e das novidades da vida da influenciadora.


“Engaje os posts da Central e faça posts criativos sobre os trabalhos/conteúdos da Virginia.” Todo mês são apontados dois ganhadores cujas postagens conquistaram mais engajamento. Virginia tem cerca de trezentos fã-clubes”.


No Carnaval deste ano, três líderes de fã-clubes da influenciadora ganharam convite (sem direito a acompanhante) para o Camarote Arpoador, da Sapucaí, no dia da apresentação da Grande Rio, escola em que Virginia desfilou.”

“A passagem aérea e hospedagem ficaram por conta das pessoas agraciadas. Em dezembro de 2024, Virginia fechou um bufê de luxo em São Paulo para comemorar a conquista de 50 milhões de seguidores no Instagram.”

Grande Rio
Em outubro de 2025, a Grande Rio tinha 793 mil seguidores. Depois do Carnaval, subiu para 1,4 milhão, tornando-se a escola do Rio de Janeiro mais seguida nas redes.


Para o último ensaio aberto antes do desfile, Virginia voou da Espanha – onde foi passar o fim de semana com Vini Jr. – para o Rio de Janeiro. Chegou no fim de tarde de 25 de janeiro passado.

Na mesma noite, embarcou para Goiânia em seu jatinho, para reencontrar os filhos.

Nos dias de Carnaval, ela pediu para ir ao Baile da Vogue, no Copacabana Palace, a festa da revista que há anos reúne a elite da moda e famosos em geral. Virginia nunca tinha sido convidada.

Quem conseguiu o convite foi Jayder Soares, da Grande Rio, escola que todo ano leva a sua bateria para se apresentar no baile.


Reportagem da piauí e caô
Na ocasião, a reportagem da piauí se apresentou a ela, informou sobre a realização desta matéria e pediu uma entrevista.

“Claro, vamos fazer, sim”, ela despistou. A influenciadora não atendeu aos pedidos de entrevista, mas respondeu por e-mail aos questionamentos feitos pela revista.

Naquela noite, todas as postagens da Vogue sobre Virginia no Instagram bateram recordes de engajamento, com mais de 150 mil curtidas, superando as de Sabrina Sato e Grazi Massafera no mesmo baile.


Vini Jr. e o término
Em 15 de maio passado, Virginia anunciou o fim de seu namoro de sete meses com Vini Jr. A notícia, coincidência ou não, foi dada por ela às vésperas da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo.

O fim do caso dessas duas pessoas famosas – ela com 56 milhões de seguidores no Instagram, ele com 59,7 milhões – funcionou como um tsunami algorítmico, com efeitos em cascata nas redes sociais.

O post no Instagram em que ela contou sobre o namoro com o jogador, em 28 de novembro passado, teve 11 milhões de likes e um total de 44 mil menções nas redes sociais.

No mesmo dia em que terminou com Vini Jr. – e ganhou 323 mil seguidores em 24 horas –, Virginia pegou o seu jatinho e, junto com os sócios Samara Martins e Thiago Stabile, viajou para Dubai.

Um dos passeios da influenciadora foi em um zoológico, onde ela fez um vídeo beijando um macaco. Na legenda, escreveu: “Que pegada foi essa? (risos).” A imagem chocou muita gente, que a associou a um ato de racismo recreacional.
Um dos mais ativos militantes do antirracismo no futebol, Vini Jr. já foi chamado de “macaco” inúmeras vezes nos estádios de futebol.

Virginia foi obrigada a se retratar. Ela disse que “interpretaram totalmente errado” o post (que lhe trouxe 136 mil novos seguidores) e pediu desculpas a quem se sentiu ofendido.

Na Globo
No mesmo mês, a Rede Globo anunciou sua contratação. Virginia Fonseca será repórter especial da emissora durante a Copa do Mundo.


Como se vê, Virginia Fonseca é um furacão e sua jornada pelas redes sociais e de negócios prometem muito querosene pra queimar, polêmicas e faturamento pela frente. 

Aguardemos.




PS: Pra cima deles, Vini, Paquetá e companhia. Pra frente, Brasil!









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Toni Remigio
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