Trump x aiatolás: presidente dos EUA desestrutura regime teocrático que oprime a antiga Pérsia desde 1979.
Irã possui terceira maior reserva de petróleo do mundo; país ocupa sexta posição entre economias do Oriente Médio e é, atualmente, o segundo mais populoso da região.
Nossa opinião sobre a questão:
Os EUA sob Donald Trump,
o atual 47º presidente do país, segue a doutrina MAGA, sigla de
Make America Great Again, cujo slogan, desde quando ele era o 45º,
sempre foi “America first”.
Logo, para “fazer a América grande de novo”, em livre tradução, tem de colocar aquela grande e poderosa nação em primeiro lugar. Em tudo.
Dito isso, f#%da-se Conselho de Segurança da ONU, aliados da OTAN, ordem mundial imperante desde 1945, ano do final da II Guerra Mundial, passando por altos e baixos entre o período da Guerra Fria, entre os anos 1950 e 1970, a distensão provocada pelos bem-sucedidos SALT 1 e SALT 2, assinado com a URSS de Leonid Brejnev, primeiro em 1972, depois no ano de 1979, acordo que foi cumprido até pelo menos 1985.
Daquele ano até a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o esfacelamento do regime soviético, em 1991, o mundo bipolarizado do pós-guerra viraria a chave para uma nova ordem onde os EUA estavam cada vez mais ricos e poderosos militarmente, enquanto nascia um fenômeno classificado de “globalização”, durante o qual o Mcdonald's chegou à Moscou e a China crescia a taxas de 20% ao ano, mudando o pêndulo geopolítico global, onde também nascia outro bloco poderoso chamado de “União Europeia”, e as tensões mundiais estavam, em termos de ameaça de novo conflito mundial, algo demasiado distante do cenário atual.
Trump, Israel, Putin, Xi
Com a invasão - agressão - da Ucrânia em fevereiro de 2022 e o ato genocida e terrorista do Hamas naquele tão infame quanto atentado terrorista de 07 de outubro de 2023, o mundo vive tensão global jamais vista desde a invasão da Baía dos Porcos naquele abril de 1961, apenas três meses após a chegada de John F. Kennedy à Casa Branca.
Neste 2026 em que Trump lidera os EUA do Salão Oval e Mar-a-Lago, Vladimir Putin dá expediente na condição de protoditador e autocrata no Kremlin, e Xi Jinping, que se acha maior do que o reformador Deng Xiaoping e, em função dos seus gestos em favor de aumentar seu mandato, a eliminação de rivais que ele tem empreendido e as demonstrações de trabalhar para se igualar (ou superar) o líder da “Revolução Cultural”, Mao Tsé-Tung, com postura cada vez mais imperial na rotina do Politburo chinês que ocupa, desde 2012, o complexo do escritório central do Partido Comunista Chinês, chamado Zhongnanhai, o que se avizinha é uma nova ordem liderada, cada um deles à sua maneira e interesses, que pode - sim - culminar numa temida III Guerra Mundial.
Detalhe que cumpre repetir: Com Trump hostilizando aliados históricos (Otan) e regimes democráticos como o americano, tensionando-os e outras nações com sanções e tarifas consideradas no mínimo heterodoxas no mundo econômico e global, e esticando a corda da guerra comercial que insiste travar contra chineses, além de viver entre idas e vindas com o assassino contumaz e líder russo, Putin.
Aliás, a captura de Nicolás Maduro e o assassinato de Ali Khamenei devem fazer o tirano de Moscou, seus generais, oficiais e praças das forças russas botarem as barbas de molho e ficarem em estado de alerta, caso considerarem fazer uma comparação entre a precisão Made in USA e os resultados práticos da invasão à Ucrânia. Somada ainda à excelência do exército israelense, idem dos seus artefatos de guerra.
Moral da
História
Alemanha, Reino Unido e França, três das dez maiores
potências econômicas mundiais, todas nações nucleares, somadas à
absoluta maioria dos demais países democráticos que compõem a
comunidade internacional condenaram a ação.
O Brasil, de governo amigo de párias como Irã, parça de Cuba, do chavismo, castrismo, Hamas e outras tantas aberrações quando o assunto é direitos humanos, antissemitismo e a invasão da Ucrânia, não poderia deixar de condenar a ação.
Quanto ao ataque, a nossa opinião, fundamentada na evidência de que Trump age unilateralmente, é que as consequências podem ser contrárias a estratégia do americano quando se pensa no day after à queda do regime ou como será o perfil do sucessor, vez que ocorra algo semelhante ao que vem acontecendo em La Paz. Ou seja, um títere domesticado.
O dado concreto é que a guarda revolucionária, somada às outras forças militares, já respondeu e todas devem permanecer reagindo, na medida em que a parcela da população que apoia o regime aja na direção de endossar uma resistência que internamente pode culminar em guerra civil, o que teria desdobramentos no mundo xiita por toda a Ásia.
Petróleo, geopolítica, ameaça nuclear, insurgência interna, chega pra lá na diplomacia e chance zero de aplicação de soft power compõem o cardápio da retórica trumpista, cujo horizonte apresenta logo ali as sempre complicadas eleições de “midterms”, uma alta rejeição interna à participação dos EUA em conflitos externos e, atualmente, à sua maneira de governar, bem como outras questões econômicas e consequências da recente derrota na Suprema Corte na questão das tarifas.
Dito tudo isso, decerto que o mundo respira ares menos poluídos e cheira menos mal quando facínoras e delinquentes como Maduro e Khamenei finalmente estão pagando pelos assassinatos, torturas, desaparecimentos e genocídios que foram capazes de realizar ou coonestar.
Faço minhas as palavras daquela senhora em relação ao excêntrico Elon Musk: “fuck you, Khamenei!”
Resumo:
Com informações do escritório da BBC no Brasil e agências internacionais.
O aiatolá Ali Khamenei comandava teocracia islâmica desde 1989, controlando o poder no país por quase quatro décadas. Donald Trump afirmou que ele foi "uma das pessoas mais perversas da história".
Fúria Épica
Os
EUA, apoiados por Israel, realizaram na madrugada de sábado, 28, um
ataque devastador contra o Irã naquela que foi chamada de "Operação
Fúria Épica".
Os bombardeios atingiram o local onde estava o líder supremo do país, matando-o e colocando em xeque o futuro do regime islâmico instalado em 1979. Outra consequência natural é como ficarão as relações de poder no Oriente Médio de agora em diante.
A ação foi autorizada depois de ter sido marcada uma quarta rodada de negociações entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear do país, cujo regime Donald Trump disse querer ver desmantelado completamente, o mesmo que, após o ataque, prometeu "a operação ofensiva mais devastadora".
Mortes
Cerca
de 200 morreram no primeiro dia de ataques no Irã, segundo o
Crescente Vermelho. Governo iraniano fala em 108 mortos em escola
para meninas
Truth Social
Por volta da 1h no horário local, de Mar-a-Lago, Trump publicou uma mensagem em tom contundente advertindo que é "melhor" o Irã não tentar “atingir com muita força”.
Post na íntegra:
"Khamenei, uma das pessoas mais perversas da História, está morto. Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os Grandes Americanos, e para aquelas pessoas de muitos Países ao redor do Mundo, que foram mortas ou mutiladas por Khamenei e sua gangue de CAPANGAS sedentos de sangue. Ele foi incapaz de impedir nossa Inteligência e os Sistemas de Rastreamento Altamente Sofisticados e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não houve nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos junto com ele, pudessem fazer. Esta é a maior chance única para o povo iraniano retomar seu País. Estamos ouvindo que muitos dos membros de sua IRGC [Guarda Revolucionária], Militares e outras Forças de Segurança e Polícia, não querem mais lutar e estão buscando Imunidade de nossa parte. Como eu disse ontem à noite: “Agora eles podem ter Imunidade, depois só terão a Morte!” Com esperança, o IRGC e a Polícia se juntarão pacificamente com os Patriotas iranianos e trabalharão juntos como uma unidade para trazer o País de volta à Grandeza que ele merece. Esse processo deve começar em breve, visto que não apenas a morte de Khamenei, mas o País foi, em apenas um dia, muito destruído e, até mesmo, obliterado. O bombardeio pesado e de precisão, no entanto, continuará ininterrupto ao longo da semana ou pelo tempo que for necessário para atingir nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!
Obrigado por sua atenção a este assunto."
Sucesso absoluto
Segundo a BBC, até agora, o americano e sua administração veem claramente a operação no Irã como um sucesso absoluto. “Mas eventuais baixas americanas — ou a perspectiva de um conflito confuso e prolongado — provavelmente complicariam essa percepção”, diz a matéria.
Receios
Alguns
integrantes da base do republicano já expressaram receios quanto a essa
possibilidade, especialmente porque ele fez campanha prometendo
evitar exatamente esse cenário.
Riscos
Segundo analistas ouvidos pela BBC, ao atacar o Irã e
matar o líder supremo do regime, Donald Trump fez uma aposta enorme:
a de que pode ter sucesso onde presidentes americanos anteriores
fracassaram, usando a força militar americana para reconfigurar o
Oriente Médio.
Vitória
total
“Trump proclamará uma vitória geracional se os Estados
Unidos conseguirem destruir completamente o programa nuclear do Irã
e provocar uma mudança de regime em Teerã utilizando apenas o poder
aéreo, mesmo que, a partir de Washington, não pareça haver um
plano claro sobre o que viria depois da República Islâmica”.
Fracasso
Mas,
se o ataque militar, denominado Operação Fúria Épica pelo
Pentágono, fracassar ou desencadear uma conflagração regional mais
ampla que exija uma participação contínua dos Estados Unidos,
Trump poderá prejudicar seu legado, assim como as chances dos
republicanos de manter o controle do Congresso nas eleições
legislativas de meio de mandato, em novembro.
Perdas
O
presidente deixou claro o que está em jogo em declarações
feitas nas primeiras horas de sábado, quando anunciou o início de
uma campanha militar no Irã.
"Heróis
americanos podem ser perdidos", disse Trump. Ele argumentou que
esse seria um preço necessário para infligir danos a um regime que,
segundo ele, tem semeado o caos no Oriente Médio desde que chegou ao
poder em 1979.
"Durante
47 anos, o regime iraniano entoou 'Morte à América'", afirmou
Trump. E acrescentou: "Não vamos tolerar isso por mais tempo".
Repercussão
Os
ataques dos EUA e de Israel contra o Irã perturbaram o Oriente
Médio, com repercussões que se estendem para além da região.
Lideranças iranianas mortas nos ataques
Uma fonte da inteligência e uma fonte militar disseram à CBS News que um total de cerca de 40 autoridades iranianas foram mortas nos ataques.
A televisão iraniana noticiou que o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdulrahim Mousavi, foi morto nos ataques aéreos.
Teerã também confirmou a morte do comandante da Guarda Revolucionária, General Mohammad Pakpour. A mídia estatal informou que a filha, o genro e o neto de Khamenei foram mortos no ataque.
40 dias de luto
A
morte de Khamenei foi anunciada no Irã pela mídia estatal. O
comunicado oficial foi feito por um apresentador da TV, em meio a
soluços, dizendo que o país entraria em um período de luto de 40
dias.
Segundo o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, o aiatolá morreu na manhã de sábado do horário local, em seu escritório, "enquanto realizava tarefas".
A BBC Verify confirmou, usando imagens de satélite, que partes do complexo da Casa da Liderança, escritório de Khamenei em Teerã, sofreram danos significativos durante os ataques conjuntos de EUA e Israel.
Putin oferece condolências por 'assassinato cínico'
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou neste domingo suas condolências pela morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, informou a agência estatal russa TASS. Ele descreveu a morte de Khamenei como um “assassinato cínico que violou todas as normas da moral humana e do direito internacional".
Aliados
A
Rússia é aliada do Irã. No ano passado, os dois países
concordaram em ampliar a cooperação militar e assinaram um tratado
de "parceria estratégica" com duração de 20 anos.
Contra-ataque
O
Irã retomou neste domingo, 01, seus ataques aéreos contra países
árabes do Golfo e bases americanas em toda a região.
Israel diz estar atacando alvos 'no coração de Teerã' e Irã retoma bombardeios de retaliação
Israel afirmou estar atacando alvos "no coração de Teerã" na manhã deste domingo, 01. "Ao longo do último dia, a Força Aérea Israelense realizou ataques em larga escala para estabelecer superioridade aérea e abrir caminho para Teerã", diz um comunicado das Forças de Defesa de Israel (IDF). A mídia iraniana confirmou que explosões foram ouvidas na capital.
Iranianos celebram notícia da morte do líder supremo
Um vídeo de rede social, compartilhado na rede social X e verificado pela BBC News Persa, mostra alguns iranianos na cidade de Karaj celebrando a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, antes do anúncio feito por Donald Trump.
Em outro vídeo, uma mulher fala com tom de alívio inconfundível, dizendo que a residência do aiatolá Khamenei foi atingida.
Outro clipe mostra adolescentes em uma escola dançando e cantando que os ataques aconteceram, acrescentando: "Eu amo o Trump."
Brasil condena ação coordenada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã
O governo brasileiro, por meio de uma nota do Itamaraty, condenou a ação coordenada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, chamando atenção para o fato de os ataques terem acontecido "em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região".
"O Brasil apela a todas as partes que respeitem o direito internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil."
Segundo o Itamaraty, as embaixadas na região estão acompanhando as comunidades brasileiras na tentativa de atender às necessidades dos brasileiros e garantir a sua segurança.
Reino Unido, França e Alemanha condenam ataques de retaliação do Irã em declaração conjunta
Em uma declaração conjunta, os governos do Reino Unido, Alemanha e França condenaram os ataques de retaliação do Irã contra países vizinhos após a ação conjunta dos EUA e de Israel deste sábado (28/2).
"A França, a Alemanha e o Reino Unido têm instado consistentemente o regime iraniano a encerrar seu programa nuclear, restringir seu programa de mísseis balísticos, abster-se de suas atividades desestabilizadoras na região e em nossos territórios, e cessar a violência e a repressão terríveis contra seu próprio povo", diz a nota, assinada pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer, presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz.
Os líderes afirmaram que seus países não participaram dos ataques, mas disseram estar em contato com os Estados Unidos, Israel e parceiros na região.
"Reiteramos nosso compromisso com a estabilidade regional e com a proteção da vida civil.
Condenamos veementemente os ataques iranianos contra países da região", disseram.
"O Irã deve se abster de ataques militares indiscriminados. Instamos a liderança iraniana a buscar uma solução negociada. Em última análise, o povo iraniano deve ter a liberdade de determinar seu futuro."
Efeito Cuba
Com efeito, as ações e consequências da "Doutrina Trump" serão noticiadas e repercutidas por todo 2026, seu resto de governo e anos subsequentes. Como diria Galvão Bueno, haja coração. E Cuba que aguarde alerta as cenas dos próximos capítulos.
