Vidas paralelas: A glória de ser eterna e a malandragem da riqueza fácil
Enquanto uma estrela descansa coberta de glórias, o filho do cacique curte a vida adoidado às custas do erário
De uma vez só, na terça-feira, 18 de agosto, duas estrelas de primeira grandeza, Laura Cardoso e Glória Menezes, ambas nonagenárias, descansaram após uma vida coberta de glórias.
Com
o perdão do trocadilho algo manjado, não há adjetivo, advérbio ou
elogio sincero mais adequado para falar dessas duas gigantes da
dramaturgia pátria.
Tampouco, ao falar delas, escrever
sobre os fundamentos da origem do teatro, do nascimento da tragédia,
do crepúsculo dos deuses, ou sobre a dualidade e o antagonismo entre
Dionísio e Apolo.
Glória Menezes e Tarcísio Meira
formaram, decerto, o casal mais amado (e admirado) da televisão
aberta brasileira em seus tempos de… glória.
Gloriosa,
brilhante, linda, diva, admirada, amada, revolucionária para os
padrões da juventude da (sua) época, Glória Menezes esbanjava,
além do charme e talento, um carisma também algo
extraordinário.
Nas poucas, raras vezes, em que juntou
forças para falar da dor da perda de seu grande amor, o não menos
talentoso e galã máximo das artes dramáticas nacionais, o Tarcisão,
a estrela global traduzia em sofrimento real e tristeza inconsolável,
todo o amor que dera e recebera do marido que partia vítima da
Covid-19, cinco anos atrás.
Laços com o
Pará
Desde a década de 1970, Tarcísio Meira escolhera o
Pará como local ideal para investir no agro. Sua fazenda-sede, a São
Marcos, localizada em Aurora do Pará, além de refúgio do ator,
tornara-se exemplo como agropecuária, preservação e tratamento
dispensado aos seus funcionários, colaboradores e familiares.
Nesses
mais de 50 anos, jamais deixou de causar frisson entre nós,
paraenses, a presença cotidiana do astro e da estrela nos
supermercados da vida e demais locais na rotina por aqui de ambos,
sempre muito discretos, mas impossíveis de passarem em branco nas
idas e vindas por todo esse período.
Estrelas desse quilate não morrem jamais, são eternas e assim permanecerão no imaginário popular dos que desfrutaram do talento e carisma de ambos.
Aqui
a nossa modesta e saudosa homenagem aos dois e a Laura Cardoso
também, amém. Que Deus os tenha no melhor lugar possível, porque
merecimento não lhes falta.
Novela da vida
Na
rotina da lassa vida em solo pátrio, as manchetes da semana
colocaram uma baita dúvida sobre os rumos da sucessão presidencial,
na medida em que vão sendo reveladas as traficâncias de Fábio Luíz
Lula da Silva e sua “par constante”, a tal da lobista Roberta
Luchsinger.
Aqui
e acolá dada como favas contadas, a reeleição do pai de Lulinha
passou a correr o risco real de ser tragada pelo que ainda pode
surgir no pântano onde habitam o tráfico de influência,
concussões, prevaricações, advocacia administrativa, corrupção
ativa e passiva, entre outras delinquências menos votadas.
Isso sem falar de boatos, rumores e disse-me-disse sobre grandes rebanhos e latifúndios e a relação pra lá de suspeita dos pilantras em escala global Wesley e Joesley Batista com o PT, Lula, Lulinha, et caterva.
O
primeiro filho que dizem hoje em dia morar na Espanha é o mesmo
sobre quem José Dirceu já dissera que gostava de “fabular”
sobre la doce vita dos donos do poder.
Em reportagem da
revista piauí de 2010, ele dissera sobre o nacional:
“Para
o Lulinha, não importa a verdade”. (...). “É assim: estamos
aqui tomando cerveja, neste hotel simples, à tarde. Quando o Lulinha
conta essa história, ele conta assim: ‘Estavam os dois, à noite,
tomando champanhe Cristal no Hotel Ritz, em Paris’. Ele quer
melhorar a história, ele fabula. O Lulinha pegava pesado.’ Na
ocasião, Dirceu disse ter procurado o presidente, que respondeu:
‘Você vai ficar enchendo meu saco por causa do Lulinha, Zé
Dirceu?’”
Este
é o Lulinha, o “Ronaldinho dos negócios”, segundo o pai,
“Lulão”.
Pois eis que neste exato momento, mais de
década e meia da entrevista de José Dirceu, o deslumbre do rapaz se
soma a possibilidade - que não é pequena - das suas tratativas e
lobbies atingirem em cheio o projeto de poder do pai.
Plutarco
Plutarco
(46 d.C.–120 d.C.), foi um historiador, biógrafo e filósofo
grego. É autor de Vidas Paralelas, entre outras obras. O livro é
uma compilação de 23 biografias de homens ilustres da Roma (onde
também viveu) e Grécia Antigas.
Decerto a comparação
entre o imperador Júlio César e Alexandre, O Grande, rei da
Macedônia, é o ponto máximo e mais famoso do livro dentre as
“vidas paralelas” sobre as quais imprimiu suas impressões.
Dito
isso, jamais aqui o intento foi fazer algo semelhante, além do
título deste texto, entre a gloriosa vida da atriz que nos deixou e
o filho pródigo ou problemático do clã Lula da Silva.
Pelo
contrário!
O único paralelo aqui, naquilo que Elio
Gaspari costuma chamar de “trapaça do destino”, foi a partida da
diva de vida pessoal impecável, além de admirável, na mesma semana
em que a casa começou a tremer ante o terremoto que deve significar
o que ainda pode surgir na vida de fausto e muita grana, pelo menos
desde 2003, do antigo monitor de zoológico que virara lobista top em
terrenos petistas.
“Senhor
monitor, por favor, onde fica a zebra?”
“Pode estar em
4 de outubro, mas, talvez, 25 daquele mês seja mais apropriado dela
se entocar por lá,” respondeu o monitor que ficou no seu lugar.
“Muito obrigado, Glória!”
“De nada”, disse o rapaz do zoológico.
Abre o olho,
Lulão.
