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A joia bicolor

Em abril deste ano, o Paysandu negociou sua maior revelação dos últimos anos para o clube mais popular do Brasil. O volante Pedro Henrique, de apenas 18 anos, foi vendido ao Flamengo por mais de 3 milhões de reais. Vai jogar na base  flamenguista e pelo talento que tem, vai ser observado com muito carinho pela CBF para uma possível convocação para a Seleção Brasileira de base. 

Há muito tempo queria escrever um texto dedicado exclusivamente a esse garoto, especialmente depois do título paraense o qual o Paysandu conquistou com um elenco recheado de meninos obstinados em brilhar.  

Outro fato que me chamou atenção foi uma foto que encontrei no Instagram de Pedro Henrique. Ele aparecia criancinha, ao lado do seu bolo de aniversário todo decorado de Paysandu ?Aquela imagem me enterneceu num grau que vocês não imaginam. Num mundo do futebol cada vez mais dominado pela força da grana, que ergue e destrói coisas belas, aquela foto representou um suspiro da paixão genuína do paraense pelo futebol. Um menino e seu bolo de aniversário com as cores do seu clube do coração. Quem poderia imaginar que poucos anos depois, ele se transformaria num diamante a ser lapidado por esse seu clube?

O que, finalmente, me fez escrever sobre PH, como Pedro Henrique é carinhosamente chamado pela torcida, foi a soberba atuação do jogador na vitória de virada contra o Confiança. Ali o volante mais parecia um torcedor com a chuteira nos pés, tamanha obsessão em ajudar o time. Correu por todas as partes do gramado, marcou na defesa, desarmou várias jogadas do Confiança, desarmou no ataque, ajudou na construção, chegou ao ataque. Simplesmente fez tudo em campo. O torcedor que assistiu a ele correndo nesse jogo, se sentiu representado por um garoto que, quando era um bacurizinho, comemorava seus aniversários com o bolo decorado de Paysandu. 

A esperança de vê-lo convocado para a Seleção de base não é um sonho distante. Não vejo, hoje, no futebol brasileiro, um volante com a idade de PH jogando no nível dele, com a mesma intensidade e maturidade.  Até seu temperamento explosivo em campo, que o levava a receber muitos cartões, foi amenizado. 

A Copa chegou ao fim deixando a Pátria de Chuteiras afundada numa crise de identidade. Não sabemos mais quem somos e como ressignificar o “país do futebol” Mas aqui em cima, num Pará que respira futebol, um garotinho apaixonado pelo Paysandu cresceu e virou uma  promessa nacional.




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Toni Remigio
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