As muitas camadas de um hexacampeão
A Copa do Mundo inicia no sábado para a Seleção Brasileira, mas o hexa já é uma realidade para o torcedor do Paysandu. Não foi só uma conquista improvável com a qual, mais uma vez, o Papão da Curuzu provou sua mística de superação. Foi uma conquista recheada de camadas humanas, heróicas, diria épicas. Perdão, leitores, mas qualquer hipérbole neste texto precisa ser relevada. O Paysandu se consagrou como campeão regional soberano, conquistando a tríplice coroa de títulos, não como um time de futebol, mas como uma família. Movida pela união, inclusão, oportunidades seladas como se fosse um pacto de sangue. O sangue azul e branco que cada atleta bicolor parece esguichar em toda jogada.
Gabriel Mesquita, Edilson, Quintana e Matheus Vargas estavam no time que foi rebaixado no ano passado e marcou uma cicatriz no coração da torcida bicolor. De um ano tenebroso ao apogeu de uma fase sublime, na qual o time levantou três troféus com uma equipe que tem horror às derrotas. E, acima de tudo, o comprometimento dessa equipe é um elemento comovente para qualquer espectador mais atento. Me diga, torcedor bicolor, há quanto tempo você não via tantos jogadores chorarem ao final de um jogo decisivo? Eu mesma, só lembro do choro de derrota de Gino, o histórico capitão bicolor, na perda da Copa Norte de 2001.
Nessa conquista do hexacampeonato da Copa Verde, choraram Edilson, Marcinho, Pedro Henrique e vários outros, os quais as câmeras não conseguiram alcançar. O choro era de alívio pela resiliência coroada. O volante Pedro Henrique pagou promessa atravessando o gramado de joelhos. Com apenas 18 anos e personalidade de veterano, o garoto foi vendido para o Flamengo. Enfrentou a desconfiança por parte de alguns torcedores de que não haveria o mesmo comprometimento com o time depois da negociação. Pedro Henrique mostrou que a garra do menino que prefere levar cartão a perder uma dividida, que luta pela bola como quem corre atrás de um prato de comida, permanece a mesma.
E o que dizer da identificação de Marcinho com o time? Ele parece jogar há anos no clube, transitando muito à vontade entre torcida, dirigentes e imprensa. E entendeu, genuinamente, o que é SER PAYSANDU
E para coroar uma temporada de conquistas e fortalecimento do grupo, Marcinho proporcionou uma das cenas mais bonitas dos últimos tempos, ao convidar Matheus Vargas, jogador que passou pelo drama recente de se machucar seriamente depois de meses se recuperando da contusão no mesmo joelho, para erguer o troféu de campeão e empunhando a braçadeira de capitão. Com esse gesto, Marcinho simbolizou o que agiganta essa equipe: a coletividade! Ali ninguém é mais do que ninguém. É uma família liderada pelo paizão Júnior Rocha. Que conhece cada filho, com suas fragilidades e idiossincrasias. E sabe retirar o melhor de cada um dos rebentos.
E é assim que a família Paysandu segue sua jornada encantada. Trazendo a paixão do torcedor pra dentro de campo e comprovando a sua predestinação para a glória. Que dádiva a de ser bicolor!
