Casas de apostas ameaçam romper contratos com clubes diante de novas regras do governo
Casas de apostas aguardam medida provisória sobre o setor; eventual proibição pode afetar patrocínios milionários no futebol brasileiro
Casas de apostas que patrocinam clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro começaram a notificar as equipes sobre a possibilidade de rescisão dos contratos de patrocínio caso o governo federal avance com uma medida provisória (MP) para proibir ou restringir as bets no país.
Entre as empresas que já tomaram medidas estão Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte. Corinthians, São Paulo e Fluminense estão entre os clubes que receberam alertas sobre uma possível ruptura dos acordos comerciais.
A situação depende do conteúdo final da medida que está sendo preparada pelo governo. Caso sejam proibidas todas as apostas de quota fixa, as empresas consideram que os contratos perderiam a possibilidade de continuidade. Se a restrição atingir apenas os cassinos e jogos on-line, a tendência apontada pelo mercado é de renegociação dos valores dos patrocínios.
Empresas estudam medidas judiciais
Além das notificações aos clubes, as casas de apostas já se preparam para uma possível disputa judicial contra o governo federal. Segundo informações obtidas pelo Estadão, empresas do setor avaliam questionar na Justiça uma eventual proibição das operações, sob o argumento de que a medida poderia contrariar o marco regulatório atualmente em vigor. Um escritório de advocacia já teria sido contratado para atuar no caso.
As empresas também argumentam que foram autorizadas a operar dentro de um mercado recentemente regulamentado pelo próprio governo. O setor avalia que uma mudança abrupta poderia gerar discussões sobre contratos, investimentos e valores pagos em outorgas.
Mais de R$ 1 bilhão em patrocínios
O impacto também pode atingir diretamente o futebol brasileiro. Em 2025, as empresas de apostas destinaram cerca de R$ 1,14 bilhão em patrocínios aos clubes, segundo levantamento citado pelo Estadão. Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A exibem marcas de bets no espaço principal das camisas.
Entre os maiores contratos está o da Betano com o Flamengo, que prevê pagamento anual de aproximadamente R$ 268 milhões. A Sportingbet também mantém acordo de grande porte com o Palmeiras, enquanto Superbet e Esportes da Sorte patrocinam outros clubes da primeira divisão.
Enquanto aguardam a definição do governo, alguns clubes já começaram a sondar possíveis novos patrocinadores para substituir as casas de apostas, caso os contratos sejam encerrados.
O governo ainda não havia divulgado, até a publicação das informações, o texto definitivo da medida provisória. O conteúdo final será determinante para definir os impactos sobre as empresas, clubes e contratos atualmente em vigor.
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