Clubes alertam para impacto de possível medida do governo contra bets
Manifesto foi divulgado após empresas de apostas sinalizarem que poderão revisar contratos caso o governo restrinja os jogos de cassino pela internet
Clubes e entidades do futebol brasileiro divulgaram, na quinta-feira (17), um manifesto em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas, em meio à possibilidade de o governo federal editar uma Medida Provisória (MP) para proibir os chamados cassinos online, como o jogo do Tigrinho. A proposta ainda estava em discussão e, segundo informações divulgadas por diferentes veículos, não atingiria diretamente as apostas esportivas.
A reação dos clubes ocorreu depois que empresas do setor sinalizaram que eventuais mudanças nas regras poderiam afetar contratos de patrocínio com equipes. Atualmente, 13 dos 20 clubes da Série A possuem contratos com empresas de apostas, segundo levantamento citado pelo Poder360. A estimativa apresentada no debate entre clubes é de que os patrocínios das bets representem cerca de R$ 1 bilhão por ano para as equipes da elite.
Entre os clubes que divulgaram o manifesto estão Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Palmeiras, Santos, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG, além das federações Paulista e Carioca. O documento também foi publicado por outras equipes do futebol brasileiro.
Clubes apontam impacto financeiro
No manifesto, os clubes afirmam que as empresas de apostas autorizadas se tornaram uma das principais fontes de receita do futebol e que os recursos também chegam a equipes menores, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial.
As entidades argumentam que uma mudança abrupta na regulamentação poderia afetar contratos já firmados, planejamentos financeiros e investimentos em estruturas como centros de treinamento, futebol feminino e categorias de base. Essas são, porém, avaliações apresentadas pelos próprios clubes no manifesto, e não uma estimativa independente sobre o impacto econômico da eventual medida.
Os clubes também defendem que o mercado regulado seja mantido, com reforço da fiscalização e dos mecanismos de proteção aos apostadores. No documento, as entidades afirmam que restrições poderiam favorecer a migração de usuários para plataformas clandestinas.
O que está sendo discutido pelo governo
Segundo a Reuters, o governo federal prepara uma MP para proibir os cassinos online. A proposta em discussão não incluiria as apostas esportivas, mas poderia afetar financeiramente empresas que atuam simultaneamente nos dois segmentos. Estimativas citadas pela agência apontam que entre 50% e 70% da receita de algumas operadoras vem dos jogos de cassino online.
Informações divulgadas pelo Broadcast também apontam que a medida poderia ser publicada antes do primeiro turno das eleições. O texto, contudo, ainda estava sob avaliação do governo e poderia sofrer alterações antes de uma eventual publicação.
Caso a MP seja editada, ainda haverá tramitação no Congresso Nacional. Também existe a possibilidade de questionamentos judiciais por parte das empresas afetadas, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
A discussão ocorre em um momento em que as casas de apostas têm presença significativa no futebol brasileiro, com contratos de patrocínio de clubes, competições e entidades esportivas. Para os clubes, o eventual impacto sobre essas receitas é uma das principais preocupações diante das mudanças em análise.
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