Em OESTADONET: Com 4 feminicídios em 2026, morte de Dayse Diniz comprova recrudescimento de violência contra mulher em Santarém
Jovem estava desaparecida desde a última quinta-feira. Caseiro de chácara, foragido da justiça de Uruará, confessou o crime
O município de Santarém registrou
quatro assassinatos de mulheres durante este ano.
O caso
mais recente ocorreu na semana passada, quando a jovem Dayse Diniz,
que estava desparecida há seis dias, após sair de um bar, no bairro
da Nova República, na última quinta-feira, 23, teve seu corpo
localizado no final da manhã desta quarta-feira, 29, em um ramal na
região do Eixo Forte, em Santarém. Um suspeito do crime está
preso.
O principal suspeito do crime, o caseiro da chácara
onde a jovem foi vista pela última vez, confessou o assassinato e
indicou o local onde ocultou o corpo, em uma área de pedreira na
comunidade São Brás, na região do Eixo Forte.
Segundo
as investigações, ele teria agido sozinho e sem motivação
aparente.
O suspeito foi identificado como João Pedro
Pereira dos Santos. Ele já estava preso após ser detido por roubo
no bairro Diamantino, na última sexta-feira (24), e, durante as
investigações conduzidas pela Polícia Civil, acabou confessando o
homicídio.
As investigações apontam que João Pedro
Pereira dos Santos era o caseiro da propriedade onde Dayse foi vista
pela última vez.
Conforme a Polícia Civil, ele
utilizava nomes diferentes durante a investigação para dificultar
sua identificação.
Além disso, foi constatado que o
suspeito era foragido da Justiça e possuía condenação por
feminicídio no município de Uruará, no sudoeste do Pará. A
polícia informou que ele responderá por mais este homicídio.
De
acordo com a delegada Milla Moura, responsável pelo caso, o Núcleo
de Inteligência (NI) trabalhou de forma ininterrupta desde o
registro do desaparecimento até chegar ao autor do crime.
"Infelizmente, ela foi encontrada hoje. Queremos
registrar nossos pêsames à família. Não era dessa forma que
gostaríamos de devolvê-la, mas infelizmente foi o que aconteceu.
Após as investigações, chegamos ao autor, que
confessou o crime e nos ajudou a localizar o corpo", afirmou a
delegada.
Segundo Milla Moura, João Pedro é o mesmo
homem preso por roubo dias após o desaparecimento da jovem.
Ela
classificou o caso como mais um episódio grave de violência contra
a mulher registrado recentemente em Santarém e afirmou que a Polícia
Civil seguirá atuando para responsabilizar os envolvidos.
As buscas contaram com equipes do Núcleo de Inteligência da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros Militar, Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e policiais civis que participaram das diligências durante seis dias.
O sargento Júnior, do 4º Grupamento de Bombeiros Militar, explicou que as equipes realizaram varreduras em áreas de mata utilizando cães farejadores, seguindo as informações levantadas durante a investigação.
"Recebemos a missão de apoiar a Polícia Civil. Fizemos as buscas a partir das informações repassadas pela investigação, iniciando na área da chácara e avançando até esta pedreira, onde os cães já indicavam o rastro da vítima", disse.
No momento da localização do corpo, o suspeito foi levado até a área sob escolta de agentes da Seap e indicou o ponto exato onde havia deixado a vítima. O corpo já estava em avançado estado de decomposição e foi removido para perícia.
A
motivação do crime ainda está sendo apurada pela Polícia Civil. O
caso segue sob investigação para esclarecer todas as circunstâncias
do assassinato.
Violência
contra mulher
Os casos recentes acendem um alerta urgente
sobre a necessidade vital de identificar os primeiros sinais de
perigo e acionar a rede de proteção antes que as ameaças se tornem
fatais.
Em
março, Caroline Fontineli Carneiro Pereira, de 26 anos, foi morta
pelo namorado dentro de um carro, nas proximidades do viaduto de
Santarém.
O suspeito, o policial penal Renato Matos
Parente, permaneceu internado por mais de três meses após o crime e
morreu no último dia 3 de julho no Hospital Municipal de Santarém.
Poucas semanas depois, em 19 de julho, Tainá Yarina dos Santos Cardoso, de 29 anos, teria sido morta durante uma briga doméstica com o companheiro, o advogado Wlandre Gomes Leal, no bairro Aparecida. O suspeito foi preso e teve a prisão temporária decretada por 30 dias pela Justiça.
No
último sábado, 25. Edmara de Sousa Góes, de 22 anos, natural da
vila de Curuai, foi encontrada morta em um terreno baldio no bairro
Maracanã.
A Polícia Civil identificou um adolescente
como principal suspeito do crime. Ele já foi apreendido. Uma mulher
que lhe deu abrigo, a pedido do pai do menor, foi presa durante a
operação policial.
Nesta
quarta-feira, 29, foi confirmada a morte de Dayse Diniz, desaparecida
há seis dias.
Com informações:
www.oestadonet.com.br
Crédito imagem: Reprodução
