EM OESTADONET: Daniel Govino, brigadista preso injustamente acusado de incendiário está na linha de frente no combate ao fogo, 7 anos depois
Prefeito Zé Maria Tapajós encontrou-se com Daniel próximo à área atingida para apoiar a ação da Brigada de Alter do Chão e bombeiros; prefeitura pede apuração
De Santarém
Informações
atualizadas na manhã deste sábado, 31, segundo
imagens do satélite da Nasa, plataforma Firms, de que
não houve registros de
focos de calor em Alter do Chão.
No dia 03 de setembro deste ano, um incêndio foi detectado em Alter do Chão por meio de imagens de satélite, com o uso do sistema Panthera Software, disponibilizado à organização por meio de uma parceria com a empresa Um Grau e Meio. A identificação foi posteriormente confirmada por meio de um sobrevoo com drone.
Naquela
oportunidade, o combate mobilizou equipes da Brigada Alter e do Corpo
de Bombeiros, que enfrentaram calor intenso, ventos fortes e grande
quantidade de vegetação seca.
As chamas foram
controladas durante a noite, mas a área continuou sendo monitorada
para confirmar a extinção total do fogo. Não se sabe oficialmente
se houve investigação policial para apurar a participação de
responsáveis por esse incêndio.
Dois meses depois, na noite desta sexta-feira(30 de outubro), o fogo voltou a brotar em uma área de savanas de Alter do Chão, distrito do município de Santarém, no oeste do Pará. E mais um vez, na linha de frente de combate ao incêndio um nome volta a se destacar: Daniel Gutierrez Govino.
Tão logo soube do ocorrido, o prefeito Zé Maria Tapajós se dirigiu até Alter do Chão e lá, junto com Daniel, que já estava atuando próximo á área atingida pelo fogo, tomou as providências necessárias, mobilizando apoio e estrutura para atuação dos brigadistas.
"Estamos em Alter do Chão, acompanhando de perto a situação do incêndio de grandes proporções que atinge a região. Nossas equipes da SEMMA já estão mobilizadas, junto aos bombeiros e brigadistas Alter do Chão. Também acionamos a Polícia Civil e a Polícia Militar para reforçar os esforços de combate ao fogo. Seguimos trabalhando para controlar a situação o mais rápido possível, proteger nossa população e preservar o nosso meio ambiente", afirmou o prefeito de Santarém, nem vídeo publicado em redes sociais.
Nesse mesmo vídeo, Daniel explica para o prefeito Zé Maria as providências que já estavam sendo tomados e fez apelo para que a comunidade fizesse doações de água e alimentos para as equipes que passariam a madrugada no trabalho de debelar as chamas.
No final da noite, a prefeitura de Santarém emitiu nota oficial e informou que acionou a Polícia Civil para investigação acerca do ocorrido que pode ter sido criminoso.
Na
época, a investigação policial levantou a hipótese de que os
brigadistas teriam iniciado as queimadas para depois arrecadar
doações destinadas ao combate ao fogo.
Os quatro foram
soltos dois dias depois, por decisão judicial, e o caso ganhou
repercussão nacional e internacional. Algumas lideranças de Alter
do Chão alertam que no momento não é necessária arrecadação de
quaisquer espécie e sim concentrar os esforços nas investigações
da origem e autoria do fogo.
Em manifestação nas redes sociais, o prefeito afirmou que os bombeiros e os brigadistas de Alter do Chão já estavam atuando no combate às chamas. Ele também confirmou que havia conversado com Daniel, da Brigada de Alter, sobre a operação.
A
situação é considerada grave. Segundo João Victor Pereira Romano,
também integrante da rede de brigadistas da região, o combate
durante a noite representa um grande desafio.
Ele
informou que a vegetação acumula mais de sete anos de material
combustível, condição que favorece o comportamento extremo do
fogo.
Mesmo
estando em Rondônia, João Romano acompanha a mobilização e
informou que equipes de reforço estavam sendo deslocadas para Alter
do Chão.
Dez brigadistas da Brigada Pronto Emprego Tiro
Quente, de Brasília, que chegaram à região nesta sexta-feira,
devem reforçar o combate a partir da manhã deste sábado, 31.
Também está prevista a utilização de três aeronaves
Air Tractor para lançamento de água sobre os focos de incêndio.
A liderança comunitária Maria Eulália, moradora de Alter do Chão, afirmou que a mobilização para ajudar os brigadistas é grande, mas ressaltou que a comunidade quer mais do que o controle das chamas. Ela cobra perícia e responsabilização de possíveis envolvidos em práticas de grilagem de terras na região.
Segundo Maria Eulália, Alter do Chão é um território marcado por disputas fundiárias e os incêndios recorrentes exigem uma resposta efetiva das autoridades.
O empresário Saulo Jennings, proprietário da Casa do Saulo, também se manifestou sobre a situação. Ele defendeu a criação de um parque ambiental estadual ou federal no entorno de Alter do Chão como medida para ampliar a proteção da vegetação e impedir novas ocupações irregulares.
Jennings
destacou a importância da vegetação de savana para o equilíbrio
ambiental, especialmente na preservação dos recursos hídricos e na
recarga do Aquífero Alter do Chão.
Ele também
ressaltou que a preservação da região é fundamental para o
turismo e para as futuras gerações.
Além dos danos ambientais, a fumaça representa um risco à saúde da população. Dados da plataforma PurpleAir, registrados às 6h27 deste sábado, 31, apontavam índices elevados de poluição por partículas finas PM2.5 em municípios da região.
Em
Santarém, foram registrados pontos com índices de qualidade do ar
de 159 e 127. Em Belterra, o indicador chegou a 157, enquanto em
Alter do Chão atingiu 133.
Na escala utilizada, esses
valores representam condições prejudiciais à saúde, especialmente
para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
A Prefeitura informou que continuará oferecendo suporte às equipes envolvidas no combate ao incêndio, com o objetivo de reduzir os impactos ambientais e proteger a população.
A prioridade neste momento é controlar as chamas. Mas, para os moradores e defensores ambientais, a resposta das autoridades não pode terminar quando o fogo for apagado.
A
comunidade cobra investigação sobre as causas do incêndio,
realização de perícia e identificação de eventuais responsáveis.
De volta à cena da injustiça
No
âmbito das investigações policiais acerca do incêndio ocorrido em
setembro de 2019, em Alter do Chão, foram presos e depois
libertados quatro bigradistas voluntários sob a acusação de
suposto envolvimento com a queima de uma área de savana conhecida
como Capadócia.
Um dos brigadistas, Daniel Gutierrez
Govino, era funcionário do Projeto Saúde & Alegria. Ele havia
atuado intensamente no combate ao fogo, mesmo assim, foi injustiçado.
“Aquelas
acusações absurdas premiaram os incendiários, que seguem queimando
e ganhando dinheiro com a ocupação ilegal de terras. E puniu quem
estava lá ajudando no combate, como o pessoal da Brigada de Alter. E
acaba punindo a sociedade em geral, pois gera um receio nas pessoas
de denunciar um fogo e depois serem acusadas de terem ateado. É
preciso mudar isso, importante sim que a comunidade santarena,
através das nossas autoridades, reconheça publicamente toda
essa injustiça, e valorize a importância dessas brigadas
voluntários. A situação climática só tende a piorar, é preciso
somarmos, não o contrário. Todo nosso apoio aos órgãos públicos
e à Brigada de Alter nesse combate a mais um triste incêndio nessa
região".
A afirmação é de Caetano Scannavino,
dirigente do Projeto Saúde& Alegria, entidade não governamental
que também sofreu perseguição policial àquela época, e que
também foi inocentada pela justiça.
Em
agosto de 2020, inquérito da Polícia Federal instaurado para apurar
as causas do incêndio que atingiu as matas em torno de Alter do
Chão, em Santarém não aponta culpados e indiretamente inocenta
brigadistas e integrantes da Brigada de Incêndio Florestal de Alter
do Chão, apontados pela Polícia Civil do Pará como autores do
crime.
Mas a farsa foi desmontada pelo Portal OESTADONET,
que apontou erros grosseiros da investigação e denunciou que uma
das testemunhas havia mentido ao acusar os brigadistas.
O autor de um dos seis depoimentos que baseiam o indiciamento dos brigadistas voluntários de Alter do Chão (PA) pelos incêndios na região disse que a suspeita relatada à Polícia Civil do Pará e revelada pelo blog foi dita originalmente ‘em tom de brincadeira’. OUÇA AQUI
Sem apontar autores para o incêndio, o relatório da Polícia Federal inocenta, por tabela, os brigadistas Daniel Gutierrez Govino, João Victor Pereira Romano, Marcelo Aron Cwerner, Gustavo de Almeida Fernandes, da Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão, além do brigadista Ronnis Repolho Blair, que não faz parte da Brigada de Alter.
E
na noite desta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, Daniel se deslocou
à área de savana queimada, vizinha ao local onde atuou para apagar
o fogo e recebeu como pagamento a injusta prisão.
Desta
vez, espera-se que verdadeiros autores de queimar a Amazônia, esses
sim, sejam mandados para a cadeia.
Com
informações: www.oestadonet.com.br
Crédito imagem: Reprodução OESTADONET
