Em OESTADONET: Governo do Pará decreta luto oficial pela morte de Zélia Amador de Deus
Ex-vice-reitora da UFPA, ela foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), organização que se tornou referência na luta antirracista na região
A governadora do Pará, Hana Ghassan, decretou luto oficial de três dias pela morte de Zélia Amador de Deus, uma das principais referências da luta antirracista na Amazônia e ex-vice-reitora da Universidade Federal do Pará.
O
decreto, assinado nesta terça-feira, 08, reconhece a trajetória da
professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), além de
sua atuação como atriz, escritora, diretora de teatro e militante
do movimento negro.
A
homenagem começou a valer no dia 8 de setembro e considera a
contribuição de Zélia para a defesa da população negra no Pará.
Ela foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa
do Negro do Pará (Cedenpa), organização que se tornou referência
na luta antirracista na região. Zélia morreu aos 76 anos, nesta
terça-feira.
O velório acontece no Teatro Experimental
Waldemar Henrique, em Belém. A UFPA também decretou luto oficial de
três dias em homenagem à professora, que dedicou mais de cinco
décadas à instituição.
Um
dos últimos gestos de Zélia na universidade foi simbólico: o
plantio de um baobá, árvore associada à ancestralidade, memória,
resistência e continuidade dos povos africanos e afrodescendentes.
A imagem resume uma trajetória marcada pela defesa da
memória e pela construção de caminhos para as novas gerações.
A
relação com a UFPA começou em 1971, quando Zélia ingressou no
curso de Letras. Depois de se formar, em 1974, retornou à
instituição como professora, em 1978.
Sua atuação
passou pelas artes, pelo ensino, pela pesquisa e pela gestão
universitária. Entre 1989 e 1993, dirigiu o então Centro de Letras
e Artes e, entre 1993 e 1997, foi vice-reitora da Universidade.
Na década de 1970, também construiu uma importante trajetória no teatro. Em 1976, participou da fundação da Companhia de Teatro Cena Aberta e atuou em diferentes montagens, além de dirigir trabalhos e contribuir para a formação artística na UFPA.
A militância contra o racismo acompanhou toda a trajetória acadêmica e artística. Em 1980, Zélia esteve entre os fundadores do Cedenpa e, em 2001, integrou a representação brasileira na Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban, na África do Sul.
Na UFPA, participou ainda da criação do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM) e das discussões que contribuíram para a adoção de políticas de ações afirmativas e reserva de vagas na universidade.
Doutora
em Ciências Sociais pela própria UFPA, Zélia também transformou
sua experiência de vida e militância em produção intelectual.
Em 2019, publicou Ananse tecendo teias na diáspora,
obra inspirada na figura do símbolo ligado à tradição africana e
utilizado por ela para refletir sobre resistência, ancestralidade e
as redes construídas pela população negra.
Ao longo de décadas, Zélia aproximou arte, universidade e movimento negro, deixando marcas na cultura, na educação e nas políticas de inclusão no Pará.
Com
informações: www.oestadonet.com.br
Crédito imagem: Africanize/Arquivo
