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Em OESTADONET: Ministério Público investiga madeireira por suspeita de fraude em Rurópolis

Segundo os documentos encaminhados ao MPPA, fiscais encontraram cerca de 849,4 metros cúbicos de madeira em tora no pátio da madeireira

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) abriu um inquérito civil para investigar a Madeireira Esperança Indústria e Comércio de Madeiras Eireli e o sócio Liceu Alberto Veronese, em Rurópolis, no sudoeste do estado, por suspeitas de irregularidades envolvendo madeira nativa e informações inseridas no sistema oficial de controle florestal do Pará.


A investigação foi instaurada pela Promotoria de Justiça de Rurópolis no dia 18 de agosto.

 

A apuração tem como base uma fiscalização realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no estabelecimento da empresa.

Segundo os documentos encaminhados ao Ministério Público, os fiscais encontraram aproximadamente 849,4 metros cúbicos de madeira em tora no pátio da madeireira, enquanto o sistema oficial registrava saldo de cerca de 473,4 metros cúbicos de créditos florestais.

 

O relatório de fiscalização aponta ainda que as toras encontradas no local não apresentavam identificação que permitisse relacioná-las às árvores, planos de manejo ou autorizações de exploração declaradas.

Para o Ibama, há indícios de que parte da madeira não possuía comprovação de origem legal e que créditos florestais podem ter sido utilizados de forma irregular.

 

A situação também resultou na lavratura do Auto de Infração nº 0MA1527P, em novembro de 2025.

De acordo com o documento, a empresa teria inserido informação falsa em sistema oficial ao declarar o recebimento de 473,441 metros cúbicos de crédito florestal de madeira em tora, embora a fiscalização tenha apontado que as toras encontradas no pátio seriam de origem clandestina e não teriam correspondência física com os créditos registrados.

 

O inquérito civil instaurado agora pelo Ministério Público busca apurar a responsabilidade civil da empresa, do sócio e de eventuais terceiros relacionados às AUTEFs nº 274074/2022, nº 274207/2022 e nº 274505/2023, que são autorizações vinculadas à exploração florestal.

 

A Promotoria também pretende identificar quem realizou ou autorizou movimentações no SISFLORA/CEPROF, sistema utilizado para o controle da movimentação de produtos florestais no Pará.

A investigação deverá verificar a origem dos créditos, as guias florestais, romaneios e demais documentos relacionados às cargas de madeira.

 

Entre as providências determinadas pelo Ministério Público está a requisição ao Ibama de uma cópia integral e atualizada do processo administrativo que trata da fiscalização.

O órgão deverá encaminhar fotografias, vídeos, planilhas de cubagem, termos de apreensão, suspensão e destinação, além das manifestações apresentadas pela empresa e das decisões administrativas.

 

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) também foi acionada para fornecer o histórico das movimentações realizadas no SISFLORA relacionadas às três AUTEFs investigadas, além de identificar responsáveis legais, técnicos e usuários que tenham efetuado ou autorizado lançamentos no sistema.

 

O Ministério Público determinou ainda que seja verificada a existência de outros procedimentos, inquéritos policiais ou processos judiciais relacionados à madeireira, ao sócio, ao auto de infração e às autorizações florestais mencionadas na investigação.

 

Caso não exista inquérito policial sobre os fatos, a Promotoria determinou que uma cópia integral dos autos seja encaminhada à Polícia Civil de Rurópolis para apuração de possíveis crimes.

 

A investigação também deverá esclarecer se houve bloqueio, suspensão, utilização ou estorno dos créditos florestais e identificar a eventual participação de outras pessoas nas irregularidades.




Com informações: www.oestadonet.com.br
Créditos: Imagem ilustrativa 






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Toni Remigio
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