Lúcio Flávio Pinto em OESTADONET: O herói do Tapajós
Série dedicada à preservação dos arquivos materiais e imateriais de Santarém, estado do Pará, revela nuances da política, da sociedade e da economia, nos séculos XIX e XX
O imperador Pedro II deu a Francisco Manuel Antônio Monteiro, herdeiro de pais portugueses, o sobrenome de Tapajós, “herói do Tapajós”, como passou a ser conhecido em Santarém, para onde se transferiu vindo de Óbidos, onde nasceu em 15 de agosto de 1815.
Em 1837, em Santarém, com o combate entre as tropas do império e os cabanos, Francisco colocou à disposição do governo uma das suas escunas.
Armada com canhões, foi entregue ao comando do tenente da marinha brasileira Modesto Leal.
Os legalistas derrotaram os cabanos na Aldeia, sendo o combate decisivo para que os rebeldes continuassem a subir o rio Amazonas. Até serem beneficiados pela anistia.
O próprio Francisco seguiu para Manaus, onde se estabeleceu, já como coronel-comandante da Guarda Nacional, que participou da guerra do Paraguai.
A partir daí entrou na atividade política, sendo eleito algumas vezes e presidindo a Assembleia Provincial do Amazonas.
Morreu em 1880, em Manaus. Em dois casamentos. teve 18 filhos, 77 netos, 174 trinetos. 267 tetranetos e um pentaneto, segundo levantamento da genealogia elaborada por Hugo Tapajós e publicada em São Paulo, em 1972.
Trata-se de uma figura da maior importância no magistério e na economia ao tempo doa província do Amazonas(1852-89). Foi Professor do Colégio Marinho, professor efetivo de Ciências Físicas e Naturais, para concurso de diversas escolas, professor do Colégio Brasileiro(1882).
Alcançou
a patente de tenente-coronel e Comandante Superior da Guarda Nacional
no Amazonas, em 1865.
Financiado
pelo governo provincial e na forma de seu tino empresarial, criou a
primeira olaria a vapor na em Manaus (1866). Contratou com o Governo
Provincial a obra da Câmara Municipal (1852/53) e em 21 de março de
1853 a conclusão da obra da cadeia da capital e a sala da Câmara
Municipal destinada a reuniões. (fls. 195 do Vol. 1 do Rel. da
Prov.).
Mandou
vir da Europa, com apoio financeiro do governo da província, vários
equipamentos de porte industrial para época, usados nas cidades mais
desenvolvidas, como um locomóvel amassador, um bomba de alta
pressão, formas de furo (1869).
A
olaria era nas proximidades do porto de Manaus, e abastecia as obras
públicas, pagando as dividas de aquisição de materiais e
equipamentos, com produto, desde 1866.
Francisco Manuel Antônio Monteiro Tapajós, o “Herói de Tapajós”, é tetravô do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.
A genealogia de Flávio Dino foram levantadas por uma dissertação de mestrado em Ciências Sociais apresentada à Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em 2007. O trabalho chama-se “A Tradição Engajada: origens, redes e recursos eleitorais no percurso de um agente”, do advogado José Barros Filho.
“Nicolau Dino (o avô de Flávio Dino) descende de uma tradicional família ‘amazonense’, a família Tapajós”, diz um trecho da dissertação. A linhagem começa com Francisco Tapajós (1815-1877), tetravô de Flávio Dino. Francisco “tornou-se um próspero proprietário de terras às margens do Rio Tapajós, na então província do Grão-Pará. Colaborou com o governo provincial no combate à ‘Revolta dos Cabanos’ (a Cabanagem) e, em sinal de gratidão pelos serviços prestados, foi proclamado pelo imperador D. Pedro II ‘Herói de Tapajós’”.
*Colaborou
Miguel Oliveira, editor do Portal
Com
informações: www.oestadonet.com.br
Crédito
imagem: Francisco Antônio Monteiro
Tapajós
https://www.memoriadefamilia.com.br/index.php?apg=arvore&&idp=8671
