A era do Juniorzismo
Desde a conquista do Parazão, já queria escrever sobre o técnico do Paysandu: Júnior Rocha. O gaúcho foi muito além de seguir o planejamento imposto pela diretoria, de fazer um time barato e apostar na garotada da base. Júnior Rocha abraçou o projeto com a obsessão dos predestinados, e o coração do tamanho do Mangueirão para acolher e impulsionar cada história de vida carregada pelos jogadores.
Mas, apesar da vontade de destacar o trabalho do treinador, resolvi esperar mais um pouco. A hora chegou. Precisamos falar sobre Júnior Rocha, o técnico que tem uma fome insaciável de gols. A goleada de 5 x 1 sobre o Águia, que garantiu o Paysandu na final da Copa Norte, foi o quarto jogo seguido em que o time bicolor balançou as redes sem nenhuma cerimônia. Foram 16 gols em 4 jogos, média de 4 gols marcados por partida.
Assim, a torcida bicolor vive um novo tempo. Antes, como é habitual no futebol, era comum assistir ao tim se fechar depois de estar à frente do placar. Hoje, retranca é palavra proibida na era Júnior Rocha. O treinador prioriza a organização tática sem abrir mão da presença incessante na área adversária. A torcida agradece. Assistir ao seu time ir pra cima, em transições bem ordenadas entre defesa e ataque, faz um bem danado. Pra vista e pro coração.
Além das 4 linhas, Júnior Rocha reúne características bem interessantes: ao mesmo tempo em que tem uma aparência mais firme, com músculos bem desenhados e assertivos, o jeito de sorrir e de se expressar transmite ternura e acessibilidade. Esse contraste cria um equilíbrio curioso para um treinador de futebol, reforçado ainda por um rosto de traços finos e lânguidos. Cara de “bom moço”, diriam nossas avós.
E foi assim, comparado a um super-herói estilo “Homem de Pedra”, pelos memes e figurinhas criados pela torcida, que o técnico bicolor virou a chave no Paysandu. Sabemos que ao contrário dos super-heróis, ele não é infalível. Mas, independente do ciclo implacável do futebol, ele já tem seu nome guardado na história. Transformou os limões de um clube ferido pelo rebaixamento e em crise financeira, em uma deliciosa caipirinha brindada a cada gol bicolor.
