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De “Chico” à “Ofélia”: a virada de Luísa Sonza

Tão incessante quanto o assunto “travessia do Pikachu”, nos últimos dias, na Internet, vem sendo “ A Sina de Ofélia”. A música chiclete, para quem não sabe, foi criada com inteligência artificial por fãs da cantora Luísa Sonza e de Dilsinho.

Ela é uma versão nacional de 'The Fate of Ophelia' (O Destino de Ofélia) da cantora norte-americana Taylor Swift, e viralizou de forma estrondosa no Tiktok, já que o Spotify não permite a reprodução de músicas criadas por IA.

A letra de “Ofélia”faz uma referência clara e direta a uma das personagens mais representativas da obra de Shakespeare: Hamlet. Ela é símbolo da condição feminina diante de um mundo dominado por homens e marcado por ambições e traições.

Ofélia se apaixona por Hamlet, mas é manipulada de forma cruel, enlouquece, e morre tragicamente, afogada por suas expectativas e desilusões.

Taylor Swift mudou o destino original da personagem e propôs, na música, uma espécie de resgate. Diferente do texto de Shakespeare, na música Ofélia encontra salvação. Um tapa na cara do patriarcado e do machismo estrutural.

O fato de a versão nacional da música, e sua ode à revanche feminina, ter sido criada por fãs de Luísa Sonza faz todo sentido ao lembrarmos da proporção que tomou a vida pessoal da cantora depois que ela se apaixonou pelo influencer Chico Veiga, em 2023.

Em setembro daquele ano, em meio ao frenesi de seu início de relação com o influencer, Luísa compôs a música “Chico” e, assim como hoje, virou o assunto da vez na internet.

A canção era uma ode ao amor romântico, embalada por um violão gostoso e uma voz docinha. “Insuportável”para uns, “chatinha” para outros, “Chico” gerou discussões em torno do seu gênero musical. Porque para desespero dos chatos e mal amados, Luísa Sonza, com seus, então, 25 aninhos de hormônios em ebulição, se tornava a primeira artista brasileira a levar uma canção de bossa nova para o topo das paradas digitais. Sim, era bossa nova. Caetano Veloso falou. E se Caetano falou, tá falado.

O Spotify não parava de reproduzir o “Chico, se tu me quiseres, sou dessas mulheres de se apaixonar…”Uma clara referência à música “Folhetim”, do Chico Mor, o Buarque. Mas ao contrário da mulher buarqueana de Folhetim, Luísa não estava mais a fim de ser essas mulheres de uma coisa à toa, uma noitada boa, que só dizem sim. Ela mesma, que já cantou “Onde eu quico,
onde eu sento,
eles me pedem em casamento”, agora se debruçava e se derramava no amor exclusivo ao Chico.

Diziam pra mim que essa moda passou.
Que monogamia é papo de doido.
Mas pra mim é uma honra
Ser uma cafona pra esse povo”, provocava Luísa em sua transgressora canção.

A Luísa Sonza que senta, que quica, que rebola, que já foi acusada de “satanismo” por evangélicos, em um de seus clips, que já foi apedrejada na internet, acusada de adultério na relação com o comediante Whindersson Nunes, fez uma das músicas mais comentadas de 2023 esguichando lirismo. E isso foi de uma beleza estonteante e perturbadora.

Mas, poucos meses depois, o príncipe virou um sapo. Entre lágrimas da cantora e a comoção de gente como eu, entre os espectadores, Luísa fez a revelação ao vivo, durante um programa de Ana Maria Braga: foi traída pelo “Chico Moedas”

Hoje, Luísa curte o presente dado pelos fãs, com a criação de mais um hit tecnológico, o qual ela nem precisou compor. Vive uma paixão real com um cirurgião plástico português, infinitamente mais interessante do que o tal Chico e, assim como a Ofélia da música, aprendeu que a vingança feminina é um prato que se come cantando. E sem fazer o menor esforço…  


Imagem ilustrativa gerada por IA.




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Toni Remigio
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