Em meio à crise, presidente do STF cancela novamente sessão plenária
Desse modo, Edson Fachin evita encontro público entre ministros
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou a sessão plenária desta quinta-feira, 10, em meio ao agravamento de uma crise entre ministros da própria Corte.
Fachin já
havia cancelado a sessão de quarta-feira, 09, horas depois de o
ministro Flávio Dino ter determinado a reintegração de Andrei
Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF),
revertendo decisão do dia anterior do ministro André Mendonça, que
havia afastado o delegado de suas funções.
A
guerra de liminares é o episódio mais recente de um embate público
entre duas alas do Supremo, uma aliada a Mendonça e outra ao
ministro Alexandre de Moraes.
Ao
cancelar as sessões plenárias desta semana, Fachin evita um
encontro público entre os ministros do Supremo antes do julgamento
que marcou para a próxima terça-feira, 15, sobre um relatório da
Polícia Federal (PF) que vincula Moraes ao ex-banqueiro Daniel
Vorcaro.
Desde
a semana passada, Mendonça e Moraes protagonizaram um embate público
sem precedentes na história recente do STF, com a divulgação
recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de
investigação.
Crise
institucional
A crise veio à tona com a retirada do sigilo, por Mendonça, de relatórios parciais da Operação Compliance Zero, da qual é relator e que tem como alvo a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.
No
material divulgado constam 52 mensagens que os investigadores do caso
dizem terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.
Nelas, o
ex-banqueiro demonstra proximidade com o ministro e aparenta ter
encaminhado a ele um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o
escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do
ministro.
Em
outro trecho, Vorcaro parece buscar junto a Moraes informações
sobre uma possível operação da PF para prendê-lo. As respostas do
interlocutor ao ex-banqueiro não puderam ser resgatadas, informaram
os investigadores.
Até
o momento, Moraes nega qualquer contato com o ex-banqueiro. Logo em
seguida à divulgação do material, o ministro tornou público um
“relatório de inteligência” da PF segundo o qual Mendonça
sugere direcionamento contra desafetos políticos na condução do
caso Master.
O
documento apresentado por Moraes, contudo, não é assinado nem traz
qualquer marca da Polícia Federal. O ministro pediu a Fachin que
Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade
administrativa e crime de responsabilidade.
Chefia
da PF
Nesta
semana, apontando o que seriam nulidades desse documento, Mendonça
afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, das suas funções.
A medida foi revertida no dia seguinte pelo ministro
Flávio Dino. Ambas a decisões, contudo, acabam derrubadas por
Fachin.
Com informações e imagem:
Agência Brasil
