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Na Folha: EUA dizem que é absurda fala de chanceler brasileiro sobre risco de uso da força contra PCC e CV.

Governo Trump classifica falas do ministro Mauro Vieira como 'alegações vagas' e afirma que as facções brasileiras operam em solo americano

Reportagem assinada pela correspondente Isabella Menon, de Washington, publicada na Folha de S. Paulo em sua edição online na noite desta terça-feira, 07, afirma que o governo do presidente americano Donald Trump classificou nesta terça-feira, 07, como "absurda" a fala do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ao afirmar que existe a possibilidade de os EUA forças militares em território brasileiro.


A fala de Vieira ocorreu depois de o governo americano classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.


Em resposta a um pedido de informações enviado pela Câmara dos Deputados pelo deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), o chanceler afirmou haver uma "possibilidade de o uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro".

A mensagem do brasileiro veio a público nesta segunda-feira, 06.


De acordo com o texto publicado no periódico paulista, um porta-voz do Departamento de Estado americano rebateu a declaração, afirmando que os EUA "estão adotando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas".


Segundo ele, "essas facções brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e nós defenderemos nosso povo contra elas".


Para Washington, "alegações vagas sobre uma suposta intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e dar suporte a alguns dos grupos mais violentos do mundo".


"O governo Trump reconheceu PCC e CV como terroristas há um mês. A decisão contrariou o governo Lula e ocorreu dias após uma visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente dos EUA. O pré-candidato à Presidência é um defensor da medida", escreveu a repórter.


Segundo Mauro Vieira, em momento algum o Brasil foi consultado formalmente pelos EUA para a decisão do governo Trump. O chefe do Itamaraty declarou, na resposta ao deputado, que se trata de um ato unilateral e enfatizou que o governo brasileiro tem se manifestado contra a medida.


O requerimento de informações do deputado também questiona se o governo tem adotado medidas de cooperação internacional para "o enfrentamento de organizações criminosas de atuação transnacional".

Vieira afirmou que o ministério "tem buscado traduzir no plano diplomático a prioridade atribuída pelo governo brasileiro à segurança pública e ao combate ao crime organizado".


O ministro escreveu que esse esforço "baseia-se no reconhecimento da dimensão transnacional do crime organizado" e que será impossível superar o problema "sem cooperação" com outros países.


Na resposta de Vieira ao deputado, o chanceler afirmou ainda que o reconhecimento das facções como terroristas pode ter "impactos relevantes tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional".


O diplomata ainda diz que a designação "não trará benefícios concretos para a cooperação internacional" entre os países.




 Com informações: www.folha.com.br
Crédito ilustração: reprodução






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Toni Remigio
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