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O encanto eterno de Lô Borges

O domingo foi de saudade acentuada pelos que se foram. O 2 de novembro, Dia de Finados, aguça um sentimento recorrente, para quem já perdeu filha e pais, em algo latente. E foi num 2 de novembro que, há um ano, o cantor e compositor mineiro Lô Borges partiu. 

Logo ele, o caçulinha do Clube da Esquina, o menino prodígio que compôs a icônica “Para Lennon & Mc Cartney” com apenas 17 anos. Lô se foi dentro de um trem azul, como o que inspirou uma de suas mais celebradas canções, deixando um rastro inconfundível de delicadeza e complexidade musical. 

A arte do caçula dos irmãos Borges, que ajudaram a fundar o maior movimento musical do Brasil, na opinião desta cronista que vos escreve, continua sendo meu refúgio diário para as dores da vida. Músicas como “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”, “A Força do Vento”, “Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor”, “Feira Moderna” e “ A Via-Láctea” têm um poder instantâneo de transformar o silêncio em acolhimento. 

As canções costumam atuar como portais que revivem o passado, guardando afetos, saudades e rostos que não estão mais neste plano. Mas no caso de Lô Borges, esse portal me traz de volta para a vida. Me renova, revigora, pulsa em energia vital. É como se um velho amigo tivesse viajado pra muito longe, e me ligasse frequentemente para dizer as coisas bonitas as quais costumávamos nos falar.

Foi assim, sorvendo Lô Borges no Dia de Finados, que transformei a melancolia desse domingo de saudade numa vontade danada de viver.




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Toni Remigio
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