Um encontro de campeões
A noite do futebol paraense, nesta quarta-feira, trouxe a já esperada classificação azulina para as oitavas de final da Copa do Brasil, depois de vencer o Bahia por 2x1 no Mangueirão, e a eliminação do Paysandu após o empate em 2 x 2 com o Vasco, em São Januário.
Mas hoje não quero falar sobre resultados ou classificações. Quero abrir vários parênteses para exaltar uma cena emocionante, que aconteceu no gramado de São Januário, antes da partida entre Vasco x Paysandu.
Em um gol de placa fora das 4 linhas, o Paysandu resolveu presentear um torcedor especial do Vasco, com uma camisa bicolor trazendo o nome do torcedor nas costas: Gui ?
Portador de epidermólise bolhosa, uma doença rara na pele, o pequeno Gui é um garotinho apaixonante, que se tornou famoso pela sua força, amizade com jogadores e paixão cruzmaltina, sendo eleito o Melhor Torcedor de 2024, pela FIFA. Gui viralizou após sua mãe compartilhar o reencontro dos dois em 2023, após ele ficar 16 dias em coma induzido por conta de uma pneumonia. A partir daí, o menino Gui passou a derramar meiguice e amor pelo futebol, como o famoso e diferenciado mascote do Vasco.
Gui recebeu o presente bicolor das mãos da melhor pessoa possível para a honraria: Pampam. O torcedor apaixonado do Paysandu tem paralisia cerebral e virou um símbolo da inclusão no futebol paraense. Festejado pela torcida, respeitado pelos rivais e reverenciado pelos jogadores do Paysandu. Marcinho, capitão bicolor, fez questão de ir até a torcida, assim que terminou o RexPa da conquista do título, pegou Pampam pelas mãos e o fez erguer a taça de campeão paraense junto com o time. Um dos momentos mais lindos que já presenciei no Mangueirão, durante mais de 30 anos de jornalismo esportivo.
Ao receber a camisa do Paysandu das mãos de Pampam, o menino Guy vibrou, bem do seu jeitinho carioca fofo: “Caraca! Que maneiro, uma camisa do Paysandu! Que moral, heim! Valeu, Pampam!” ? A cena ganhou ainda mais camadas quando lembramos a representatividade cruzmaltina. O Vasco é considerado o time mais inclusivo do Brasil pela sua trajetória histórica de luta contra o racismo. O clube abriu as portas para jogadores negros, operários e de classes populares em um momento em que o esporte era dominado pela elite branca, na década de 20.
O encontro entre Pampam e Gui celebra o que há de mais bonito nesse tal futebol, que tanto amamos. Algo que não cabe em palavras ou legendas. É apenas sentir, aprender e se inspirar em dois campeões da vida.
