A felicidade que não se compra
Neste domingo, 13 de julho, Dia Mundial do Rock, quero reverenciar uma doce surpresa da música brasileira. Foi por acaso, como a maioria das coisas mais gostosas da vida acontecem, que descobri o álbum “Dominguinho”, do pernambucano João Gomes.
Nunca ouvi forró na vida, mas esse álbum virou meu principal refúgio auditivo nas últimas semanas. Escutar “Dominguinho” é como receber um abraço apertado de alguém que se ama, tomar uma tulipa de chopp estupidamente gelado numa tarde de julho em Belém, e ler um texto apaixonado de alguém pelo qual estamos arrebatados. Tudo ao mesmo tempo.
Logo eu, que tolamente me autointitulava “ortodoxa musical”. Em outras palavras - preconceituosa- mesmo. Isso, até minha alma ser revirada por João Gomes. Cantor e compositor do chamado “piseiro”, ele foi o artista nacional mais ouvido em 2021, quando tinha apenas, pasmem, 18 anos!
Em abril deste ano, o garoto de voz grave, de sotaque nordestino irresistível, que lembra um vaqueiro apaixonado, se juntou ao sanfoneiro Mestrinho e ao paulista Jota.pê, outra revelação da música viral, e gravou essa preciosidade chamada Dominguinho.
No Dia Mundial do Rock, quero celebrar a liberdade de quem chutou seu preconceito musical pra longe. Outro dia, me emocionei quando entrei num ônibus “Geladão”, às 2 da tarde, com a blusa grudada ao corpo de suor, e ele estava quase vazio, com o motorista ouvindo Djavan. Me senti abraçada por Deus naquele momento.
Talvez a vida seja exatamente isso. O prazer inusitado de se descobrir “fã de um cantor de forró”, e se comover com um ar-condicionado no ônibus. Afinal, Guimarães Rosa já nos ensinou que “A felicidade se acha é em horinhas de descuido”
