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E o Trem Azul partiu…

Nasci em Belém, mas como acredito em outras vidas, tenho certeza absoluta que minha encarnação mais feliz foi em Minas Gerais. Meu encanto pela terra das montanhas, dos trens, dos girassóis, das igrejas históricas, das esquinas que exalam música e poesia, é algo que transcende qualquer racionalidade.

Comecei a perceber esse arrebatamento  ainda criança, quando ouvia as músicas de uma turma de músicos mineiros que revolucionaram a MPB. Escutava  “Paisagem da Janela” e “Sol de Primavera” e chorava.  Via as paisagens mineiras nas novelas da  Globo e era tomada pela sensação do “Déjà Vu”.  Era como se eu já tivesse vivido ali.

Nasci em 1972, ano em que foi lançado o Clube da Esquina, considerado o maior álbum de todos os tempos da música brasileira. À frente desse álbum e do movimento musical “Clube da Esquina”, estavam Milton Nascimento e Lô Borges.  

Lô nos deixou no início desta semana e deixou um legado musical que ultrapassa as montanhas de Minas Gerais. A genialidade do compositor, que era a alma sonora do Clube da Esquina, despontou desde cedo.

Com apenas 17 anos, Lô Borges compôs “Para Lennon & MacCartney”, gravada por Milton. O sucesso da composição, que era um hino de afirmação mineira enviado aos Beatles, fez Milton  convidar Lô para ir morar no Rio e, juntos, gravarem o icônico álbum Clube da Esquina. 

Sob desconfiança da gravadora, que se recusou a colocar o nome daquele “garoto desconhecido” na capa, o disco foi um estrondoso sucesso com seus arranjos incomuns, que misturavam MPB, rock psicodélico, jazz e folk.

Algumas de suas faixas foram de autoria de Lô, o garoto prodígio.  “O Trem Azul“ , Paisagem da Janela” e outras músicas impressionaram a gravadora, que convidou o garoto mineiro a gravar um disco solo. 

A partir daí, Lô disparou no Trem Azul do sucesso. Vieram inúmeras parcerias e algumas das músicas que marcaram minha vida: “Sonho Real”, “ Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor” e “Feira Moderna”

Como bem traduziu Zeca Baleiro, Lô Borges tinha um ar de “Beatle barroco” O eterno menino do Clube da Esquina era a alma mineira em forma de canção. 

A sua chegada no mundo espiritual deve ter sido com “Clube da Esquina n°2”, tocado pelas harpas dos anjos.  Essa canção, composta por Milton e Lô, primeiramente, de forma apenas instrumental, foi um sopro de lirismo e liberdade em meio às agruras da ditadura militar. 

Hoje, Clube da Esquina n°2, com sua aura de paz celestial, me parece ser a trilha perfeita para receber Lô Borges lá, do outro lado. Livre das dores e amarras desta vida. E seguindo, encantado, num trem azul. Da cor do seu amado Cruzeiro Esporte Clube.




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Toni Remigio
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