Eleições 2026: o peso de Lula nas costas de Helder.
Famoso “quem te viu, quem te vê”, reprovação, idade avançada e verborragia do petista desafiam campo governista local ano que vem.
Um cenário algo diferente das eleições em que foi consagrado como o governador mais bem votado proporcionalmente do Brasil, em 2022, com cerca de 70% dos votos, deve esperar a coligação liderada por Helder Barbalho em 2026.
Para além de um governo bem avaliado por cerca de 2/3 dos eleitores, após definir seu futuro político - se tentará o Senado ou irá encarar a candidatura à vice-presidência -, o governador paraense vai precisar unir a sua multifacetada base para disputar um pleito que promete fortes emoções.
Definidas as quatro vagas na chapa majoritária, quais sejam os candidatos a governador, vice e as duas ao Senado, aparadas as arestas e contrariedades dos preteridos, feitos os cálculos e articulações que nem sempre são eximidas de erros que podem custar caro, será a hora, se tudo continuar em âmbito nacional do jeito que está, de administrar um passivo cada vez mais pesado: a impopularidade de Lula.
Bem distinto das últimas quatro disputas presidenciais, quando o atual presidente possuía números que faziam dele favorito em todas elas, e cujo prestígio junto ao eleitorado ajudou a eleger e reeleger um "poste", Dilma Rousseff, e cacifar a ponto de quase eleger outro, Fernando Haddad, tudo ou quase parece conspirar contra Lula em 2026.
Justiça seja feita, muito do que ocorre hoje em dia com o petista é fruto do seu envelhecimento cronológico, político, existencial e intelectual.
Lula tem dito asneira atrás de asneira; sua esposa não ajuda, a idade, o fantasma dos problemas de Joe Biden, as vitórias de Javier Milei e de seu governo na vizinha Argentina, a estagnação econômica, o enfraquecimento de seu ministro da Fazenda, as intrigas palacianas, a força parlamentar do Centrão, a rejeição do STF, entre outras composições menos votadas, tudo junto e misturado aumenta as desconfianças sobre a capacidade de recuperação do petista velho de guerra.
COP30 e legados
Incontinentes os resultados efetivos para o meio ambiente e o aquecimento global, internamente a realização em Belém da 30ª edição da Conferência das Partes, a COP30, caminha para conferir a Helder Barbalho um triunfo político no mínimo municipal e a continuidade da sua aprovação pela população estadual.
Afinal, quanto mais próximo fica o evento, mais nítidos estão os avanços conquistados na capital paraense com o seu legado.
Parque da Cidade, obras de saneamento e infraestrutura, movimento da economia e afago na autoestima local são ativos que não devem ser subestimados.
Lula cá
Justiça seja feita e ironia do destino, Lula foi fundamental em todo o processo de escolha da cidade e na liberação dos recursos federais para a realização do grande evento. Ocorre que, como escreveria o craque Mario Sabino, dois erros não formam um acerto.
E o governo petista tem um alfabeto de equívocos e promessas não cumpridas responsáveis por fulminar a paciência do eleitor, inclusive em redutos historicamente petistas, como o nordeste, bem como fatias do eleitorado que estão, pesquisa atrás de pesquisa, abandonando o babalorixá, como as eleitoras de todo o Brasil.
Locais
E por falar em sondagens nacionais, começam a pipocar na praça local pesquisas atestando sinais senão preocupantes para o atual governo, no mínimo capazes de orientar caminhos e composições até as datas eleitorais que culminam com as desincompatibilizações em abril de 2026 e as convenções até agosto do próximo ano.
Atualmente, segundo aferições que circulam por essas paragens, surge o nome do delegado Éder Mauro liderando cenários em que são testados nomes conhecidos do eleitorado paraense.
Voltando às vagas majoritárias, cumprem algumas perguntas: qual partido e que perfil terá o candidato à vice no campo governista? Será do PT? Muito se diz que Lula irá cobrar esta fatura. Se sim, muito difícil o governador dizer-lhe não.
Quando Helder irá definir qual a sua escolha pessoal afinal?
Quem o governador irá escolher, aceitar ou aprovar como candidato à segunda vaga de senador, vez que encare a disputa à Câmara Alta? A coligação governista terá somente dois candidatos ao Senado ou serão vários?
Centrão e traição
Como administrar políticos historicamente governistas, que de um 1º turno indefinido podem ligar o modo traição como quem diz “sinto muito, mas até a próxima, se outra oportunidade tiver"?
Até as cadeiras do Mangueirinho, palco das últimas convenções emedebistas, sabem que espécimes dessa natureza grassam na seara política como ervas daninhas nos vegetais que habitam os vastos pastos e florestas paraenses.
Infiel
O mais visível desses locais atende pelo nome de Daniel Santos. Aliás, taí um político que semana após semana fica menor e mais isolado, tamanho o receio que políticos da esquerda peessebista à direita bolsonarista cada dia olham com mais desconfiança o seu modus operandi.
Outro fator que isola ainda mais o controverso prefeito de Ananindeua é o fato do campo da direita possuir, atualmente, segundo essas sondagens vazadas por aí, quase 30% das intenções de votos para o governo, enquanto Daniel, com toda movimentação e pré-campanha escrachada, malmente chega a cerca de 15%.
Desafios
Com efeito, se o doutor não inspira confiança, o desgaste de Lula tende a fazer com que Helder precise contrapor ao lado de fiéis aliados, a força de uma hipotética união entre políticos do espectro do centro político, tipo Simão Jatene, do meio evangélico, como Zequinha Marinho, e carismáticos que nem o neo bolsonarista Mário Couto, por exemplo.
Esses quadros, uma vez aliados ou filiados ao PL e adjacências e chancelados pelo perfil da população do sudeste paraense, majoritariamente antipetista e onde pontificam o popular prefeito de Marabá, Toni Cunha, e o atual dono do caixa de Parauapebas, Aurélio Goiano, podem e devem fazer ferida como há tempos não se vê nas campanhas quase mornas paraenses de 2018 para cá.
Outro desafio de Helder será preparar sua ungida, Hanna Ghassan, para uma campanha onde errar pouco ou quase nada será fundamental.
Técnica experiente que domina números e conhece a gestão estadual desde 2019, não serão poucas as tentativas até o inicio da campanha propriamente dita de tentarem puxar-lhe o tapete pelos motivos menos republicanos possíveis. E, evidente, quando o bicho pegar, entre agosto e outubro, aí mesmo é que ela não poderá fraquejar ou escorregar nas cascas de banana que haverão de botar no seu caminho.
Ativo
Caso opte pelo caminho do Senado, Helder estará presente na campanha com vigor e isso pode fazer toda diferença, sendo fundamental para o sucesso da candidata que é a sua aposta.
Com a fase atual de Lula e as muitas dúvidas que pairam sobre o seu futuro político, tudo parece conspirar para uma dobradinha entre criador e criatura.
Estorvo
E Lula, que de super eleitor e franco favorito tem se transformado num estorvo, que se decida pra lá e, a partir de janeiro de 2026 deixe nas mãos de Helder o desafio de lhe conferir uma votação local senão consagradora, ao menos que não seja humilhante para quem se acha (ou achava) até outro dia acima do bem e do mal. Ungido.
Tancredo e Daniel
O presidente que levou mas não governou dizia que um dos segredos de uma campanha vitoriosa passava pela escolha dos adversários.
Dito isso, dado o perfil do antípoda de hoje e amanhã, parece que o melhor contendor para os planos de Helder e Hanna será enfrentar Daniel Santos, um pré-candidato que tem tudo para ser o opositor ideal: inconfiável, controverso, obscuro, sem aliados de peso, com um rastro de desconfiança pelo meio do caminho e uma ambição ainda maior que o patrimônio amealhado em pouco mais de uma década de vida pública.
Quanto à direita bolsonarista, tudo indica que nunca antes na história deste estado, desde o advento da Lava Jato e do protagonismo do ex-presidente, seus adeptos entrem na disputa que se avizinha tão confiantes quanto às chances do cenário nacional influenciar sobremodo no local.
Ainda assim, em condições normais de temperatura e pressão, Hanna, ao lado de Helder, tende a se tornar favorita.
Quem viver verá.
