La Belle COP
Me lembro benzinho quando anunciaram os nomes das 12 capitais brasileiras, que iriam sediar a Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Era 2009 e o então “Twitter”, a rede social que despontava, era a febre nacional digital.
Para revolta e tristeza dos paraenses, principalmente quem ama futebol, Belém ficou de fora. Perdeu a parada para Manaus, uma cidade que tem mais torcedores do Flamengo e Corinthians do que qualquer clube local e, sequer, tinha um estádio de futebol à altura para sediar a maior competição de futebol do mundo.
O Twitter, então, que já engatinhava no perfil de “rede das reclamações”, veio abaixo. Criaram, com o charme irreverente do início daquela rede social,
a “tag” #foraManals , assim mesmo, com “l”, e tivemos uma avalanche de publicações. Um capítulo amargo e marcante na histórica rivalidade Pará x Amazonas.
Dezesseis anos depois, o paraense, seja Remo ou Paysandu, de direita ou esquerda, católico ou evangélico, olha para Manaus e todo o Brasil como esses fidalgos do meme que ilustra este texto. Quem segura a pavulagem de morar na primeira cidade da Amazônia a sediar a maior conferência do mundo sobre meio ambiente? Belém virou a capital mundial do clima, nos holofotes de todo o planeta. Uma simples manga na calçada vira poesia em manchete, da CNN ao The New York Times.
A COP do mundo é nossa! Com Belém, não há quem possa! Uma cidade que pulsa cultura, gastronomia singular, ancestralidade, saberes amazônidas, hospitalidade, e um clima que mostra, na prática, de uma vez por todas, porque a Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas precisava ser aqui. Nos últimos dias, o que mais se vê e ouve são gringos e turistas brasileiros ficando loucos com a chuva que cai, sem cerimônia, em meio a um sol de rachar catedrais. Arroubos climáticos típicos da nossa capital da Amazônia. Quente, úmida, e irresistivelmente sedutora.
Quem ousar falar que a COP 30 em Belém não deu certo,“flopou”, como diz o bordão digital, bom sujeito não é. A cidade pulsa o frenesi dos turistas em provar, sentir, cheirar, tocar, dançar, sorver a cidade das mangueiras.
Belém está vibrante, exalando orgulho por parte da maioria dos moradores, e com obras de arder os olhos de tanta beleza. Governo Federal, Estadual e Prefeitura, parabéns aos envolvidos!
O Mercado de São Brás é a vedete da temporada. Com seu charme e suntuosidade, ao melhor estilo Art Nouveau”, nos remete à “Francesinha do Norte”, um dos apelidos que Belém recebeu durante a Belle Époque.
Na época áurea da borracha, a arquitetura francesa era uma clara inspiração nas grandes obras de Belém. Hoje, o Mercado de São Brás nos traz de volta todo o glamour da essência europeia.
E na noite desta quarta-feira, foi nas dependências do Palácio, ops, Mercado de São Brás, que a Rainha da Dinamarca, Mary Elizabeth Donaldson, ofereceu um jantar às autoridades da COP. Me senti assistindo a um episódio de “Outlander”, com a realeza e seus bailes na corte. “Pardon”, Manaus! Perdão, Manaus, mas Belém é o hype do mundo verde.
Que a COP 30 traga discussões assertivas e eficazes, buscando, além de soluções práticas para a crise ambiental, uma cultura mais justa, democrática,o respeito à biodiversidade e a união de todos os povos amazônidas. Como canta Beto Guedes, na emblemática “O Sal da Terra”: Vamos precisar de todo mundo.
Um mais um é sempre mais que dois…
E que o principal legado da COP, além de Belém estruturada, seja a autoestima do paraense nas alturas. Quem carrega uma estrela no peito, nasceu para brilhar.
Crédito imagem: reprodução de “meme” nas redes sociais.
