O gol de placa do Vasco por Nazinha
“Vamos todos cantar de coração
A Cruz de Malta é o meu pendão
Tu tens o nome do heroico português
Vasco da Gama, a tua fama assim se fez”
Honrando a letra do hino, a fama do Vasco da Gama sempre se fez dentro e fora de campo. O clube tem uma vocação histórica para a inclusão e integração. Para quem não sabe, o time de Roberto Dinamite, Juninho Pernambucano e tantos outros ídolos marcou sua trajetória na luta contra o racismo. O Vasco se tornou campeão carioca de 1923 com o time conhecido como Camisas Negras, formado por jogadores negros, pobres e analfabetos, que quebraram barreiras sociais e raciais no futebol da época. Após a conquista, os clubes de elite não aceitaram o time do Vasco em uma nova liga, exigindo a exclusão dos jogadores de origem humilde e de cor negra. Em resposta, o então presidente do Vasco redigiu uma carta em que se recusava a desrespeitar seus jogadores e a participar da nova liga, sendo um ato de resistência contra a discriminação.
Ao contrário do que muitos pensam, o Vasco não foi o primeiro time brasileiro a ter negros. O Bangu já os tinha. Mas foi o clube português que bateu na mesa e se posicionou firmemente contra o racismo. Até hoje o Vasco participa de campanhas de conscientização e combate ao preconceito, como a promoção de leilões de camisas comemorativas para arrecadar fundos para ONGs que trabalham contra o racismo.
E nesta semana, o heróico português Vasco da Gama deve ter se orgulhado ainda mais do clube que leva seu nome. Na última terça-feira, como acontece todos os anos, Remo, Paysandu e Tuna apresentaram suas camisas comemorativas ao Círio de Nazaré. Junto aos times paraenses, estava ele, o revolucionário Vasco da Gama, como o primeiro clube de fora do Pará a lançar um modelo oficial de camisa com o Selo do Círio de Nazaré. Uma iniciativa que reforça a integração entre esporte, fé e cultura. Foi bonita a festa, pá!
A camisa é linda. Branca, com detalhes em dourado, transmitindo a luz e a delicadeza da nossa padroeira, Nazinha.
O lançamento faz parte de um movimento mais amplo do Vasco em valorizar e se conectar a tradições culturais brasileiras. Um gol de placa do time da cruz de Malta, que agora simboliza também a fé dos católicos paraenses em torno da maior procissão do Brasil.
Como paraense, amante do futebol e devota de Nossa Senhora de Nazaré, me senti um pouco vascaína com essa comovente homenagem. Comecei e agora, termino este texto com mais um trecho do hino que canta Vasco da Gama. Não é à toa que “Tua imensa torcida é bem feliz. Norte-sul, norte-sul deste país…”
