O RexPa mais desigual dos últimos tempos
“Clássico é clássico, “Não
existe favorito em RexPa”, “ Essas são algumas das frases
bordão, que acompanham a mística do clássico mais jogado do Brasil
desde os primórdios do futebol paraense. Mas o RexPa deste domingo,
meus amigos, o RexPa de n° 781 já faz história antes mesmo de
começar. Com o acesso à série A, essa é a primeira vez que o
Remo está duas divisões acima do Paysandu (Série A contra Série
C).
Embora o Paysandu já tenha ficado duas divisões
acima do Remo em quatro ocasiões anteriores (2005, 2009, 2011 e
2015), e em 2013 esteve na série B, enquanto o Remo estava sem
divisão, o cenário inverso é inédito, marcando uma vantagem
histórica para o Leão.
Assim, o clássico de
domingo anda tirando o sono de muitos torcedores bicolores. A
diferença técnica e psicológica entre as duas equipes é
explícita. Principalmente depois de se assistir aos primeiros jogos
do Paysandu e comprovar que a garotada ainda precisa adquirir ritmo e
muita confiança para ganhar competitividade.
Do outro
lado, temos um Remo ainda em formação, mas com peças que podem
fazer a diferença em um lance, e uma torcida que vai empurrar o time
para a vitória diante do rival como se fosse uma obrigação.
As
cartas estão na mesa para mais um clássico que irá chamar a
atenção da mídia nacional, pelo encanto proporcionado pelas
torcidas, e o recém acesso azulino, que transformou o Leão em time
“namoradinho do Brasil”
A esperança bicolor é o
“Sobrenatural de Almeida”, decantado nas crônicas de Nelson
Rodrigues, como aquele elemento mágico que aparece de surpresa nas
partidas, para ajudar o time teoricamente inferior. Um apagão do
zagueiro, um montinho artilheiro na hora da cobrança de falta, um
lampejo de craque do jogador mais limitado da equipe. Ou ainda, a
garotada bicolor ser incendiada pela garra alvi azul e virar uma
alcateia de lobos famintos pela vitória mais improvável dos últimos
anos.
Lembrei da música dos Paralamas do Sucesso, a mais
completa tradução da alma desse clássico de domingo: “Ó, mundo
tão desigual. Tudo é tão desigual. Ôôô… De um lado esse
Carnaval, do outro, a fome total…”
A conferir.
