Vem ver-o-peso do futebol paraense
Na última quinta-feira, presenciei a entrega, pela Prefeitura de Belém, dos novos boxes de vendas das famosas vendedoras de ervas do Ver-o-Peso. Se elas, normalmente, derramam simpatia, dessa vez estavam eufóricas, distribuindo sorrisos com 64 dentes. Seus equipamentos de trabalho foram completamente revitalizados, com telas modernas e base de alvenaria pra proteger da maré alta. Agora as erveiras só pensam na COP. Exibir suas casinhas de trabalho novas e encantar os gringos e turistas de todo o Brasil com o misticismo amazônico.
Como em todas as vezes que vou ao Ver-o-Peso, sou tomada por uma nostalgia que inebria. Impossível não lembrar da época áurea do Paysandu. 2002, 2003, Copa dos Campeões e Libertadores da América. O até então pouco conhecido “Papão da Curuzu” assombrava o Brasil com seus feitos sem defeito. E quase que diariamente o Globo Esporte Rio, base do Globo Esporte nacional, ligava para a TV Liberal e pedia: “Manda a Syanne Neno pro Ver-o-Peso, entrevistar torcedores”
Foi lá que consegui as entrevistas e “ao vivo” mais marcantes da minha carreira: no nosso Veropa. O desafio de todo repórter de TV é entrevistar gente espontânea, que desnuda a alma em simplicidade e irreverência. E isso, meus amigos, é matéria-prima do Veropa. Artigo ofertado gratuitamente.
Perceber a paixão do torcedor paraense pelo futebol, no Ver-o-Peso, é quase comovente. Principalmente agora, quando o Paysandu luta desesperadamente para escapar do rebaixamento à série C. Enquanto isso, o Remo navega em rios de tranquilidade, sonhando com o acesso. Como na música dos Paralamas do Sucesso: “ó mundo tão desigual, tudo é tão desigual. De um lado, esse Carnaval. Do outro, a fome total…”
Mas, no Ver-o-Peso, não tem tempo ruim para o torcedor paraense. Remo e Paysandu serão sempre motivo de bom humor e orgulho. Meio que um universo paralelo, um país das maravilhas no qual somos todos “Alice”. Meu banho de cheiro favorito, para espantar a tristeza e o desânimo com o Paysandu, é visitar o nosso mais genuíno cartão-postal.
