Quase 900 milhões: o buraco da saúde em Belém

26/07/2023 09:34
Quase 900 milhões: o buraco da saúde em Belém

O buraco da saúde de quase 900 milhões

Encerradas as férias de julho e percorridos os quatro meses “bro”, de setembro a dezembro, o assunto “eleições municipais 2024” tem tudo para começar a dominar o noticiário político.

É comum ser assim por aqui, em todos os estados e tratativas locais e federais. Isso mesmo, quase tudo passa por Brasília, partidos políticos, Palácio do Planalto e Congresso Nacional.

Na capital da COP 30, programada para ocorrer em dezembro de 2025, a importância de quem será o anfitrião oficial ao lado do governador ganha ainda mais relevância.

O distinto eleitor imagina a cena, por exemplo, de serem “sócios” nas recepções o atual mandatário estadual e um representante raiz do bolsonarismo? Que situação…

Se na política real o que prevalece são as circunstâncias, conveniências e interesses pessoais em detrimento do público, como deveria ser, na vida e cotidiano das pessoas que pagam impostos, taxas, contribuições e etc., uma saúde pública em frangalhos e cheia de gargalos é tudo que ninguém não precisa para demonizar e desprezar ainda mais os políticos e a política.

Afinal, deixada a COP de lado, qual a real intenção das suas excelências em querer disputar a prefeitura de Belém?

Sobretudo quando se sabe o cenário a encontrar, uma vez eleito, altamente desgastante e tratado com profundo ceticismo sobre soluções para a maioria dos seus problemas mais sensíveis na vida de moradores e moradoras.

Inclua-se aí saúde, infraestrutura, emprego e renda, desenvolvimento (sustentável) social e econômico e tutti quanti. Concentremo-nos, neste primeiro momento, na área da saúde. 

Permanece o questionamento: por que suas excelências se dispõem em ir para o embate na busca pela eleição diante da possibilidade - enorme - de saírem infinitamente menores perante a maioria do eleitorado após concluído o mandato? Exemplos não faltam.

Décadas Perdidas

Tome-se como exemplo as duas primeiras gestões do atual prefeito (1997-2004), as quatro seguintes dos prefeitos que o sucederam, 2005-2012 e 2013-2020, e os dois anos e meio deste atual mandato com uma pandemia no meio.

São praticamente 26 anos e sete meses. Quase três gerações se formaram no período e a situação é um déficit de duzentos milhões por ano.

E não se pode sequer dizer ainda se este período psolista-petista é pior ou tão ruim como na época do PT, do PTB ou do PSDB pela visão dos opositores - eles próprios - em cada período.

Basicamente a leitura de ocasião os faz e fizeram “uns contra todos e todos contra um”. Uma lástima. 

Quase 1 bilhão

No domingo, 23, informações prestadas por ex-dirigente lotado na saúde municipal da atual gestão a O Amazônico revelam que o déficit, gargalo, buraco da área, ou como se queira chamar, atinge, hoje em dia, uma cifra próxima a 900 milhões de reais.

 Senão veja: 18 milhões de reais multiplicados por 48 meses, período compreendido por um mandato de quatro anos, atingem a soma de 864.000,00 (oitocentos e sessenta e quatro milhões de reais).

Isso sem contar inflação, juros e correções de praxe.

Ocorre que, do jeito que as coisas caminham, em pouco tempo, provavelmente já na próxima gestão (2025-2028), o valor deve estar na casa do bilhão de reais.

Basta para isso que tudo permaneça do jeito que está. 

Confirmadas essas revelações, quais as soluções viáveis e urgentes que podem corrigir este rumo e tirar a saúde municipal da capital paraense desta insolvência e, sobretudo, evitar a sua falência?

 Quem se habilita?

Muitas questões precisam ser esclarecidas:

Como enfrentar a situação da melhor maneira sem entrar em colapso ou simplesmente encerrar serviços e fechar portas?

Onde estão os principais problemas?

Qual o retrato - hoje - da saúde pública municipal, de acordo com os dados oficiais da Sesma ou PMB?

Afinal, quem se habilita para apontar erros, acertos e ações imediatas para corrigir os rumos?

Problema crônico e consultoria

Uma das informações prestadas fala na contratação de consultoria no valor de 1,5 milhão de reais para que se traçasse um diagnóstico (mais um) da situação.

 A PMB/Sesma confirma a contratação sem licitação? Se sim, quais as conclusões do documento?

Há na Câmara Municipal de Vereadores quem confirme os indicadores da Sesma ou contradite algo?

Qual ou quais os vereadores de Belém que têm requerido pedido de informações e providências na área da saúde em Belém?

Existe oposição (de verdade) na Câmara Municipal de Belém?

Pré-candidatos e projetos

A despeito de qualquer problema grave ou crônico, brotam pré-candidaturas à prefeitura de Belém à esquerda, centro, direita e extremos. Aliás, como sempre.

Alguém tem projetos para a cidade?

Algum “pré” tem experiência ou estuda a gestão de cidades com o perfil local, especialmente sobre a área da saúde?

Se sim, existe alguma referência empírica sobre como enfrentar problemas semelhantes, mitigá-los ou resolvê-los?

A pompa e a circunstância do poder são efêmeras.

Já a memória das pessoas, apesar dos esquecimentos de rotina, tende a ser mais duradoura. Pelo menos de algumas.

Enquanto isso, a saúde municipal permanece na UTI e cada vez mais famílias precisam dela. Infelizmente para elas.

Para que serve o poder? Para servir ao público ou servir-se dos recursos produzidos por si, o distinto público?

Com a palavra, os senhores e senhoras candidatos que assim se afirmarão, tão logo finde o ano, ali na esquina do final de mais um verão, entre o quarto mês “bro” e as chuvas de janeiro de 2024. 

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